BIRA Wines: coração italiano com alma argentina

BIRA Wines: coração italiano com alma argentina

Os sócios Santiago Bernasconi e Federico Isgró. Seus ótimos vinhos reverenciam as origens dos antepassados que imigraram da Itália

No Brasil, Bira é apelido. Na Argentina, é apellido – o que, em castelhano, quer dizer sobrenome. Neste caso, dois: Bernasconi e Isgró (as iniciais B e I), acrescidos de sua identidade nacional: República Argentina. Curiosamente, embora traga no nome o país em que nasceu, a vinícola criada há apenas quatro anos pelos amigos Santiago Bernasconi e Federico Isgró não busca fazer vinhos com sotaque argentino. O que eles querem é expressar suas raízes italianas, reverenciando as origens de seus antepassados europeus que imigraram para a América do Sul.
Foi com essa filosofia que encontraram, no Valle de Uco, em Mendoza, um vinhedo plantado em 1975 com a variedade Sangiovese. Sem conseguir comprar a propriedade, a dupla fez um contrato de 30 anos para ter exclusividade sobre as uvas dali. Elas fornecem a base de três vinhos de inspiração toscana que representam a primeira geração das famílias de imigrantes. “A meta era chegar a um estilo similar ao de Siena”, disse Federico, engenheiro agrônomo que se especializou em enologia na Itália e fez mestrado em Montalcino. “Quando encontramos um vinhedo de Sangiovese de 48 anos, vimos que era possível compensar a latitude da Toscana com a altitude do Valle de Uco”.

Brunetto
Importado pela World Wine, o Brunetto 2018 (R$ 248) combina Sangiovese, Syrah e Merlot. Obteve 93 pontos de James Suckling e do Guia Descorchados

Complementando a Sangiovese entram variedades como Syrah e Merlot (no caso do rótulo Brunetto, clara alusão ao nome Brunello),  Cabernet Franc e Malbec (no Tanito). O nome dste último, que pode sugerir uma brincadeira com tanino, na verdade é uma gíria local argentina para os italianos. Como muitos partiram de Nápoles, ganharam o apelido de “tanos” (corruptela de napolitano( ou “tanitos”.
Os dois rótulos já conquistaram boas pontuações da crítica especializada. O Tanito 2019 (R$ 176.00) obteve 92 pontos de Tim Atkin e de James Suckling. O Brunetto (R$ 248,00) foi um pouco além, com 93 pontos de Suckling e do Guia Descorchados para a safra 2018. A 2019 recebeu 94 pontos de Patricio Tapia, do Descorchados. “Buscamos vinhos com taninos finos, que abram o paladar, façam salivar e sejam gastronômicos”, disse Federico. Pois é exatamente isso que se encontra nos dois grandes rótulos da dupla.

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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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