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Barbie Dia dos Mortos, entre a exaltação cultural e a exploração monetária

Crédito: AFP

Barbie edição Dia dos Mortos, em 20 de outubro de 2020 no Museu do Brinquedo Antigo, no México (Crédito: AFP)

Zoila Muntané, artista plástica, tem cerca de 2.000 Barbies. Sua coleção inclui edições exclusivas e, agora, uma nova versão cadavérica dedicada ao Dia dos Mortos, que alguns criticam por monetizar a maior tradição cultural do México.

Com vestido rosa e enfeites típicos das comemorações de 1º e 2 de novembro, a segunda edição do famoso brinquedo “comemora o México, sua festa, seus símbolos e sua gente”, afirma a fabricante Mattel.

É uma adaptação da “Catrina”, ou “Calavera Garbancera”, criada pelo cartunista José Guadalupe Posada em 1912.

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Sociólogos afirmam, contudo, que essa Barbie transformada em um esqueleto elegante, com características da famosa pintora mexicana Frida Kahlo, é apenas mais um caso de “apropriação cultural” para fins comerciais.

A Barbie Catrina “está relacionada a fluxos migratórios que agora são muito mais marcantes”, disse à AFP Librada Moreno, socióloga e acadêmica da Universidade Nacional Autônoma do México.

Essa boneca é “fruto de uma hibridização cultural, entre o que existe do outro lado da fronteira (nos Estados Unidos) e o que está aqui”, completa.

Os críticos da “apropriação cultural” alertam para o risco de distorção de tradições, símbolos e outros elementos transformados. Um ponto de vista que pode se chocar com a liberdade criativa.

Moreno lembra que, nos Estados Unidos, onde vivem 36 milhões de mexicanos, ou seus descendentes, cada vez mais se incorporam as tradições do vizinho latino-americano.

A Barbie do Dia dos Mortos, que custa em torno de 72 dólares, usa neste ano um vestido de renda rosa, e seu rosto pálido é detalhado em cores brilhantes. Em 2019, ela se vestiu de preto.

Seu criador, o mexicano-americano Javier Meabe, diz que buscou “criar mais consciência sobre a festa” que, segundo as lendas indígenas, marca o retorno do morto ao mundo dos vivos para ser homenageado com oferendas em casas e túmulos.

Considerado o festival mais representativo do México, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) declarou o Dia dos Mortos Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, em 2003.

– Sucesso da Disney –

Para o sociólogo Roberto Álvarez, essa celebração “deveria ser um tema solene”, mas se tornou um evento comercial nos Estados Unidos desde o grande sucesso do filme da Disney Pixar “Viva: a vida é uma festa” (2017) e, anteriormente, com “007 contra Spectre” (2015), da saga James Bond.

A Barbie Dia dos Mortos é a quarta edição desta boneca inspirada no México, depois da Catrina, de 2019, e das dedicadas à jogadora de golfe Lorena Ochoa e a Frida Kahlo.

A boneca da pintora não pôde ser vendida no México, porque a família de Kahlo considerou que a imagem da boneca não correspondia à da artista.

Desde seu lançamento em 1959, Barbie vendeu mais de 1 bilhão de cópias de seus muitos estilos e profissões.

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