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Ato pede realização de feira da reforma agrária em parque de São Paulo

Trabalhadores rurais participaram hoje (17), na capital paulista, de um ato em defesa da realização da 4ª edição da Feira Nacional da Reforma Agrária. Os produtores defendem a manutenção do evento no Parque da Água Branca, local em que a feira ocorreu em anos anteriores. O governo de São Paulo, no entanto, decidiu não liberar a realização da feira no espaço sob argumento de que nem todos os produtos comercializados são orgânicos. 

Os manifestantes saíram em caminhada da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em São Paulo, até o Parque da Água Branca. 

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) informou que os produtos oferecidos na feira são resultado do trabalho em assentamentos da reforma agrária de todo o país, que não produzem apenas orgânicos, mas também produtos provenientes da chamada transição agroecológica. Nesse período de transição, produtos químicos ainda são utilizados em algumas etapas da produção.

“Na hora que a gente faz a solicitação [para a realização da feira], a gente não discrimina que é só [produto] orgânico. Colocamos na solicitação que são produtos de origem da reforma agrária. Dentro da feira, temos produtos orgânicos, agroecológicos, produtos em transição agroecológica e aqueles que ainda não são orgânicos porque não têm o certificado”, disse o representante da Coordenação Nacional da Produção do MST Milton José Fornazieri.

O governador João Doria disse ontem (16), em entrevista coletiva, que as secretarias de Infraestrutura e Saneamento e de Agricultura apontaram irregularidades na feira. “Se regularizarem e fizerem dentro das normas sanitárias e dentro das normas estabelecidas e dos dispositivos legais, poderão fazer. Enquanto não atenderem, não farão.”

Secretarias

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado informou que “uma feira, para ser considerada orgânica, deve necessariamente comercializar somente produtos orgânicos” e que “as edições passadas da feira do MST não apresentavam a devida certificação”. 

Além disso, a secretaria disse que a feira atrai público muito maior que a capacidade do parque, de 5 mil pessoas. A previsão dos organizadores é que o evento reúna 30 mil pessoas por dia.

A Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do estado também destacou o limte do espaço. A solicitação, de acordo com o órgão, foi apreciada pelo conselho gestor, composto por oito membros do governo e oito da sociedade civil, que negou o pedido. De acordo com a secretaria, foram oferecidos outros parques estaduais, como o da Juventude e o Ecológico do Tietê, que são maiores, mas as sugestões não foram aceitas.

Produtores

Os organizadores alegam que nos três anos anteriores não houve problemas durante a feira em relação ao tamanho do público. “Nós entregamos o parque para a administração perfeitamente como a gente recebeu”, disse Delwek Matheus, que também participa da organização da feira.

Milton José Fornazieri acredita que é possível manter diálogo com o governo estadual para discutir possível limitação de expositores e diminuição de atividades que atrairiam mais público, com objetivo de manter a feira no Parque da Água Branca.

“Achamos que o governo Doria, como os outros governos anteriores, virá para o diálogo, [para] conversarmos e vamos construir uma saída melhor”, afirmou.

Transição agroecológica

Os participantes da feira produzem em diferentes modelos: agroecológico (consolidado), transição agroecológica e no sistema tradicional – que não usa técnicas da agroecologia, mas não utiliza agrotóxicos ou usa de forma residual. 

O produtor e organizador Delwek Matheus destaca produção de arroz agroecológico, que ocorre principalmente na Região Sul em mais de 5 mil hectares em assentamentos. Ele cita ainda que na edição do ano passado da feira foram oferecidas 500 toneladas de alimentos.

“Não é totalmente alimento orgânico certificado. Não é isso e nunca dissemos isso. Mas é um alimento saudável em relação ao alimento que existe no mercado”, argumenta.

Segundo ele, no caso dos não orgânicos, por exemplo, há menor uso dos agroquímicos e sementes transgênicas, além da redução de adubo sintético e de agrotóxico.