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Aston Martin decide entrar na bolsa de valores de Londres

Centenária montadora inglesa, que já pediu falência sete vezes, decidiu abrir o seu capital na bolsa de valores de Londres até o fim de 2018. A ideia é captar US$ 1,6 bilhão para lançar um novo modelo por ano e quadruplicar a produção até 2020

Crédito: Vivek Prakash/Bloomberg via Getty Images

No volante: o inglês Andy Palmer assumiu a direção da Aston Martin em 2014 e, desde então, a companhia passou a apresentar crescimento de venda e receita (Crédito: Vivek Prakash/Bloomberg via Getty Images)

O executivo inglês Andy Palmer assumiu a presidência da montadora inglesa Aston Martin em 2014 com uma missão parecida com a do agente secreto James Bond: salvar a empresa da morte. A centenária companhia, fundada em 1913, sempre andou em estradas sinuosas com uma das rodas na beira do precipício. Entre 1924 e 2007, foram abertos sete pedidos de falência. “Temos que nos reinventar como uma marca de luxo e sair desse ciclo ruim que marcou nossos primeiros 102 anos de história”, disse Palmer, em uma conferência em 2015. “O que precisamos é de estratégia e coragem para fazer essa mudança.” O executivo parece ter acertado a direção da Aston Martin. De 2015 a 2017, a montadora apresentou crescimento anual de vendas de 19%, 31% e 70%, respectivamente. Mesmo com uma base de comparação mais alta, no primeiro semestre de 2018 as vendas aumentaram 14% e o faturamento de £ 445 milhões foi 8% maior que o do ano anterior. “Os resultados mostram que continuamos a oferecer crescimento sustentável, margens e valor para nossos acionistas”, disse Palmer.

Novos modelos: o lançamento do novo Vantage (foto à esquerda) e do DBX (à direita), o primeiro SUV da marca, são parte da estratégia da montadora de diversificar seu portfólio

Há duas semanas, o CEO da marca inglesa anunciou o caminho mais ousado: realizar, até o fim deste ano, a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) na bolsa de valores de Londres. A decisão da montadora, que se consagrou com o modelo DB5 usado no filmes de 007, busca mostrar sua força e capacidade de conquistar novos mercados. A proposta da Aston Martin é oferecer 25% da empresa na bolsa de valores. Com valor de mercado estimado em cerca de US$ 6,4 bilhões, a companhia projeta captar US$ 1,6 bilhão. “A abertura de capital permite que a Aston continue investindo na expansão da sua linha de modelos e na renovação de seus carros esportivos, aumentando as vendas”, avalia a agência de classificação de risco Moody’s, em relatório de análise sobre a operação.

A estratégia da Aston Martin é angariar recursos para aumentar a produção. A meta é quadruplicar a fabricação de automóveis para 9,6 mil até 2020. Até o fim deste ano, as vendas devem totalizar 6,4 mil carros. Quem vai impulsionar esse desempenho são os veículos Vantage e DBS Superleggera, ambos superesportivos concorrente da Ferrari, que chegam às lojas nas próximas semanas. A empresa informou que existe uma demanda de 3,9 mil unidades para esses dois modelos. No médio prazo, a montadora calcula chegar a uma produção anual de 14 mil unidades. É um plano audacioso, afinal, esse foi o total de veículos produzidos em seus primeiros 52 anos de história. O plano é focar a produção em SUVs e sedãs de luxo, que sairão da nova fábrica de St. Athan, no País de Gales. O primeiro SUV, o DBX, chega ao mercado em 2019. Mas, parte desse aumento virá de carros elétricos, que utilizarão a marca Lagonda (empresa adquirida em 1947).

A marca do espião: o modelo DB5 transformou a Aston em um fenômeno mundial ao aparecer, em 1964, no filme 007 ao lado de Sean Connery. O veículo também estrelou na franquia com o ator Daniel Craig

O caminho da Aston Martin é o mesmo de suas concorrentes Ferrari, Porsche e  BMW. O problema é que a montadora britânica vive sob intensa desconfiança. Os analistas de mercado apontam que a força financeira da empresa é inferior ao de concorrentes diretos como Porsche, Bentley e Audi, que são apoiadas pela Volkswagen. Outra questão apontada são os riscos que a companhia pode sofrer por conta do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia. Isso porque as vendas ainda estão concentradas em solo britânico: 30% das receitas vêm do Reino Unido, 26% da Europa e 25% das Américas. “Eles não estão preocupados com isso, porque o maior mercado deles continua sendo o Reino Unido”, diz Johnny Mendes, professor de economia da FAAP. “Mas a abertura de capital já sinaliza uma vontade de aumentar a produção para abocanhar outros mercados.” Para melhorar esse desempenho, o mapa indica como destino natural o aumento de vendas na Ásia.