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Biden põe aliados no centro da diplomacia dos EUA

Biden põe aliados no centro da diplomacia dos EUA

O presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu que caminhará de mãos dadas com aliados e sócios - AFP

Crise após crise, do Irã a Mianmar, passando pelo clima, o presidente americano, Joe Biden, vem mostrando consistência em sua determinação de agir em cooperação com seus aliados.

Com apenas um mês na Casa Branca, ainda é cedo para falar de uma “Doutrina Biden”, mas o presidente já está revertendo a política de “America First” de seu antecessor Donald Trump, que colocava o país muitas vezes em choque com líderes aliados.

Em seu primeiro discurso internacional, Biden prometeu, na Conferência de Segurança de Munique, na sexta-feira (19), que andará “de mãos dadas com (seus) aliados e parceiros”.

“Permitam-me dissipar as dúvidas, se é que resta alguma. Os Estados Unidos trabalharão em estreita colaboração com nossos sócios da União Europeia (UE)”, frisou.

Biden, cujas prioridades – combater a covid-19 e a mudança climática – exigem colaboração mundial, já devolveu os Estados Unidos ao Acordo de Paris sobre o Clima e interrompeu a ruptura de Washington com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Nessa linha, o Departamento de Estado apoiou uma proposta da UE para organizar uma reunião informal na presença do Irã, destinada a salvar o que resta do acordo internacional de 2015 sobre o programa nuclear de Teerã.

E, após o golpe em Mianmar, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, buscou formar uma frente comum com sócios como Índia e Japão, que têm uma relação mais próxima com o país do que os Estados Unidos.

Em um mês, Biden também abandonou um projeto de Trump de retirar as tropas americanas da Alemanha, acalmou os ânimos inflamados por seu antecessor com uma projeto de lei para que a Coreia do Sul pague pelos soldados americanos estacionados no território e abriu um diálogo com seus aliados Tóquio e Seul em busca de um caminho a seguir em relação à Coreia do Norte.

Diante de situações de confronto, como a crescente influência chinesa, ou o líder venezuelano Nicolás Maduro, suas políticas não diferem muito das de Trump – salvo que Biden deve buscar mais apoio internacional.

“A principal crítica do presidente Biden à estratégia de Trump não foi que ele atacou a China comercialmente, mas que fez isso sozinho, enquanto também atacava nossos aliados e sócios”, explicou uma autoridade americana após um telefonema de Biden ao presidente chinês, Xi Jinping.

Pelo contrário. Biden se distanciou simbolicamente de vários aliados próximos a Trump, cujos objetivos diferem dos de seu governo, como é o caso de Israel, Arábia Saudita e Turquia.

– Esforço conjunto –

Não surpreende que Biden privilegie a diplomacia. Em seu meio século de vida política, ele deixou clara sua preferência e fez da revitalização das alianças americanas um dos pontos-chave de sua campanha à Presidência.

Sua aposta parece já estar dando alguns resultados, pelo menos em relação às possibilidades de diálogo.

O embaixador de um país aliado disse estar satisfeito com os contatos quase diários com o novo governo dos Estados Unidos.

Os funcionários de Biden “esperavam a oportunidade de fortalecer as alianças nos últimos anos. Por isso, acho que isso é um esforço totalmente combinado”, comentou Zachary Hosford, especialista do German Marshall Fund dos EUA.

O compromisso de Biden deve continuar sendo recebido com entusiasmo pelos líderes estrangeiros, porque “Trump valorizava as alianças apenas em função do que ele poderia conseguir”, acrescentou.

Já o governo de Barack Obama, do qual Biden foi vice-presidente, dava grande importância às alianças.

Embora Obama fosse muito popular entre os europeus, isso não o impediu, no entanto, de discordar dos aliados sobre comércio, impostos, orçamentos de defesa, ou as guerras na Líbia e na Síria.

Para Hoshford, Biden deve procurar fazer declarações com seus aliados, mas também estimular esforços conjuntos, especialmente no sentido de impor sanções aos que violam os direitos humanos.

“Podemos ter um impacto muito maior, não apenas simbólico”, frisou.

“Há muito a fazer, porque as alianças são meios atingir os fins, não fins em si mesmas”, completou.

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