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Bitcoin para todos

Gestora lança fundo de varejo que investirá em moedas virtuais. Saiba se essa aplicação é para você

Bitcoin para todos

Investir em moedas virtuais, como bitcoin, ether, repo ou iota, é simples. O primeiro passo é se cadastrar em uma das dezenas de exchanges internacionais que negociam esses criptoativos. O passo seguinte é escolher quais dentre as 1.500 moedas virtuais existentes apresentam o maior potencial de valorização. Em seguida, é só baixar um aplicativo em seu celular que sirva como uma hot wallet. Se você estiver planejando investir por mais tempo, prefira um com funções de cold wallet. Aí, é só acompanhar o mercado e comprar ou vender na hora mais adequada, sem esquecer de prestar atenção a um possível fork da moeda. É ou não é simples?

Se você leu o parágrafo anterior e não entendeu nada, não se acanhe. Desde setembro de 2008, quando foram minerados os primeiros bitcoins, o assunto é assustador para quem pretende investir em moedas virtuais (observe o glossário ao final da reportagem). Agora, será possível investir em criptomoedas indiretamente, sem se preocupar com os nomes em inglês. A gestora paulista BLP lançou um fundo de investimentos multimercado que dedica 20% de seu patrimônio a moedas virtuais. “Em janeiro, nós havíamos lançado um fundo destinado a investidores profissionais, que têm patrimônio superior a R$ 10 milhões”, diz Glauco Cavalcanti, sócio fundador da BLP. “Agora, estamos lançando um fundo dedicado a investidores de varejo.”

Comprador no Japão: reconhecimento da moeda virtual pelo governo disparou alta de preços em 2017

A carteira terá investimento mínimo de R$ 1.000, cobrará uma taxa de administração de 1,5% ao ano e taxa de performance de 20% do que exceder a variação dos juros de mercado, medidos pelo CDI. Segundo Cavalcanti, 20% dos recursos serão investidos obrigatoriamente em um fundo internacional gerido pela BLP, e que é 100% dedicado a moedas virtuais. Esse fundo, denominado Gênesis, dedica 80% do seu capital à compra das 20 moedas virtuais mais negociadas e os 20% restantes a moedas menos líquidas, com maior potencial de valorização. A distribuição do fundo será, por enquanto, exclusividade do portal Genial Investimentos.

O mercado tem sido movimentado. Em abril de 2017, o governo do Japão determinou que o bitcoin seria uma moeda aceita no país, ao lado do iene. Isso estimulou compras especulativas que, no fim de 2017, levaram o bitcoin de US$ 3.000 para US$ 36.000, em menos de 3 meses. Depois, o mercado desabou e, na quarta-feira 13, as cotações estavam ao redor de US$ 6.000. No início do ano, para evitar que o pequeno investidor brasileiro perdesse dinheiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou que os fundos dedicados aos critptoativos fossem reservados aos investidores profissionais. Em setembro, essa proibição caiu e as gestoras se movimentaram. Agora, a demanda promete ser grande. Segundo Pedro Padilha, sócio da Genial e responsável pela seleção de fundos, o portal registrou a inscrição de 300 clientes novos por dia desde o anúncio do novo produto. “Como a liquidez do fundo é mensal e as aplicações e resgates só podem ser realizados no último dia de cada mês, ainda não é possível calcular quanto dinheiro vai chegar”, diz Padilha. “Mas notamos que há um grande interesse. Muitos clientes nos consultaram.”

Ele adverte, porém, que o produto é arriscado. Apenas 20% dos recursos captados pela BLP serão destinados a criptomoedas. Os 80% restantes vão para aplicações seguras, corrigidas pelo CDI. “Isso deve mitigar a volatilidade. Afinal, essas moedas oscilam bastante”, diz o diretor. “Mesmo assim, esse fundo só será oferecido para clientes que tiverem um perfil de investidor agressivo, pois ele pode ser tão volátil quanto um fundo de ações.”


Criptomoeda para presente

Atlas lança cartão pré-pago para investir em bitcoin

Franco, da Atlas: democratizando o acesso às moedas virtuais

A empresa financeira Atlas, especializada em criptomoedas, lançou um cartão pré-pago para facilitar o investimento nesses ativos. Em vez de se cadastrar em uma bolsa e precisar fazer transferências por meio de seu cartão de crédito internacional, o investidor poderá comprar cartões emitidos pela Atlas, com valores de R$ 50, R$ 100 e R$ 200, pagando a aquisição por boleto ou transferência bancária. “O cartão destina-se a investidores que querem comprar quantidades pequenas de bitcoins”, diz Marcelo de Mello Franco, vice-presidente da empresa.

A quantidade em bitcoins será calculada dependendo da cotação do dia e o dinheiro vai render de acordo com a valorização da criptomoeda. Ele afirma que há cerca de 1,4 milhão de investidores em bitcoin no Brasil e a meta é ampliar esse número a cerca de 3 milhões ao longo dos próximos anos, facilitando os investimentos. Segundo o planejador financeiro independente Fernando Costa, essa é uma aplicação a ser vista com cuidado. “O valor é pequeno, mas o investidor deve resistir à tentação de comprar muitos cartões, pois as cotações das moedas virtuais são muito voláteis.”