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Berlim e a vida dividida 30 anos após a Queda do Muro

Berlim e a vida dividida 30 anos após a Queda do Muro

(Outubro de 2019) Turistas tiram fotos ao longo de um segmento de 200 metros do muro de Berlim ao lado do museu Topografia do Terror, em Berlim - AFP

Dois zoológicos, duas torres de televisão, dois aeroportos, dois times de futebol: Berlim foi o cenário de duplicações das duas Alemanhas, algo que acontece ainda hoje, 30 anos depois da queda do muro.

“As duas partes se enfrentavam por meio de sua capacidade de reconstruir Berlim o melhor e o mais rápido possível”, disse em entrevista à AFP Hanno Hochmuth, pesquisador do Instituto de História Contemporânea de Potsdam.

– O maior zoológico contra o mais rico

Na ex-Berlim Oriental, no bairro residencial de Friedrichsfelde, continua existindo o maior zoológico da Europa, o Tierpark. Menos conhecido e mais rico do que o de Berlim Ocidental, o Zoologischer Garten, foi criado em 1955 para competir com seu vizinho imponente, fundado mais de um século antes, em 1844.

O zoológico tinha mais de 120 espécies diferentes, uma parte vinda dos blocos de países do leste da Europa. Desde a reunificação, os dois parques tentam cooperar da forma mais próxima possível.

– Duas torres de televisão

Paris tem a Torre Eiffel, Berlim tem a Fernsehturm. A torre domina Alexanderplatz, na ex-Berlim Oriental, e se transformou em ponto turístico da capital desde sua construção em 1969.

Mas sua arquitetura foi durante muito tempo um instrumento de propaganda. “O bloco soviético tentava mostrar de todas as formas seus grandes avanços. Não é à toa que a forma da Fernsehturm parece a de um satélite, o Sputnik”, primeira nave espacial soviética, diz Hochmuth.

A antena, que alcança os 368 metros, emite ondas de rádio, diferentemente de sua irmã menor, a “Berliner Funkturm”, a oeste do bairro de Westend.

Assim como a Fernsehturm, a “pequena” torre de aço de 150 metros de altura tem hoje um restaurante.

– Três óperas para uma única cidade

Três óperas convivem há mais de um século na capital alemã. As tarefas de renovação da Deutsche Oper, parte destruída durante a Segunda Guerra Mundial, terminaram em 1961, seis semanas depois da inauguração do muro. É a única ópera do lado ocidental e se transformou em um dos pontos culturais mais importantes da ex-República Federal Alemã (RFA).

Convive com duas óperas na ex-Berlim Oriental, a Staatsoper, na famosa avenida Unter den Linden, dirigida por Daniel Barenboim, e a Ópera Cômica.

– Os aeroportos esperam sua hipotética reunificação

Os pontos estratégicos, entre eles os aeroportos, ficaram em ruínas no final da Segunda Guerra Mundial.

O aeroporto de Schönefeld, em Berlim Oriental, conseguiu unir algumas de suas pistas com um aeródromo.

No lado Ocidental, por conta do bloqueio soviético, os aliados americanos e franceses, junto com operário alemães, viram-se obrigados a construir em 90 dias o novo aeroporto de Tegel, no noroeste da cidade. Assim, foi possível fazer a ponte aérea de abastecimento do lado ocidental de Berlim entre 1948 e 1949.

Tegel substituiu Tempelhof, transformado há pouco tempo em parque para a população.

Os dois aeroportos continuam em atividade à espera da abertura do aeroporto Willy-Brandt de Berlim-Brandemburgo, inicialmente previsto para 2012. A inauguração continua sendo adiada por problemas na construção e pelos custos.

– Clássico berlinense na Bundesliga

O dia 27 de maio de 2019 se transformou em uma data histórica para os berlinenses amantes do futebol. Pela primeira vez, o time Union Berlim, criado em 1966 no lado oriental, conseguiu subir para a Bundesliga, a primeira divisão do futebol alemão.

O clube branco e vermelho diz que defende, de seu pequeno estádio do leste de Berlim sem assentos, uma tradição operária de valores antifascistas.

Os clássicos contra o rival do lado ocidental, Hertha Berlim – fundado em 1892 e acostumado a jogar na Bundesliga em seu famoso Estádio Olímpico -, prometem grandes emoções.