Economia

Ata: projeção para IPCA 2019 no cenário de mercado é de 3,9%, como no comunicado

A ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada na manhã desta terça-feira, 12, indicou que a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2019 no cenário de mercado está em 3,9%. Já a projeção para 2020 é de 3,8%.

Estes são os mesmos valores citados no comunicado que acompanhou a decisão do colegiado, na semana passada, quando a Selic (a taxa básica de juros) foi mantida em 6,50% ao ano pela sétima vez consecutiva. O cenário de mercado utiliza como referência as projeções do Relatório de Mercado Focus para a Selic e o câmbio.

Na ata do encontro anterior do Copom, ocorrido em dezembro, as projeções do cenário de mercado estavam em 3,9% para 2019 e 3,6% para 2020.

Cenário de referência

Na ata agora divulgada, o BC indicou ainda que a projeção para o IPCA de 2019 no cenário de referência está, também, em 3,9%. A projeção para 2020 é de 4,0%. Estes também são os mesmos valores citados no comunicado que acompanhou a decisão do colegiado, na semana passada.

O BC formulou seu cenário de referência tendo como base a Selic constante em 6,50% ao ano e uma taxa de câmbio de R$ 3,70. Este valor para o câmbio teve como base a cotação média para a moeda americana observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom (1º de fevereiro).

Na ata do encontro de outubro, as projeções do cenário de referência estavam em 3,7% para 2019 e 4,0% para 2020.

O centro da meta de inflação perseguida pela instituição este ano é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 2,75% e 5,75%). No caso de 2020, a meta é de 4%, com margem de 1,5 ponto (taxa de 2,5% a 5,5%). Já a meta para 2021 é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%).

No Relatório de Mercado Focus publicado nesta segunda-feira, 11, as instituições financeiras projetaram inflação de 3,87% em 2019 e 4,00% em 2020.

Preços administrados

Na ata agora divulgada, o Banco Central manteve suas projeções para a alta dos preços administrados em 2019. Para este ano, o índice calculado continuou em 5,1% no cenário de mercado. No caso do próximo ano, o porcentual foi de 3,9% para 4,7%. As estimativas anteriores constavam na ata do encontro de dezembro do Copom.

No cenário de referência, que utiliza como parâmetros taxa de câmbio constante a R$ 3,70 e juros constantes a 6,50% ao ano, a projeção para a alta dos preços administrados em 2019 passou de 5,2% para 5,1%. No caso de 2020, foi de 4,0% para 4,5%.

O Focus indicou nesta segunda-feira que a estimativa para 2019 no mercado financeiro é de elevação de 4,89% dos administrados. Para 2020, a expectativa está em 4,30%.

As projeções para os preços administrados ajudaram a formar a base para que o colegiado mantivesse na semana passada a Selic em 6,50% ao ano.

Riscos inflacionários

O Banco Central (BC) voltou a registrar nesta manhã, por meio da ata do último encontro Copom, o rebalanceamento dos riscos em seu cenário básico de inflação. Assim como havia feito no comunicado da semana passada, o colegiado citou que, desde o encontro de dezembro, “especialmente quanto ao cenário externo, houve arrefecimento dos riscos inflacionários”.

O BC voltou a pontuar que, em seu cenário básico, existem fatores de risco em ambas as direções: a desinflacionária e a inflacionária. No primeiro caso, o BC repetiu que “o nível de ociosidade elevado pode produzir trajetória prospectiva abaixo do esperado”.

No caso dos riscos inflacionários, o BC repetiu que “uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária”. Além disso, a instituição lembrou que o risco ligado às reformas “se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes”.

O BC afirmou ainda que a assimetria entre os riscos desinflacionários e inflacionários permanece, sendo que os maiores pesos seguem com os riscos ligados às reformas e ao cenário externo.

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