Edição nº 1057 16.02 Ver ediçõs anteriores

A autocrítica do Pão de Açúcar

A autocrítica do Pão de Açúcar

O varejo de alimentação tem passado por uma profunda transformação, com a mudança de perfil dos consumidores e as redes se adaptando a essa nova realidade. O Grupo Pão de Açúcar que o diga. O grupo, controlado pelo francês Casino e comandado no Brasil pelo executivo Ronaldo Iabrudi, cresceu, mas, para isso, mudou sua forma de operar. “Posso dizer que 2016 foi um ano de revisitar nossos fundamentos básicos. Trabalhamos para adequar nossos negócios à realidade do mercado”, diz Iabrudi. Segundo resultados divulgados em janeiro, em 2016, a operação de alimentos, que inclui as redes Extra, Pão de Açúcar e Assaí, teve uma receita líquida de R$ 41,45 bilhões, 11,4% a mais do que em 2015. Iabrudi contou à coluna os principais desafios para manter a empresa saudável e as suas expectativas para 2017. Acompanhe:

O ano passado foi difícil para todos os setores da economia. Quais lições o Pão de Açúcar tirou dessa crise?
Posso dizer que 2016 foi um ano de revisitar nossos fundamentos básicos. Trabalhamos para adequar nossos negócios à realidade do mercado. Para isso, elencamos três focos estratégicos prioritários na nossa operação, que nortearam todo o nosso trabalho no último ano, alinhados ao atual cenário extremamente desafiador e competitivo em que estamos e, principalmente, à necessidade do consumidor, cada vez mais seletivo, exigente e informado. Todas as ações realizadas tiveram como foco produtividade e eficiência, otimização de processos, simplificação da operação e inovação em várias atividades comerciais, para melhor atender o cliente.

Quais foram os focos?
O primeiro deles foi exatamente retornar aos fundamentos do varejo. A velha máxima “fazer o básico bem feito” nunca foi tão necessária e urgente. Desta forma, avaliamos sortimento e apresentação de produtos, reduzimos ruptura, trabalhamos na gestão de categorias e de promoções, avaliamos o nível de atendimento ao cliente, ou seja, o cotidiano do varejo ganhou um olhar ainda mais atento do time.

E em relação aos processos?
Buscamos, ao máximo, simplificar o funcionamento e a tomada de decisões da companhia. Criamos três unidades de negócio – Multivarejo (Pão de Açúcar, Extra e proximidade), Assaí e, por último, Via Varejo (off line e online) – buscando a máxima integração de processos com foco no cliente. Adotamos uma rígida disciplina transversal em custos, com investimentos e capital de giro para garantir nossa total aderência ao cenário desafiador do mercado.

E no mix das lojas, aconteceram mudanças?
No ano passado, realizamos uma análise estratégica do nosso portfólio de loja, que nos levou a repensar investimentos de maneira muito mais assertiva. Esta análise nos levou a focar na abertura de lojas em bandeiras de maior retorno (foram 13 Assaí, 14 lojas Minuto Pão de Açúcar, 2 Pão de Açúcar), no fechamento de unidades de baixo desempenho e no plano de conversões para formatos mais adequados ao seu entorno. Convertemos duas lojas da bandeira Extra Hiper em Assaí, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Resumidamente, trabalhamos neste ano que passou com o olhar para “dentro”, com os olhos dos clientes, reestruturando a companhia e os negócios para o momento da retomada da economia. Alguns dos números da nossa operação, como o crescimento de vendas no varejo alimentar e o desempenho excepcional do Assaí, mostram que estamos no caminho certo.

O senhor disse que está se preparando para uma retomada da economia. Já dá para perceber uma maior demanda do consumidor?
Acredito que ainda é cedo para falar em uma retomada da economia e do varejo brasileiro. Retomar patamares de nível de confiança do consumidor envolve uma série de medidas, como empregabilidade, renda e disponibilidade de crédito. Ainda não vimos nas nossas lojas o reflexo de indicadores noticiados recentemente e que sinalizam o início de um processo de retomada. Seguimos confiantes, mas muito cautelosos que nosso diagnóstico tem sido bem feito e que a estratégia traçada começa a dar frutos, nos deixando mais fortalecidos e preparados para o período de retomada.

(Nota publicada na Edição 1005 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Carlos Eduardo Valim)


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