“As reuniões de conselhos de administração no Brasil são muito mal organizadas”

“As reuniões de conselhos de administração no Brasil são muito mal organizadas”

O empresário Eduardo Carone, da empresa Nexto Investimentos, construiu sua carreira no mundo do private equity e, durante os últimos anos, passou por conselhos de administração de 19 empresas. “Em 2015, eu estava no board de sete empresas ao mesmo tempo”, diz Carone. “Em alguns casos, a secretária da presidência mandava todo o material a ser discutido com uma semana de antecedência. Em outros, enviava tudo de última hora.” Diante dessa “dor”, da falta de organização da maioria dos conselhos de administração do País, surgiu uma oportunidade de negócios. Assim, em novembro de 2017, nasceu a Atlas, uma plataforma digital para empresas organizarem suas reuniões de conselho. Hoje, a startup já atende Riachuelo, Even, Hospital Sabará, entre outras companhias. Carone explicou o formato à coluna:

Como surgiu a ideia de criar a Atlas?
Sempre fui do mercado de private equity. Fui sócio da Neo Investimentos, que investiu em empresas como a Livraria Cultura, e, em 2013, fundei a Nexto Investimentos. Durante toda a minha carreira, passei por 19 conselhos de administração. Em 2015, eu estava em sete ao mesmo tempo. E estava ficando maluco.

Por quê?
Porque a dinâmica desse negócio varia muito. Tem aquele conselho lindo em que a secretária recebe as informações de todas as áreas, consolida e manda tudo com uma semana de antecedência. E tem aquele conselho em que a reunião é as 8h da manhã e você começa a receber vários emails na noite anterior. Você tem só uma noite para ler 500 páginas de material. E tem também aqueles conselhos em que a gente aprova medidas e elas não são executadas.

Por exemplo…
Lembro que, em um dos conselhos que eu participava, aprovamos a contratação de um D&O (seguro para executivos). Seis meses depois, deu um problema trabalhista na empresa e todos do conselho tiveram as contas bloqueadas. Quando resolvemos acionar o seguro, descobrimos que a apólice não havia sido contratada. O fato é que as reuniões de conselhos de administração no Brasil são muito mal organizadas, não se sabe se o que é aprovado na reunião é executado… E isso acontece com empresas de capital aberto. Por isso, fui procurar softwares para resolver isso. Existem duas: uma se chama Diligent, vendida por US$ 600 milhões, e a Boardvantage, comprada pela Nasdaq por US$ 250 milhões. Elas tinham serviços muito caros e não atendiam ao que eu buscava. Aí, resolvi montar um produto para mim.

E como foi o desenvolvimento?
Em 2016, contratei uma equipe de desenvolvimento. Passamos um ano desenvolvendo e, no fim, ficou um lixo. Jogamos tudo fora. A plataforma tinha ficado muito complexa. Para marcar uma reunião, tinha que preencher oito formulários. Por isso, começamos tudo do zero novamente. Na média, o conselheiro tem o perfil de ser homem, branco, com mais de 55 anos de idade, não tem uma relação tão próxima com a tecnologia. Por isso, tem que ser simples. A Atlas acabou ficando pronta em novembro de 2017.

Mas acabou virando um negócio…
Sim, algumas empresas começaram a me pedir. A Ace, uma das maiores aceleradoras da América Latina, foi a primeira a usar. Ela tem investimento em mais de 180 startups e os seus sócios usam a ferramenta em todas as startups. Outras companhias como Riachuelo, Even e o Hospital Sabará passaram a usar também.

E como o produto é monetizado?
O pacote para 25 usuários custa R$ 18 mil por ano. E cada pacote adicional de 25 usuários cai para R$ 12 mil. A Even, por exemplo, usa no conselho, no comitê de estratégia, no comitê de partes relacionadas… As empresas de capital aberto usam em vários comitês.

Quanto foi investido no projeto?
Investimos R$ 1 milhão e agora estou recrutando pessoas para entrar como investidores na Atlas. Vou captar R$ 1 milhão por 10% da empresa. Não é muito dinheiro, não preciso de caixa, mas são investidores que vão abrir portas para outros conselhos. Serão 20 investidores e cada um entrará com R$ 50 mil. Mais para frente, a ideia é começar a internacionalização da empresa. Meu alvo é os Estados Unidos.

Mas como é o produto?
O Atlas é dividido em alguns módulos. Tudo é centrado em uma reunião de conselho e, antes dela acontecer, existe a preparação. Precisa saber onde será a reunião, quais são os participantes, a pauta, os conselheiros… Você pode anexar documentos em um só lugar. E são informações confidenciais. Por isso, temos duas chaves de criptografia para abrir os documentos. A plataforma coloca marca d’água em todas as páginas para evitar e rastrear qualquer tipo de vazamento.

(Nota publicada na Edição 1087 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Hugo Cilo, Moacir Drska e Pedro Borg)

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