AS MELHORES DA DINHEIRO 2021

Atenção à estrada e pés no acelerador

Com parecer do Cade a favor da fusão com a Unidas, Localiza segue sua retomada em ritmo acelerado, focada em inovação e eficiência. lucro líquido do primeiro semestre soma R$ 930 milhões.

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Com alta da demanda por locação de veículos, companhia focou nas soluções digitais e em novos serviços no último ano. (Crédito: Divulgação)

O mercado automotivo cobra direção atenta. E a pandemia da Covid-19 foi mais um trecho tortuoso desse percurso. A desordem da cadeia global, que já vinha em ritmo lento, derrubou a produção da indústria automotiva no Brasil em 32% no último ano, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com inflação galopante, taxas de juros e dólar altos, comprar carros novos por aqui está cada vez menos atraente. Essa desaceleração das montadoras abriu espaço para as locadoras de veículos. Uma brecha apenas para os que fincam os pés no acelerador. Caso da Localiza, cuja receita com a locação de veículos avançou 11% mesmo na fase mais crítica da crise, a ponto de a empresa ter conseguido manter o crescimento da operação em 2020 e ainda ter conduzido o negócio que (quase) parou o mercado: a sua fusão com a Unidas. “Apesar do cenário negativo, em menos de três meses iniciamos a retomada motivada pela percepção de maior segurança da mobilidade com carro”, disse Bruno Lasansky, CEO da Localiza.

O executivo tem a premissa de ter alavancado em 31% o faturamento do primeiro semestre e de ter triplicado o lucro líquido da companhia para R$ 930 milhões na comparação com o mesmo período do ano passado. Todos os resultados até agora apontam um caminho livre para a empresa — ou quase isso.

Vencedora da categoria locadoras de veículos em AS MELHORES DA DINHEIRO 2021, a empresa vive mais um marco da sua história . Líder de mercado, pegou o embalo do fim de ano para manter aceleração constante em 2021. Parte se deve a não perder o foco no lançamento de serviços, crucial diante das novas expectativas de consumo. Entre os motoristas da geração Z, recém-introduzidos ao mercado, 56% não veem valor em possuir um veículo, segundo pesquisa da consultoria Allison+Partners. Somado à base inflacionária e ao desabastecimento da cadeia, vender carros se tornou uma missão cada vez mais complexa.

BRUNO LASANSKY EMPRESA: Localiza. CARGO: CEO. DESTAQUE DA GESTÃO: conduzir diálogo com o Cade para a fusão com a Unidas e triplicar o lucro líquido focando em eficiência e inovação. (Crédito:Divulgação)

Tanto que a locação se tornou o motor da Localiza. Nos primeiros seis meses, o lucro líquido da área somou R$ 489 milhões, fatia de 52% do total. Já a unidade de seminovos, que registrou 55.675 vendas, sofreu uma queda de 4% na comparação com o mesmo período do ano passado.

O momento foi de reavaliar as estruturas e desenvolver projetos de inovação para retomar o crescimento. “Aceleramos o investimento em tecnologia, visando aprimorar o uso de ciência de dados”, afirmou o executivo. Informações dos 36% da frota monitorados por telemetria alimentam as pesquisas do Localiza Labs, envolvida no lançamento desses serviços. Só no último ano, foram quatro: o Meoo, plataforma de carros por assinatura; Pass, parceria com a ConectCar para pagamento automático de cancelas; Fast, processo digital para a locação; e, mais recentemente, o Zarp, app de aluguel de veículos para motoristas de aplicativo.

De certa forma, este é o capítulo derradeiro da Localiza como a conhecemos. Mais de um ano após o anúncio, o mercado está em contagem regressiva para a sua fusão com a número dois do setor, a Unidas. Ao recomendar a aprovação do negócio condicionada a reformas estruturais, o remédio do Cade para a concentração do mercado, que estaria 67% nas mãos da nova empresa, foi menos amargo do que o esperado. O que vem pela frente é um gigante com 432 mil veículos na frota e cuja receita deve ultrapassar os R$ 15,8 bilhões por ano, com base no balanço do último ano. Primeiro não fundador na presidência da companhia, antes de comemorar o parecer favorável, Lasansky terá à sua frente desafios como o de vender mais de 20 mil carros antes de consolidar a nova Localiza. A líder enxerga potencial para o segmento crescer até três vezes nos próximos cinco anos no Brasil. O que nasce da fusão com a Unidas, então, será combustível para o seu avanço, sem paradas e em constante aceleração. Acontece que, mesmo sem o negócio, a Localiza tem potência suficiente para seguir sozinha.