Negócios

Bernardo Bonjean

Ele fez carreira e fortuna no setor financeiro investindo o dinheiro dos ricos, mas largou tudo para se dedicar ao mercado de baixa renda. Sua estratégia é se unir aos menos favorecidos oferecendo crédito a juros baixos e sem garantias

Bernardo Bonjean

Sentado em uma das baixas poltronas de ferro tubular que decoram a sala de reuniões da Avante, o empresário Bernardo Bonjean traça um esboço em um caderno de bolso. Alguns minutos antes, ele fora questionado pela reportagem da DINHEIRO sobre os motivos que o levaram a abandonar uma carreira proeminente no setor financeiro para se lançar no mundo do empreendedorismo social. Sem se importar com o silêncio, Bonjean desenha tranquilamente uma linha de pensamento – num comportamento que é a antítese dos modos imediatistas e hiperconectados da sociedade atual. O tempo e o dinheiro têm um significado diferente para esse empresário, ex-sócio da XP Investimentos, que hoje se dedica a emprestar dinheiro a pessoas de baixa renda.

2017: Bernardo Bonjean e Daniela Barone Soares (leia página ao lado) foram personagens da capa da DINHEIRO sobre o novo capitalismo

Foi após o nascimento de seu primeiro filho que Bonjean, com a independência financeira já conquistada, passou a questionar suas ações e a pensar no legado que deixaria para as futuras gerações. Nesse momento, ele chegou a uma conclusão que mudaria toda sua trajetória: o capitalismo, embora dominante, não é perfeito. “Essa sociedade baseada apenas no consumo não é viável”, diz. “Desde a faculdade, somos levados a acreditar que o papel da empresa é ganhar dinheiro. Mas não só é isso.” Na verdade, diz ele, há um propósito maior por trás de qualquer empreendimento: o de gerar valor para a sociedade. O lucro, ainda que fundamental, é um meio de se chegar ao verdadeiro objetivo da companhia, que é alcançar o seu propósito.

O propósito de Bonjean é dar as mesmas condições de oportunidade a todos os brasileiros. Para isso, ele criou a Avante, uma instituição financeira que atua apenas nas regiões periféricas, oferecendo microcrédito, entre R$ 1 mil e R$ 5 mil, para pessoas sem acesso ao sistema financeiro. “A ideia é que o pequeno comerciante tenha a mesma capacidade de um grande varejista”, diz o empresário. A garantia é a confiança mútua. A Avante atua com correspondentes que moram nas comunidades. Assim, gera uma relação mais próxima, que permite praticar taxas de juros entre 2,5% e 5% ao mês – em setembro, a taxa média praticada no mercado estava em 7,46%. A Avante já concedeu mais de R$ 100 milhões em créditos, impactando 30 mil empreendedores. É a nova onda do capitalismo consciente.


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