16/12/2021 - 13:40
O Banco Central Europeu (BCE) anunciou nesta quinta-feira (16) que vai flexibilizar seu apoio à economia, apesar da propagação da variante ômicron, enquanto se mantém preparado para responder ao aumento da inflação.
As compras de dívida líquida como parte de seu programa de compras de emergência contra a pandemia (PEPP), de 1,85 bilhão de euros (2,09 bilhões de dólares), se reduzirão ainda mais no primeiro trimestre de 2022 e expirarão no final de março, disse a instituição.
O programa, que foi lançado em 2020 para ajudar a economia e os mercados financeiros a se recuperarem do choque da covid-19, funciona atualmente a um ritmo mensal de cerca de 70 bilhões de euros (79 bilhões de dólares) de compras líquidas de dívida privada e pública.
Por outro lado, o BCE deixou aberta a possibilidade de prorrogar as compras líquidas ou reativar o programa se for necessário diante da “incerteza” sobre a evolução da pandemia.
Para não deixar os mercados sem liquidez de uma vez, o BCE também previsto uma dotação de compras adicionais depois de março.
Essa quantidade se somará ao antigo programa de recompra de títulos públicos e privados (chamado APP), que passará para 40 bilhões de euros (45 bilhões de dólares) mensais no segundo trimestre de 2022, depois para 30 bilhões no terceiro trimestre, para voltar a 20 bilhões de euros mensais a partir de então, seu ritmo atual.
“O progresso da recuperação econômica e o avanço para o objetivo da inflação a médio prazo permitem uma redução gradual do ritmo das compras de ativos”, afirmou o BCE em um comunicado, embora “a acomodação monetária ainda seja necessária”.
– Divisão de opiniões –
O BCE também reduziu, nesta quinta-feira, para 4,2% sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da eurozona em 2022, mas a elevou para 2,9% para 2023, em meio à onda de infecções de coronavírus e da escassez de componentes.
Os economistas da instituição monetária também preveem um crescimento de 5,1% para 2021, e de 1,6%, em 2024, disse a presidente do BCE, Christine Lagarde, em entrevista coletiva.
“A economia da zona do euro continua se recuperando apesar de uma desaceleração a curto prazo”, vinculada principalmente ao retorno das restrições em muitos países, segundo Lagarde.
Elevou suas previsões de inflação para 2021 e 2022, mas espera fique abaixo de 2%, seu objetivo a médio prazo, a partir de 2023.
O BCE prevê agora que os preços subam cerca de 2,6% em 2021 e 3,2% em 2022, antes de se estabilizar em 1,8% em 2023 e 2024, disse sua presidenta Christine Lagarde.
A questão da normalização da política monetária divide opiniões dentro da instituição: os “falcões” querem um rumo menos expansivo, enquanto os “pombos” defendem manter um apoio monetário substancial diante das incertezas renovadas, começando pelo possível impacto da variante ômicron.
Ao contrário dos Estados Unidos, o BCE não deu nenhuma indicação de que as taxas de juros vão subir em breve ou se manterão em seu nível mais baixo apesar da inflação (4,9% em um ano na zona do euro em novembro).
Os bancos continuarão cobrando uma taxa de -0,50% sobre uma parte dos depósitos que confiam ao banco central em vez de emprestá-los aos seus clientes.
