Edição nº 1057 16.02 Ver ediçõs anteriores

“As reformas virão, mas serão adiadas”

“As reformas virão, mas serão adiadas”

Depois do discurso do presidente Michel Temer, o senador Cristovam Buarque (PPS-DF) não economizou nas críticas, dizendo que “Temer perdeu a chance de falar para a história e para o bem do Brasil” ao não renunciar depois da bombástica delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista, do grupo J&F. Buarque também ressaltou a preocupação com as reformas e com a situação política do País. Acompanhe:

Tudo isso é uma pá de cal nas reformas?
Pá de cal não é, porque o Brasil precisa delas. Mas haverá um adiamento, o que fará o Brasil pagar um preço alto por isso.

O senhor acredita que elas serão levadas adiante?
Sim. Não tem como, no tempo da uberização da economia, não fazermos uma reforma radical nas relações trabalhistas. Virá, mas será adiada e aumentará o custo quando vier.

O senhor acredita que o Brasil continuará turbulento ainda por muito tempo?
Sim, mas independente do Temer. Não é culpa dele. É culpa de décadas de não fazermos o que é correto, de termos deixado o Brasil se dividir em corporações, em quadrilhas, em clubes eleitorais, em corporativismo doentio. Isso foi levando o País a se dividir em um processo de desagregação.

O que levou o País a isso?
A verdade é que, há décadas, começamos a deixar de buscar o caminho para o futuro do Brasil e nos dedicamos a buscar uma escada para ascender socialmente. Os pobres querendo sair da pobreza e não querendo fazer um País melhor, os ricos querendo aumentar a riqueza e não querendo fazer um País melhor. Estamos sem a perspectiva do coletivo, no nacional.

(Nota publicada na Edição 1019 da Revisa Dinheiro, com colaboração de: Carlos Edurado Valim, Gabriel Baldochi e Moacir Drska)


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(Nota publicada na Edição 1057 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Gabriel Baldocchi)
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