Economia

Banco Central chinês reduz taxa de juros de empréstimos para bancos

Banco Central chinês reduz taxa de juros de empréstimos para bancos

Uma nota de 100 iuanes, em uma imagem tirada em Pequim em 25 de agosto de 2015 - AFP/Arquivos


O Banco Central da China (PBOC) reduziu nesta segunda-feira (17) a taxa de juros para os empréstimos de um ano aos estabelecimentos financeiros, com o objetivo de estimular a recuperação da economia, paralisada pela epidemia do novo coronavírus.

A medida permitirá reduzir o custo de financiamento dos bancos comerciais e estimular as instituições a aumentarem os empréstimos às empresas.

O PBOC propôs nesta segunda-feira 200 bilhões de iuanes (28,6 bilhões de dólares) a um ano, com uma taxa de 3,15%, a menor desde 2017, contra 3,25% anteriormente.

A meta é “garantir uma liquidez abundante e razoável no sistema financeiro”, explica um comunicado do Banco Central.

“É mais uma medida para ajudar os bancos e agências financeiras a lidarem com as perturbações econômicas geradas pela epidemia”, considerou Julian Evans-Pritchard, da consultoria Capital Economics.

Há duas semanas, o Banco Central já havia reduzido as taxas de juros para empréstimos de curto prazo (sete a 14 dias) para estabelecimentos financeiros, além de ter injetado 1,2 trilhão de iuanes (cerca de US$ 173 bilhões).

A economia chinesa está em grande parte paralisada pelas medidas de quarentena e por drásticas restrições de movimento adotadas pelo governo para controlar a epidemia de COVID-19.

Várias pequenas empresas ficaram sem abastecimento, sem trabalhadores e sem clientes e têm dificuldade em relançar a produção, enfrentando, assim, problemas de caixa.

No sábado, a CBRC, a comissão que regulamenta o setor bancário, solicitou aos bancos comerciais que aumentem o crédito às empresas a taxas de juros razoáveis.

A CBRC alertou que as empresas não devem se endividar “cegamente” e pediu aos bancos que adiem as datas de pagamento, ou reduzam as taxas de juros.

No sábado, o Banco Central disse que vai tolerar um percentual ligeiramente mais alto de “dívidas duvidosas”.

Nesta segunda, as bolsas responderam positivamente ao anúncio do Banco Central. A de Xangai fechou em alta de 2%, e a de Shenzhen, em mais de 3%.

A corretora Wanlong Securities considerou que o Banco Central adotou uma “baixa de taxa de juros disfarçada”.

Essas medidas podem ser insuficientes, porém, estimou Evans-Pritchard, antecipando novos anúncios.

De acordo com um painel de analistas consultados pela agência Bloomberg, o Banco Central poderá reduzir em breve outra taxa importante, na quinta-feira, a “loan prime rate”, referência da taxa mais baixa que os bancos podem oferecer a empresas e famílias.