Negócios

Benchimol corre sua maratona de campeão

Desde garoto, o atual CEO e fundador da XP Investimentos transforma seus desafios em realidade. Entre suas missões para o futuro próximo está levar educação financeira para 50 milhões de brasileiros

Crédito: Claudio Gatti

PERÍODO DE SILÊNCIO A XP Investimentos deverá abrir capital em Nova York em dezembro. “Não posso nem falar essa palavra (IPO) por causa da SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos)”, diz Benchimol sobre o assunto (Crédito: Claudio Gatti)

Em 24 de março de 1991, o então garoto Guilherme Benchimol, como milhões de brasileiros assistia ao GP do Brasil em Interlagos. Na pista, um herói nacional por quem ele sentia admiração. “O Ayrton Senna tinha a habilidade de transformar vitórias impossíveis em possíveis. Aquela corrida com o câmbio quebrado, só com a sexta marcha, saindo lá do final e ganhando de todo mundo para levantar a bandeira do Brasil. Naquele momento, se tinha orgulho de falar que era brasileiro. Aquilo me fez acreditar, se o Senna consegue ganhar na chuva com o câmbio quebrado, é porque dá para fazer”, diz Benchimol, hoje com 43 anos, CEO e fundador da XP Investimentos, uma das maiores gestoras de ativos do País.

Ele próprio é um corredor e gosta de longas distâncias, de 80 a 120 quilômetros, em ultramaratonas. “Recebi agora o convite para a Maratona de Berlim no próximo ano, vou participar, mas 42 quilômetros é treino”, afirma. Ele conta que aos 11 anos de idade se colocava desafios no esporte. “Participei de um torneio com garotos de 13 e 14 anos. Se não tem um desafio, não estou vivo, eu não me sinto com alguma coisa que tenha que superar e me preparar, sem isso, tenho a impressão que a vida perde a graça”, diz. “Eu sempre trouxe isso para a vida profissional e fazendo as pessoas acreditarem. Nossa história era impossível. Eu era um jovem de 24 anos que havia sido demitido. Aluguei uma salinha em Porto Alegre, sem dinheiro de ninguém. Comecei com R$ 10 mil, vendi o carro usado. Qual a probabilidade de comprar a corretora em 2007, ter um fundo inglês só em 2010, e logo, um fundo americano e o Itaú? Matematicamente era improvável”, afirma.

Além do herói Senna, Benchimol diz que sua principal referência é o pai, de 73 anos, médico cardiologista, que trabalha até hoje. “Ele fala: “Guilherme você trabalha muito’. E eu falo: ‘Pai você trabalha mais do que eu’. Aprendi com ele”, diz. Já o ídolo do meio empresarial é Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital. “Quando a gente pensa que o Lemann conseguiu montar a quantidade de empresas que ele foi comprando e o modelo de gestão que foi implantando em cada companhia que assumiu, Brahma e Antártica para AmBev, que depois virou InBev são coisas espetaculares. Não tem nenhum empreendedor que não o tenha como referência no mundo”, afirma.

“A sensação que eu tenho é que por mais eu tenha feito
muita coisa até hoje, nós só estamos começando. Isso
não é um trabalho, isso é um projeto de vida, não só
meu, mas dos meus sócios também”

Sobre os projetos para o longo prazo, ele aponta que pretende levar educação financeira para 50 milhões de brasileiros. A XP começou vendendo cursos para quem desejava investir no mercado e atualmente possui mais de 1,5 milhão de clientes ativos. “O propósito da empresa é transformar o mercado financeiro para melhorar a vida das pessoas. A educação gera mais qualidade de vida, na medida em que cuidarem melhor do seu dinheiro, as pessoas ficarão melhores, e o País fica mais forte”, diz.

Quanto aos desafios para a XP, Benchimol diz que seu trabalho está apenas no começo. “Porque não sonhar que um dia que a gente possa estar entre os maiores do mercado financeiro brasileiro? A sensação que eu tenho é que por mais eu tenha feito muita coisa até hoje, nós só estamos começando. Isso não é um trabalho, isso é um projeto de vida, não só meu, mas dos meus sócios também”, afirma. “Com o crescimento e amadurecimento naturalmente vão surgindo outras oportunidades. A motivação segue mais alta do nunca. É fazer mais e melhor”, diz.

Ele se lembrou da importância dos agentes autônomos no início do negócio. “Quando a gente comprou a corretora, decidimos cuidar bem dos agentes autônomos. Na linha de montagem, nós fomos criando um ambiente que pudesse abrigar esse profissional, que se sentisse em casa. Depois de um tempo eles perceberam que estar com a XP, dá mais certo. E hoje temos oito mil agentes autônomos”, diz.