Economia

Banco Central mantém Selic a 6,5%, contrariando expectativas

Banco Central mantém Selic a 6,5%, contrariando expectativas

Presidente do Banco Central de Brasil, Ilan Goldfajn, em Brasília, em 10 de janeiro de 2018 - AFP/Arquivos

O Banco Central (BC) manteve nesta quarta-feira sua taxa básica de juros, a Selic, em 6,5%, contrariando as expectativas da maioria dos analistas para o 13º corte consecutivo – que daria força à atividade econômica desanimada em um contexto de baixa inflação.

A decisão foi adotada por unanimidade dos nove membros do Comitê de Política Monetária (Copom), que alegaram um contexto externo de “volatilidade”, indicou o BC em comunicado.

Também pesou na decisão “uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira”, que pode “elevar a trajetória da inflação”.

“Esse risco se intensifica no caso de continuidade da reversão do cenário externo para economias emergentes”, afirmou o Copom, referindo-se ao possível aumento dos juros nos Estados Unidos, que atrairia investidores para ativos considerados mais seguros.

O Copom indicou assim que considera “adequada a manutenção da taxa de juros no patamar corrente” durante as próximas reuniões.

A maioria dos analistas previa um corte de 0,25 ponto na Selic, a 6,25%, encerrando um ciclo de reduções que a levou de 14,25% em outubro de 2016 ao seu mínimo histórico atual.

Essa previsão se baseava no baixo índice inflacionário e na dificuldade da economia de decolar, após dois anos de recessão.

No acumulado de 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) somou 2,76% – abaixo do piso da meta atual do BC, cujo centro é de 4,5%.

O PIB brasileiro cresceu 1% em 2017, após dois anos de recessão. O governo prevê uma expansão de 3% neste ano, mas as expectativas do mercado caíram desde o início de março, de 2,90% para 2,51%, segundo a pesquisa Focus realizada semanalmente pelo BC.

O desemprego voltou a aumentar nos últimos três meses, chegando a 13,1% no fim de março.

Mas, nas últimas semanas, as incertezas com o potencial inflacionário aumentaram, incluindo o possível aumento dos juros nos Estados Unidos, a desvalorização do real e o aumento do preço do petróleo.

O dólar foi negociado em torno de 3,70 reais nesta quarta-feira, seu maior nível em dois anos.

– Críticas sindicais e patronais –

A Força Sindical criticou a decisão. O Copom, afirmou em nota, continua “a favorecer banqueiros e especuladores, que preferem aplicar no mercado financeiro em detrimento da produção. O resultado dessa política é a estagnação econômica. Ressaltamos que mais de 13 milhões de trabalhadores brasileiros continuam desempregados”.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também lamentou a manutenção dos juros, que “desestimulam os investimentos das empresas e o consumo das famílias, comprometendo a recuperação da economia”.

A próxima reunião do Copom está marcada para 19 e 20 de junho.