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Biden assume como o 46º presidente dos EUA e promete “um novo dia”

Joe Biden tomou posse como o 46º presidente dos Estados Unidos nesta quarta-feira (20) e prometeu “um novo dia”, após quatro anos tumultuados do governo de Donald Trump, que, ausente da posse, deixou Washington com a promessa de voltar “de alguma forma”.

Com a mão esquerda em uma Bíblia de família, Biden, de 78 anos, prestou juramento perante o presidente da Suprema Corte, John Roberts, comprometendo-se a “preservar, proteger e defender a Constituição”.

“Hoje é o dia da democracia”, disse ele em um meio-dia frio, mas ensolarado, na blindada capital federal.

Em sua fala, o político veterano afirmou que os Estados Unidos enfrentam “o surgimento do extremismo político, a supremacia branca, o terrorismo doméstico”, mas afirmou que estas ameaças serão derrotadas.



Kamala Harris, de 56 anos, prestou juramento momentos antes perante a juíza progressista Sonia Sotomayor, tornando-se a primeira mulher vice-presidente dos Estados Unidos.

“É um novo dia nos Estados Unidos”, tuitou mais cedo Biden, que, em um sinal de unidade, foi à missa em uma igreja católica ao lado de líderes democratas e republicanos do Congresso.

A cerimônia de posse, na qual Lady Gaga cantou o hino nacional e Jennifer Lopez apresentou o clássico “This Land Is Your Land”, foi realizada sob forte esquema de segurança após a invasão do Capitólio por partidários de Trump há exatamente duas semanas.

– Capital militarizada –

Cerca de 25.000 membros da Guarda Nacional e milhares de policiais de todo o país foram enviados a Washington, onde o tráfego foi interrompido no centro da cidade, onde a paisagem lembrava um campo militar.

O caos desencadeado em 6 de janeiro, durante a certificação da vitória eleitoral de Biden pelo Congresso, deixou cinco mortos e levou a um segundo impeachment histórico de Trump pela Câmara de Representantes controlada pelos democratas, desta vez por “incitar a insurreição”.

A ausência de Trump na cerimônia foi uma quebra em 150 anos de tradição republicana, mas seu governo foi representado pelo vice-presidente em fim de mandato, Mike Pence.

Os ex-presidentes democratas Barack Obama e Bill Clinton e o republicano George W. Bush também se juntaram a Biden e Harris.

Com o público em geral impedido de comparecer pela pandemia, 200.000 bandeiras foram expostas na esplanada do National Mall representando as multidões ausentes.

Biden, presidente mais velho a tomar posse, chega à Casa Branca em sua terceira candidatura e depois de oito anos servindo como vice-presidente de Obama. Terá de enfrentar enormes desafios com a pandemia de covid-19, que já matou mais de 400.000 pessoas nos Estados Unidos.

Harris, filha de imigrantes indianos e jamaicanos, tornou-se a mulher de maior posição na história da América e a primeira negra e sul-asiática a servir como vice-presidente.

Ela e seu marido Doug Emhoff, o primeiro ‘segundo cavalheiro’ da América, foram acompanhados por Eugene Goodman, um policial negro do Capitólio que, durante o ataque dos apoiadores de Trump, conteve a multidão predominantemente branca.

Com a capital em alerta máximo por ameaças de atos violentos, a Suprema Corte, localizada em frente ao Capitólio, recebeu uma ameaça de bomba pela manhã, mas após buscas o prédio não foi evacuado.

– Apoiadores dão boas-vindas a Trump –

Trump chegou ao seu clube de golfe Mar-a-Lago, na Flórida, pouco antes do início da solenidade de investidura de Biden.

Centenas de partidários do ex-presidente percorreram as ruas até a sua futura residência agitando bandeiras de sua campanha eleitoral e dos Estados Unidos. Uma delas continham insultos a Biden, de acordo com um jornalista da AFP.

“Bem-vindo ao lar”, disse um dos apoiadores.

“Trump 2024”, disse outro.

“Nós te amamos”, gritou o grupo.

Havia também alguns cartazes pró-Biden. Um dirigido a Trump dizia: “Você está despedido, perdedor”.

Mais cedo, ao se despedir na Base Conjunta Andrews, nos arredores de Washington, com 21 disparos e a música “Hail to the boss”, Trump disse que foram “quatro anos incríveis”.

“Conquistamos muito juntos”, disse ele. “Voltaremos de alguma forma”, disse ele.

Trump, de 74 anos, deu a entender que concorrerá novamente à presidência em 2024. Mas seu impeachment no Senado, ainda sem data definida, pode desqualificá-lo para o cargo no futuro.

Um porta-voz da Casa Branca disse que Trump, seguindo a tradição, deixou uma carta para Biden no Salão Oval.

Antes de decolar no Air Force One com “My Way” de Frank Sinatra tocando nos alto-falantes, Trump não se dirigiu a Biden pelo nome, mas desejou ao próximo governo “boa sorte e grande sucesso”.

O magnata do mercado imobiliário, que se recusou a aceitar sua derrota por mais de dois meses, alegando sem provas que sua reeleição havia sido roubada, nunca parabenizou Biden pela vitória.

– 17 decretos –

Joseph Robinette Biden Jr., filho de uma família católica irlandesa de classe média, assume o cargo com o objetivo de unir um país dividido em meio a uma crise econômica e de saúde sem precedentes.

O veterano político planeja iniciar seu mandato com 17 decretos para reverter as políticas que marcaram a gestão de seu antecessor, incluindo o retorno ao Acordo de Paris sobre o clima e da Organização Mundial da Saúde (OMS) e vai estabelecer novas diretrizes sobre imigração, meio ambiente, a covid-19 e economia, segundo seus colaboradores.

Também deve reverter a contestada proibição de Trump a visitantes de vários países de maioria muçulmana, além de paralisar a construção ordenada por Trump e um muro na fronteira com o México para conter a imigração ilegal.

Um marco nessa virada de página nos Estados Unidos é que o principal imunologista do país, Anthony Fauci, participará de uma reunião do Conselho Executivo da OMS na quinta-feira.

Para limitar a propagação do vírus, Biden vai assinar um decreto para tornar obrigatório o uso de máscaras em edifícios federais e para funcionários do governo central.

– Dezenas de indultos –

Na madrugada de 20 de janeiro, horas antes de deixar a presidência, Trump concedeu perdão a 73 pessoas e comutou as sentenças de outras 70 pessoas.

Entre os perdoados está seu ex-conselheiro Stephen Bannon, acusado em agosto de 2020 de enganar cidadãos que doaram dinheiro para construir o muro na fronteira com o México.

Trump também encerrou no último minuto a proibição de funcionários de seu governo atuarem como lobistas, uma ordem que ele emitiu com alarde no início de sua presidência, quando prometeu “drenar o pântano” de Washington.

No entanto, nem Trump nem seus familiares receberam indultos, em meio a especulações de que ele poderia usar a tática legalmente duvidosa de um perdão preventivo para se defender de futuras acusações.

Em um movimento há muito esperado pelos venezuelanos nos Estados Unidos, Trump também decidiu, no último minuto, adiar por 18 meses a deportação dos afetados pelo “agravamento da situação” causada pelo “governo autocrático” de Nicolás Maduro.

Ele fez isso depois que Biden traçou as linhas do que será uma ambiciosa reforma da imigração que precisa do endosso do Congresso.

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