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Ativista pró-democracia Joshua Wong diz que o mundo deve apoiar Hong Kong

Ativista pró-democracia Joshua Wong diz que o mundo deve apoiar Hong Kong

Militante pró-democracia Joshua Wong em conversa com a imprensa em 29 de outubro de 2019, em Hong Kong - AFP/Arquivos

O mundo deve apoiar os cidadãos de Hong Kong, por solidariedade, depois que o governo chinês impôs uma nova lei sobre segurança nacional no território semiautônomo – afirmou o ativista pró-democracia Joshua Wong, nesta segunda-feira (6).

“Temos que fazer o mundo saber que agora é o momento para apoiar Hong Kong”, disse Wong, de 23 anos.

“Não se pode ignorar, ou silenciar, a voz do povo de Hong Kong. Com a convicção de que o povo de Hong Kong vai lutar por sua liberdade, nunca nos renderemos a Pequim”, completou.

Um dos principais nomes da oposição em Hong Kong e figura detestada pelo governo de Pequim, Wong falou do lado de fora do tribunal, onde é julgado com outros ativistas por seu envolvimento nas manifestações pró-democracia do ano passado.



A China promulgou na semana passada uma nova lei sobre segurança que reprime a subversão, a secessão e o conluio com forças estrangeiras.

Na ex-colônia britânica, a lei é considerada pelos opositores como uma forma de silenciar e criminalizar o movimento pró-democracia.

– Conspiração

Wong, que começou a fazer campanha pela democracia quando tinha apenas 12 anos de idade, é frequentemente considerado pela mídia estatal chinesa como aquele que conspira com as forças estrangeiras para minar a estabilidade do país.

Promulgada na terça-feira passada, a lei de segurança nacional é o padrão mais severo imposto a essa ex-colônia britânica, devolvida por Londres à China em 1997.

De acordo com o Reino Unido e com vários países ocidentais, a lei de segurança chinesa constitui uma violação da autonomia de Hong Kong, que retornou à soberania chinesa após um acordo de devolução que previa autonomia judiciária e legislativa para o território por um período de 50 anos.

Este regime, chamado “Um país, dois sistemas”, deve, portanto, ficar em vigor até 2047.

Os críticos da lei de segurança temem que, com ela, abra-se uma nova era de repressão política, pois textos similares são aplicados para perseguir dissidentes na China continental.

– Primeiro processado por lei –

Na mesma segunda-feira, em outro tribunal, foi realizada a audiência da primeira pessoa indiciada por crimes previstos na nova lei de segurança.

Tong Ying-kit, de 23 anos, foi acusado de terrorismo e de incitação à secessão. Teve sua prisão preventiva decretada.

Uma fonte da polícia havia especificado que o suspeito, que carregava uma bandeira pró-democracia, investiu sua moto contra um grupo de policiais, ferindo três deles.

O incidente ocorreu quando milhares de pessoas protestavam contra a lei de segurança na última quarta-feira, no mesmo dia do 23º aniversário do retorno de Hong Kong à China.

Segundo o governo de Pequim, a nova lei de segurança visa a restaurar a estabilidade – ameaçada por uma “minoria” – neste território, após meses de manifestações. Ainda conforme o governo chinês, a legislação não ameaça as liberdades políticas de Hong Kong.

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