A francesa Barbe-Nicole Clicquot (1777 a 1866), é, sem dúvida, a viúva mais famosa no mundo do champanhe; mas não é a única. A história do champanhe tem capítulos importantes liderados por mulheres, que assumiram as maisons ao ficarem viúvas.

Contemporânea de Barbe-Nicole Clicquot, a também francesa Jeanne Alexandrine Louise Mélin Pommery (1819 a 1890), ou simplesmente Louise Pommery, assumiu a vinícola em 1860, com a morte de seu marido. Depois de fazer fortuna com o mercado de algodão, o casal havia decidido investir na elaboração de vinhos em Champanhe e ter uma vida mais tranquila.

Também apelidada de veuve (viúva) Pommery, aos 38 anos Louise se viu sozinha e com dois filhos para criar. Ao entrar no mundo dos champanhes, ela se tornou uma das pioneiras em elaborar uma bebida menos doce e mais parecida com os espumantes atuais. Diz a literatura que ela percebeu que os ingleses preferiam a bebida mais seca, sem tanta adição de açúcar como acontecia na época. Em 1874, a Pommery elaborou o seu primeiro champanhe brut.

Além de apostar neste estilo de champanhe, a viúva Pommery também ampliou, significativamente, as caves subterrâneas de sua maison. Construídas cerca de 30 metros abaixo da terra, as caves permitem o lento trabalho das leveduras, nas garrafas, o que resulta nas almejadas borbulhas dos espumantes. A Pommery conta com 18 quilômetros de caves embaixo da cidade de Reims.

Lily Bollinger (1899 a 1977) é a terceira grande viúva do mundo dos champanhes. Ao perder o marido em 1941, ela assumiu e soube liderar a maison, inclusive durante a Segunda Guerra Mundial, equilibrando a tradição com a modernidade. Teve papel importante na promoção de seu champanhe no mercado europeu. Zelosa da qualidade, passeava pelos vinhedos todos os dias, de bicicleta, em cenas muito retratada pelos fotógrafos.

A resposta de Lily Bollinger sobre quando bebia champanhe, em uma entrevista para um jornal inglês, entrou para a literatura das grandes frases sobre a bebida. “Eu bebo champanhe quando eu estou feliz e quando eu estou triste. Às vezes eu bebo quando estou sozinha. Quando tenho companhia, considero obrigatório. Dou um gole quando estou sem fome, e bebo quando estou com fome. Se não for assim, eu nunca nem toco no champanhe, a não ser que eu esteja com sede.”

É ou não é um bom conselho?


OBS: O texto sobre a madame Clicquot foi publicado na série de Mulheres e Vinho de 2018.

As mulheres e o vinho

Durante todo o mês de março posto aqui as mais diversas histórias de mulheres no mundo do vinho. Em 2018 foram 23 textos de personalidades e épocas diferentes e em 2019 continuo a tradição. Adorei pesquisar e conhecer mais sobre estas pessoas e seus desafios. Confira, a seguir, quais foram estas mulheres.

2019

2018

– Dona Antónia Ferreira, a querida dona Ferreirinha, que tanto fez pela região do Douro e, por que não, por Portugal

– Barbe-Nicole Clicquot, mais conhecida como a Veuve Clicquot

– Jancis Robinson, a inglesa mais influente do mundo do vinho com o seu www.jancisrobinson.com

– Laura Catena, a argentina que investe nas pesquisas para conhecer e elaborar vinhos de qualidade, na vinícola Catena Zapata

– Lalou Bize-Leroy, a polêmica e competentíssima produtora da Borgonha

– Serena Sutcliffe e os leilões de vinho

– Maria Luz Marín, a chilena pioneira no vale de San Antonio, no Chile.

– Mônica Rossetti, brasileira que atualmente trabalha na Itália. Ela tem papel primordial na história da vinícola gaúcha Lidio Carraro

– Natasha Bozs, uma das primeiras enólogas negras da África do Sul, da Nederburg

– Elena Walch, a arquiteta que virou enóloga e hoje tem sua própria vinícola no Alto Adige

– Véronique Drouhin-Boss, a francesa da quarta geração da domaine Drouhi

– As associações de mulheres e vinhos já existem em 10 regiões francesas

– Lorenza Sebasti, proprietária da vinícola italiana Castello di Ama

– Fabiana Bracco, da Bracco Bosca, que tanto faz pelo vinho uruguaio que pode ser considerada a embaixadora do país

– A portuguesa Filipa Pato, dos vinhos da Bairrada

– Lis Cereja, a brasileira que mais e melhor levanta a bandeira do vinho natural no Brasil

– Féminalise, um concurso de vinhos francês que só tem juradas

– Albiera Antinori, a primeira mulher a dirigir a tradicional vinícola italiana

– Susana Balbo, a pioneira nos vinhos argentinos

– Cecília Torres, a primeira mulher nos vinhos chilenos com o Casa Real

– Ludivine Griveau, que dirige os vinhos do Hospice de Beaune, na Borgonha

– A dupla de amigas e enólogas portuguesas Sandra Tavares e Susana Esteban

– Patricia Atkinson, e a sua aventura de elaborar vinhos franceses