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Aspirante a suceder Merkel recebe críticas por gestão das inundações

Aspirante a suceder Merkel recebe críticas por gestão das inundações

Armin Laschet em entrevista coletiva após visitar a cidade inundada de Bad Muenstereifel, na Renânia do Norte Westfalia, em 20 de julho de 2021 - POOL/AFP

Armin Laschet, o conservador de 60 anos favorito para substituir Angela Merkel após as eleições legislativas de 26 de setembro, está no centro das críticas por sua gestão das inundações que provocaram pelo menos 177 mortes no oeste da Alemanha.

Uma pesquisa feita esta semana pelo Instituto Civey para a revista Der Spiegel mostra que apenas 26% dos quase 5.000 entrevistados considera que ele é um bom gestor em caso de catástrofes.

“Em geral, a pessoa mostra do que é capaz durante as crises”, afirma Hans Vorlander, professor de Ciências Políticas da Universidade Técnica de Dresden, que citou como exemplo Gerhard Schröder, o ex-chanceler social-democrata que deve, em grande medida, sua reeleição à gestão rápida e eficaz durante as cheias do Elba em 2002; ou Merkel, que em 16 anos de governo superou várias crises.

Nesta área, Armin Laschet, que assumiu o controle do partido CDU em janeiro, sempre “careceu de determinação”, afirma o cientista político.



Depois das inundações de 14 e 15 de julho, que afetaram duramente a região de Renânia del Norte Westfalia que ele governa, o líder dos conservadores “demorou muito tempo a encontrar o tom adequado”, e depois aconteceu “este desastre de comunicação”, recorda Vorlander.

Ele faz referência às imagens – que viralizaram nas redes sociais – de Laschet sorrindo enquanto, em primeiro plano, o presidente alemão Frank Walter Steinmeier prestava homenagem no fim de semana passado às vítimas das inundações.

“Se Laschet quer ser chanceler, ele deve ser capaz de administrar a crise”, afirma o jornal Tagesspiegel, ao considerar que o comportamento dá margem para dúvidas sobre sua capacidade para ocupar o principal cargo da política do país.

“Isto não teria acontecido com Merkel”, a rainha do sangue frio, completa o jornal de Berlim.

Sóbria e empática, de acordo com os analistas, a chanceler manteve a postura na área das inundações. Armin Laschet pediu desculpas rapidamente.

O incidente parece relativamente neutro nas pesquisas de intenção de voto, nas quais os partidos de direita, a CDU e seu aliado bávaro CSU, têm entre 28% e 29%, superando os Verdes – seu principal adversário – em 10 pontos percentuais.

Laschet, geralmente subestimado, mas que demonstrou várias vezes sua capacidade de recuperação, agora terá que ser mais ambicioso na luta contra o aquecimento global, considerado em parte responsável pelas inundações devastadoras, segundo os especialistas.

“As inundações demonstraram a urgência de outra política climática”, afirma o Tagesspiegel, uma área ocupada quase exclusivamente pelos Verdes até agora.

O programa eleitoral dos conservadores inclui a meta de neutralidade de carbono até 2045.

O ex-rival de Armin Laschet pela candidatura conservadora, o bávaro Markus Soder, aumentou a pressão ao prometer acelerar o ritmo em sua região.

A Baviera aspira agora a neutralidade do carbono a partir de 2040 e propõe antecipar em oito anos, para 2030, o fim do uso do carvão. Um verdadeiro quebra-cabeças para Laschet, cujo estado federado está dominado pelas indústrias pesadas, em particular carvão e aço.

Apenas 26% dos alemães consideram Armin Laschet capaz de executar uma política climática eficaz, segundo uma pesquisa do instituto Civey, enquanto seu rival social-democrata Olaf Scholz registra 35% e a ecologista Annalena Baerbock 56%.

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