Finanças

Banqueira plugada

Juliana Pentagna Guimarães, diretora do banco BS2, usa seus talentos em comunicação para promover uma revolução no negócio

Banqueira plugada

Juliana Guimarães, diretora-executiva: "BS2 deixou de ser um banco de crédito e concentrou seu foco na prestação de serviços"

A mineira Juliana Pentagna Guimarães, uma das três diretoras executivas do banco BS2, antigo banco Bonsucesso, gosta de um dedo de prosa. Seu talento para a comunicação quase a fez estudar publicidade, no fim dos anos 1990. No entanto, ela enveredou pelo mercado financeiro. Cursou administração de empresas e fez uma pós-graduação em finanças. Hoje, aos 41 anos, é responsável pela implantação da estratégia digital da instituição fundada por seu pai, Paulo Henrique Pentagna Guimarães. Ao lado dos irmãos Renata e Rodrigo, que também dão expediente no banco, Juliana é a condutora da transição da companhia para o mundo virtual.

A transformação começou em 2015, quando o banco, fundado em Belo Horizonte, em 1992, associou-se ao Santander. Os espanhóis compraram, por R$ 460 milhões, a carteira de R$ 2,4 bilhões em empréstimos consignados para formar uma joint-venture, a Olé Consignados. No fim de junho, a sociedade da qual os mineiros possuem 40% contabilizava R$ 12,4 bilhões em financiamentos concedidos. Dois anos depois, o banco iniciou uma nova fase. Mudou seu nome para BS2 e apostou pesado na distribuição de produtos por meios digitais. “Deixamos de ser um banco de crédito e concentramos nosso foco na prestação de serviços”, diz Juliana, que começou a trabalhar por lá aos 22 anos, como gerente de captação. Antes disso, ela foi estagiária no Crédit Commerciel de France (CCF) e teve uma rápida passagem pela área de investimentos do BBA, antes da compra pelo Itaú, em 2002. “Temos uma regra na família: quem quiser assumir um cargo no negócio tem de ter experiência em outras instituições”, diz.

Os quase vinte anos que passou entre a sede belo-horizontina e o escritório paulistano não apenas lhe ensinaram as minúcias do negócio, mas também lhe mostraram novas maneiras de crescer. Juliana reconhece que as planilhas não são suas preferidas. “Não sou apaixonada por finanças, e sim por pessoas”, diz ela. Mas isso lhe garante a certeza de que o futuro passa pelo distanciamento do mundo analógico. O otimismo com os meios digitais é elevado. No fim de outubro, o BS2 patrocinou um seminário sobre open banking. Mais recente tendência nas finanças globais, o open banking baseia-se no compartilhamento voluntário de dados dos clientes entre instituições financeiras. Dito assim parece algo corriqueiro. No entanto, essa novidade rompe um dos mais rígidos dogmas do setor e, em teoria, permite que bancos menores reduzam as desvantagens competitivas que os separam dos gigantes.

Para mergulhar nessa área, o BS2 lançou, no início deste ano, uma plataforma digital que oferece conta corrente e cartão virtual e, em breve, vai distribuir investimentos. A ideia é ofertar produtos do próprio banco e de terceiros, em um modelo parecido com o da XP Investimentos. “A meta é estender os serviços também às empresas no ano que vem”, diz Juliana. Para se diferenciar dos concorrentes, um recurso é facilitar a vida do pequeno e médio empresário, ao permitir que o sistema se adapte às necessidades de cada cliente. Por exemplo, uma imobiliária pode acoplar o seu sistema ao do banco e emitir boletos aos locatários sem intermediários. O público-alvo são marketplaces, desenvolvedoras de softwares de gestão e administradoras de condomínio. “Já temos duas parcerias fechadas”, diz Juliana, que, mineiramente, desconversa sobre os nomes.

Em 2016, os Guimarães costuraram outra joint-venture, a processadora de pagamentos Adiq, em parceria com a empresa holandesa Adyen, responsável pelas transações de gigantes globais, como Uber e KLM. A criação da subsidiária colocou o banco no mercado de cartões, que deve movimentar R$ 1,5 trilhão neste ano, avanço de 15,5% ante 2017. “Queremos terminar o ano processando R$ 20 bilhões em pagamentos. É um negócio cada vez mais relevante”, declara a executiva mineira. Na avaliação do consultor independente Leonardo Montenegro, sócio da consultoria 4ward, a Adiq permite a aproximação do banco com os clientes, o que deve facilitar a oferta dos novos produtos também às varejistas. “A entrada dos bancos em transações de cartões, além de ser uma fonte garantida de receita, é um ponto de contato com o pequeno empresário, o que abre espaço para estreitar o relacionamento”, afirma Montenegro.

A concorrência promete ser acirrada. Capitaneada pelo conterrâneo Banco Inter, a incursão das instituições financeiras de médio porte, como ABC e Daycoval, no meio virtual é uma tendência irreversível. Para sustentar as demandas tecnológicas do digital, Juliana liderou a criação do recém-inaugurado núcleo de inovação tecnológica, que tem a comunicação com uma das principais frentes. “Precisamos falar com as pessoas de forma simples sobre finanças e investimento”, diz. Observando o casal de filhos, de 3 e 9 anos, ela se inspirou a ensinar educação financeira às crianças e deve trabalhar o projeto no ano que vem. “Metade do nosso negócio é estratégia. A outra metade é a habilidade de incentivar as pessoas”, destaca.