Economia

Banco Central eleva Selic a 11,75%, seu maior nível desde abril de 2017

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Seguranças na porta do Banco Central do Brasil em São Paulo (Crédito: AFP/Arquivos)



O Banco Central do Brasil elevou nesta quarta-feira (16) sua taxa básica de juros em um ponto percentual para 11,75%, um máximo em quase cinco anos, em uma tentativa de frear a inflação, que “seguiu surpreendendo” em meio a pressões exacerbadas pela guerra na Ucrânia.

O aumento da taxa Selic, anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e conforme as expectativas do mercado, é a nona consecutiva em um ano, e marca uma desaceleração no ritmo de aumentos em relação aos movimentos anteriores.

O Copom considera que “é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista”, informou, em nota, ao encerrar sua reunião periódica.

A taxa básica de juros é agora a mais alta desde abril de 2017, quando estava em 12,25%.



Em seu cenário, as autoridades ponderaram a inflação ao consumidor, que “seguiu surpreendendo negativamente”.

Sem dar sinais de recuo, a inflação situou-se em 10,54% em 12 meses em fevereiro. E as previsões para 2022 foram revistas para cima a 6,45%, particularmente após os aumentos do petróleo e dos alimentos a partir do conflito entre Rússia e Ucrânia, iniciado em 24 de fevereiro.

O Copom apontou que “o ambiente se deteriorou substancialmente” no exterior como consequência da guerra. Em particular, destacou que “o choque de oferta derivado do conflito tem o potencial de exacerbar as pressões inflacionárias que já vinham se acumulando tanto em economias emergentes quanto avançadas”.


– Ritmo menor –

A alta está em sintonia com o consenso de economistas e instituições financeiras consultados pelo jornal Valor Econômico, que apostavam em que as autoridades se manteriam coerentes com suas previsões de fevereiro, quando anteciparam uma redução no ritmo de ajuste monetário, e uma postura cautelosa devido à guerra na Ucrânia.

Assim, o movimento anunciado nesta quarta-feira confirma o viés ascendente da Selic, mas não mais com aumentos de 1,5 ponto percentual, como o Copom adotou nas últimas três ocasiões.

O Comitê informou “que o momento exige serenidade para a avaliação da extensão e da duração dos choques atuais” e antecipou “outro ajuste da mesma magnitude” do decidido nesta quarta para a próxima reunião, em 3 e 4 de maio.

Mirella Hirakawa, economista da AZ Quest, destacou em sua análise que o Banco Central traçou excepcionalmente dois cenários, adicionando um alternativo que abranda o impacto da alta do petróleo, disparada pelo conflito armado.

Em qualquer caso, “o plano do voo do Banco Central é um ajuste da mesma magnitude, mas já sinalizando que seria o final do ciclo, terminando com a taxa de juros em 12,75%”, avaliou.

Até agora, o Brasil tem se beneficiado de um lado das taxas de juros altas, que atraem capital estrangeiro em busca de maiores retornos em mercados emergentes.

Mas, de outro, a Selic de dois dígitos esfriou a economia e os prognósticos de crescimento para este ano foram reduzidos a 0,49%, segundo o último boletim Focus do Banco Central, após uma expansão de 4,6% em 2021.