Estilo

Atala vira chefe de hotel

O mais consagrado nome da gastronomia brasileira segue os passos do Fasano e entra no ramo da hotelaria. Ele vai conseguir transferir o sucesso de sua marca para a hospitalidade?

O paulistano Alex Atala obteve um reconhecimento nacional e internacional sem precedentes para um chef de cozinha brasileiro. O seu restaurante D.O.M., aberto em 1999, mereceu duas estrelas do prestigioso guia Michelin e, desde 2006, aparece no ranking de melhores do mundo da publicação britânica Restaurant. Agora, ele vai levar o seu grupo, que já se encontra em expansão nos últimos anos, para uma nova fronteira. De restaurateur, o chef empresário se transformará em hotelier. Atala anunciou a construção de um hotel, que provavelmente também se chamará D.O.M., localizado nos Jardins, bairro nobre de São Paulo, a mesma região de seu principal negócio.

O terreno já foi adquirido, na Alameda Franca. Mas Atala, que nunca revelou o faturamento de seus negócios e os investimentos realizados, faz segredo do montante que será direcionado ao empreendimento. O projeto está em fase de captação de recursos e pode envolver novos investidores, que não necessariamente virão da área hoteleira. Alguns detalhes, no entanto, foram abertos: o contrato foi assinado no começo de julho, o prédio terá 26 andares e haverá uma segunda torre, residencial, com 10 andares. O plano de Atala é inaugurar o empreendimento em até cinco anos.

O percurso que o D.O.M. tenta trilhar é o mesmo percorrido pelo grupo Fasano. Comandado por Rogério Fasano, o restaurante de alta gastronomia de sua família, um dos mais famosos e tradicionais de São Paulo, se tornou uma importante marca de hospedagem em 2003. Hoje, com quatro hotéis espalhados em São Paulo (um na capital e outro no interior), no Rio de Janeiro e no Uruguai, a rede tem planos de abrir mais cinco unidades até 2019. Repetir um feito como esse, definitivamente, não é fácil.

“Atala construiu uma das coisas mais difíceis, que é ter uma imagem extremamente positiva dentro de um universo muito exigente”, diz o professor Amnon Armoni, coordenador do MBA da FAAP. “A gastronomia e a hotelaria são relacionadas, por tratarem de lazer. Mas todo cuidado é pouco, já que ele vai sair de uma zona que domina e entrar na questão de traduzir o seu estilo para o projeto arquitetural, para o mobiliário.” De fato, o estilo de Atala tem características bastante próprias. Diferentemente do charme Velho Mundo do Fasano, a ascensão de Atala aconteceu devido à sua criatividade no uso de ingredientes brasileiros, como jenipapo, jiló, quiabo, palmito pupunha, cará e caqui.

No guia Michelin, o chef é descrito como o “melhor expoente da nova culinária brasileira”, por surpreender e estimular o paladar por meio de sabores, texturas e produtos do País. Entre os seus outros empreendimentos no mundo da gastronomia, destaca-se o Dalva e Dito, um grande sucesso de público, com uma culinária brasileira mais simples. Atala também se associou com outros empresários para a abertura do restaurante Açougue Central e do Riviera Bar. Neste ano, inaugurou o Bio – Comer Saudável, voltado a alimentos orgânicos, comprados de pequenos produtores. Todos esses negócios estão em São Paulo.