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Aung San Suu Kyi, uma vida ligada ao destino turbulento de Mianmar

Aung San Suu Kyi, condenada nesta segunda-feira (6) a quatro anos de prisão, encarna o tumultuoso destino de Mianmar. Primeiro ícone da democracia, que se tornou pária da comunidade internacional após o drama dos muçulmanos rohingyas e agora novamente nas garras dos militares.



A ex-governante – que foi derrubada por um golpe de Estado em fevereiro, já havia passado 15 anos em liberdade vigiada durante as ditaduras militares anteriores.

Nos anos em que permaneceu confinada em sua residência, ela tinha que se limitar a falar para os seguidores que estavam posicionados do outro lado do muro de seu jardim.

Mas agora a situação é radicalmente diferente, pois os militares mantêm em sigilo o local de sua detenção e seus contatos com o exterior se limitam a breves reuniões com os advogados.

Muitos de seus colaboradores foram presos ou fugiram do país.

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Os generais estão decididos a silenciá-la e aj unta militar apresentou uma série de acusações, incluindo violação das lei de sigilos oficiais, corrupção e fraude eleitoral. Os processos podem resultar em décadas de prisão.

“Não acredito na esperança, acredito apenas no trabalho. Você trabalha duro para alcançar suas esperanças. A esperança por si só não nos leva a lugar algum”, declarou ela à AFP em agosto de 2015.

Poucos meses depois, seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (LND) venceu eleições históricas e Aung San Suu Kyi, relegada à dissidência durante quase 30 anos, assumiu o comando do Executivo.

Com a grande vitória nas eleições legislativas de novembro de 2020, Suu Kyi assegurou a continuidade no comando do país, mas os generais a impediram.

– Filha de herói da independência –

Sua vida começou com uma tragédia: o assassinato em 1947 de seu pai, herói da independência, quando ela tinha dois anos.

Suu Kyi passou a primeira parte da vida no exílio: primeiro na Índia e, depois, no Reino Unido, a ex-potência colonizadora.

No segundo país, ela teve uma vida de dona de casa modelo, casada com um professor universitário de Oxford, Michael Aris, especialista em Tibete, com quem teve dois filhos.

Em 1988, quando viajou a Mianmar para visitar a mãe, ela surpreendeu a todos ao anunciar que se envolveria no destino de seu país, em plena revolta contra a junta militar.

“Não podia, como filha do meu pai, permanecer indiferente a tudo que acontecia”, afirmou em seu primeiro discurso.

A repressão de 1988 matou quase 3.000 pessoas, mas estabeleceu o nascimento do ícone. Ela virou a esperança de um retorno à democracia para o povo birmanês, sufocado pela ditadura militar desde 1962.

A junta militar autorizou a formação da LND, mas ela foi colocada rapidamente em prisão domiciliar. Em seu confinamento, Suu Kyi acompanhou a vitória de seu partido nas eleições de 1990, mas a junta se recusou a reconhecer os resultados.

Em 1991, venceu o Prêmio Nobel da Paz, mas não pôde comparecer à cerimônia em Oslo. Ela teve de esperar mais de 20 anos para receber a premiação.

Alguns anos mais tarde, em 1999, o marido – que continuou morando no Reino Unido – morreu de câncer sem que ela tivesse direito a uma despedida.

Em 2010, Aung San Suu Kyi foi libertada, após 15 anos sob prisão domiciliar. Entrou para o Parlamento em 2012, após a dissolução da junta militar um ano antes.

– Ruptura com a comunidade internacional –

Sua figura internacional começou a desmoronar uma vez no poder. Alguns a criticaram por uma concepção autocrática de governo.

Além disso, ela teve que estabelecer um equilíbrio para conviver com os militares, que permaneceram à frente de ministérios importantes.

Em 2017, quase 750.000 muçulmanos da minoria rohingya fugiram dos abusos do governo e das milícias budistas para buscar refúgio em acampamentos de Bangladesh. Após a tragédia, Mianmar foi acusada de “genocídio” na Corte Internacional de Justiça (CIJ).

Suu Kyi não condenou os militares e compareceu pessoalmente ao tribunal para defender seu país. Ela negou “qualquer intenção genocida”.

A vitória de seu partido nas legislativas de 2020 provocou a ira dos militares, o que resultou no golpe de Estado de fevereiro.

Detida e condenada ao silêncio, a “mãe Suu” tem atualmente pouca influência em Mianmar, onde muitas pessoas renunciaram a um de seus princípios fundamentais, a política de não violência, e atualmente há ações de guerrilha contra a junta.

“O governo de Suu Kyi teve fracassos e gerou frustrações”, resume Sophie Boisseau, analista do Instituto Francês de Relações Internacionais. “Mas ela permitiu um sopro de ar que hoje dá ao povo a força de resistir”, completou.


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