Finanças

Bancando a boleia

Paccar Financial, braço financeiro da montadora DAF, chega ao País para financiar compra de caminhões

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João Petry: rating de crédito vai permitir o acesso ao mercado de capitais (Crédito: Divulgação)

Além de óleo diesel, o crédito é fundamental para manter a frota brasileira de caminhões rodando. Em 2018 foram vendidos 105 mil caminhões novos. E 76% dessas vendas (80 mil veículos) dependeram de algum tipo de financiamento. Os bancos das montadoras foram responsáveis por azeitar 36 mil dessas transações. De olho nesse mercado, o grupo americano Paccar, que controla a montadora holandesa DAF, anunciou na terça-feira 18 o início das atividades de seu braço financeiro no País.

Com US$ 14,4 bilhões em ativos e presença em 25 países, incluindo o Brasil, a Paccar Financial é grande. Sua meta é financiar a venda de 20% dos cinco mil caminhões novos que a montadora pretende vender em 2019, um crescimento de 117% em relação aos 2.300 vendidos no ano passado. Em 2020, o objetivo é aumentar o percentual dos financiamentos para 30% das vendas. “Viemos para ficar, e vamos seguir investindo no País”, diz o mexicano Carlos Ayala, presidente da DAF no Brasil. Para driblar a economia em marcha lenta, a companhia concentra esforços no agronegócio.

A montadora conta também com uma ajudinha da concorrência pois deve ser beneficiada pela decisão da Ford de interromper as atividades da fábrica de caminhões em São Bernardo do Campo. Está nos planos da DAF a incorporação de algumas concessionárias da montadora americana. A marca tem hoje 23 lojas no país e o objetivo é aumentar para 50 nos próximos cinco anos.

INVESTIMENTOS A Paccar Financial investiu R$ 100 milhões para abrir sua unidade brasileira. Desse total, 30% foram destinados a estruturar a operação, com contratação de sistemas e pessoal. Os 70% restantes serão utilizados para os financiamentos. A princípio, a financeira vai se valer de recursos próprios e da matriz para sustentar os financiamentos. A meta é que, até 2023, 30% do funding venha de captações no mercado de capitais. “Temos um rating de crédito A+ pela S&P, o que nos permite acessar o mercado de capitais para captar dinheiro em condições mais atrativas do que nos bancos”, diz João Petry diretor geral da Paccar Financial. A demora para acessar o bolso dos investidores é estratégica. Os executivos querem primeiro tornar a marca mais conhecida localmente para mais à frente facilitar e possivelmente baratear as transações.

A taxa de inadimplência global da Paccar Financial superior aos 30 dias é de 0,5%. No Brasil, o diretor geral prevê uma taxa um pouco maior, oscilando entre 2% e 3%. Com quase 200 mil caminhões produzidos no mundo em 2018, a empresa é a sétima maior fabricante global, com uma receita líquida de US$ 23,5 bilhões no ano passado. Em 2013, o grupo inaugurou uma fábrica em Ponta Grossa, no Paraná.