29/09/2026 - 10:23
O Bitcoin (BTC) registra valorização e volta a ser negociado acima de US$ 84 mil nesta terça-feira (29), com um aumento de aproximadamente 1,5% nas últimas 24 horas. O movimento permite que a principal criptomoeda do mercado recupere parte das perdas observadas na véspera, quando uma queda para US$ 82,5 mil resultou na liquidação de cerca de US$ 500 milhões em posições alavancadas no mercado.
O que aconteceu
- O Bitcoin supera a marca de US$ 84 mil nesta terça-feira (29), revertendo parte das perdas recentes e liquidando milhões em posições.
- ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos impulsionam a recuperação, com captação semanal robusta, apesar da desaceleração no ritmo.
- A Bitfinex aponta resiliência da criptomoeda frente a catalisadores adversos e cenário macroeconômico apertado, como a alta de juros do Fed.
Por volta das 9h30, o Bitcoin era cotado a US$ 84.381. A queda registrada na segunda-feira (28) levou o ativo à sua mínima em sete dias, resultando em liquidações que afetaram 129.197 traders em um período de 24 horas.
ETFs impulsionam a recuperação do bitcoin
O principal apoio para essa recuperação provém dos fundos de índice negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista operando nos Estados Unidos. Esses veículos de investimento captaram US$ 2,39 bilhões na semana encerrada em 25 de setembro, conforme dados da SoSoValue. Esse volume representa o maior aporte semanal desde outubro de 2025, o que foi suficiente para reverter o saldo negativo acumulado em 2026, que chegou a registrar saídas de cerca de US$ 5,55 bilhões no início de julho.
Contudo, o ímpeto de entrada de capital nos ETFs apresentou desaceleração ao longo da semana. As captações, que se aproximaram de US$ 1 bilhão na segunda-feira (21), diminuíram para US$ 134,5 milhões na sexta-feira (25). Na segunda-feira seguinte, as entradas somaram apenas US$ 31 milhões, configurando a sessão positiva mais fraca da sequência. Nesse período, o IBIT, da BlackRock, conseguiu compensar os resgates observados nos fundos FBTC, da Fidelity, e GBTC, da Grayscale.
A demanda subjacente é robusta para o bitcoin?
Além dos fundos, há indícios de acumulação da criptomoeda fora dos veículos tradicionais. A empresa Strategy adquiriu 1.665 BTC entre 21 e 27 de setembro. Paralelamente, aproximadamente 13.800 BTC deixaram a Binance em um único dia, um movimento que pode sugerir a transferência de ativos para custódia de longo prazo, indicando confiança na valorização futura.
Para a exchange Bitfinex, a capacidade de resistência do Bitcoin diante de um contexto adverso é o sinal mais relevante para o mercado. “A incapacidade de estender a queda diante desses catalisadores adversos aponta para uma demanda subjacente robusta”, afirma a Bitfinex em relatório recente.
Cenário macroeconômico global ainda desafiador
O cenário macroeconômico global, entretanto, permanece restritivo. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) elevou as taxas de juros em 16 de setembro, ajustando-as para a faixa de 3,75% a 4%. Esta foi a primeira alta desde 2023, e a instituição sinalizou a possibilidade de um novo aumento ainda neste ano.
Segundo análise da Bitfinex, as projeções para uma nova elevação da taxa básica de juros em outubro cresceram significativamente, passando de menos de 15% para mais de 65% em apenas duas semanas. Nesta terça-feira (29), as expectativas para um novo aumento já alcançavam 70,3%. O rendimento do Treasury de dez anos, que estava em 5,01% no dia da decisão do Fed, encerrou a sexta-feira (25) em 5,17%, refletindo a pressão inflacionária e a política monetária mais apertada.
“A principal restrição ao BTC nesta semana é, portanto, o aumento do retorno real dos ativos de baixo risco, e não o sentimento do mercado”, destaca a Bitfinex. O próximo ponto de atenção é a divulgação do núcleo do índice de preços PCE de agosto, a métrica de inflação preferida do Fed, prevista para esta quarta-feira (30).
Quais os níveis de preço cruciais para o bitcoin?
A Bitfinex projeta um cenário de consolidação para o Bitcoin, com o preço oscilando entre US$ 84 mil e US$ 87.722. O primeiro patamar representa a maior concentração de oferta de investidores de longo prazo, enquanto o segundo corresponde ao preço de abertura do ano.
“A permanência do BTC acima de US$ 84 mil mantém aberto o caminho para uma valorização até US$ 96,7 mil”, ressalta a Bitfinex. Por outro lado, um eventual retorno abaixo de US$ 81,3 mil reacende a possibilidade de buscar o suporte de US$ 77 mil.
A recuperação atual ocorre em um trimestre favorável para a criptomoeda. O Bitcoin iniciou setembro próximo de US$ 78 mil, após acumular uma perda de 15,55% em 2026 até agosto. Contudo, no terceiro trimestre, a alta já supera 40%. Se esse ganho for mantido até quarta-feira, o período se consolidará como o melhor trimestre do ativo desde o final de 2024.
