Dinheiro em foco

Bernardo Fabiani, CEO da TerraMagna

Crédito: Alan Teixeira

Quem é e o que faz: Engenheiro pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Tenente da Força Aérea Brasileira. Fundador e CEO da Terra Magna. (Crédito: Alan Teixeira)

Por que lançar um Fundo de Investimentos em Direito Creditório para o agronegócio?
O FIDC Agro SGT oferece ao agronegócio o insumo mais importante, que é o crédito. O fundo captou R$ 48 milhões para o custeio de soja. A ideia é que os distribuidores de insumos possam antecipar o recebimento dos recursos por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs), que são emitidas pelos produtores rurais nas operações de troca de insumos pela produção agrícola.

O produtor não recebe dinheiro diretamente?
Não. Fornecemos o insumo e não o dinheiro, para evitar desvios. Assim, os distribuidores conseguem dinheiro no ato, sem os riscos das operações de troca de produtos. Assim, eles vendem mais e obtêm descontos na compra de insumos.

Qual é expectativa de rentabilidade do fundo?
A expectativa é de que os investidores que aplicaram no FDIC Agro SGT fundo consigam uma taxa de aproximadamente 11% ao ano.

Como o modelo busca reduzir os riscos?
Usamos fontes de dados alternativas e toda a tecnologia disponível hoje para transformar um processo arriscado e volátil em uma experiência simples e segura. Garantimos a operação com a produção. Mas não olhamos apenas os dados oficiais do produtor. Também avaliamos a capacidade que ele tem de produzir na área em que dispõe. Para isso, usamos imagens de satélite e avaliamos o fluxo de caixa, para saber se o produtor tem capacidade financeira para realizar o que pretende.

Por que tantos cuidados?
A ideia é deixar tudo bem amarrado porque, historicamente, o setor agrícola tem uma percepção maior de risco. Muitas vezes é difícil conceder crédito para o segmento porque o agro tem fama de mau pagador.

Quais as expectativas?
No ano passado, a TerraMagna movimentou mais de R$ 53 milhões com o serviço de antecipação. Para 2021 a expectativa é chegar aos R$ 500 milhões. Só neste primeiro semestre devemos chegar a R$ 200 milhões.

Quais os riscos?
O pagamento do auxílio emergencial gerou dúvidas sobre se haverá recursos para o Plano Safra. O setor não sabe se os recursos para o crédito serão maiores ou menores, mas eu acho que deve faltar crédito. E a taxa de juros de longo prazo é outra incógnita, podendo ficar muito alto para o produtor. Vamos acompanhar e ver como podemos atuar neste cenário.

FUGA DOS JUROS

Entre março de 2015 e março de 2021, o patrimônio dos fundos de ações cresceu 430%, de R$ 100,8 bilhões para R$ 433,8 bilhões. Isso representa crescimento anual de 27,5%, incluindo a entrada de novos recursos e a valorização das carteiras. Nesse período, devido à queda dos juros, os gestores fugiram da renda fixa. Um levantamento da empresa de informações financeiras Economatica mostra que, durante a crise de 2016, 16% do patrimônio dos fundos de ações estava na renda fixa. Neste ano, essa fatia havia encolhido para 5,7%.

EM ALTA 2,22% 

foi a taxa da inflação registrada pelo Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) no mês de abril, ficando acima da apurada em março, de 2,17%. Com isso, a inflação acumulada do ano é de 10,38% Em 12 meses, a taxa está em 33,46%, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). A alta de abril foi puxada pelos preços no atacado. O Índice de Preços ao Produtor Amplo subiu para 2,90% em abril ante 2,59% em março. Já as taxas de inflação do Índice de Preços ao Consumidor, que mede o varejo, e o Índice Nacional de Custos da Construção caíram.

EM BAIXA 0,96% 

foi a queda registrada na cotação do dólar na sexta-feira (7), fechando a R$ 5,2270, a menor cotação desde 16 de janeiro. Os prognósticos do mercado são de menos pressão de alta sobre o câmbio. Segundo a edição mais recente do Relatório Focus, do Banco Central (BC), o mercado reduziu suas expectativas para o dólar no fim do ano. A projeção mais recente é de uma cotação a R$ 5,35 em dezembro de 2021, ante os prognósticos anteriores de R$ 5,40. O dólar deve seguir instável devido às oscilações dos juros de longo prazo nos Estados Unidos.