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As melhores ações em tempos de pandemia

Em um cenário catastrófico de queda de valor por toda a B3, setores com grande potencial exportador, como frigoríficos, de papel e celulose e de minieração, são as melhores apostas para quem deseja reverter os prejuízos acumulados no ano. O Dólar alto e a volta da China às compras são os maiores estímulos.

Crédito: Divulgação

O novo coronavírus gerou uma crise global inédita e de efeitos ainda incertos. As bolsas de valores do mundo todo foram afetadas a ponto de o período ser chamado de “banho de sangue” por investidores e analistas de mercado. No Brasil, até a terça-feira 14, o índice Ibovespa acumulava desvalorização de 30% no ano, mesmo após uma recuperação de quase 10% só nos últimos sete dias. Empresas de todos os setores listadas na B3 foram impactadas pelos efeitos da pandemia e acumularam perdas (ver tabela). As projeções do Ibovespa para 2020 chegaram a cair até 41%, no comparativo entre dezembro e abril, segundo levantamento do buscador de investimentos Yubb. O Bank of America traçou o pior cenário para o fim deste ano, baixando a previsão de 130 mil para 76 mil pontos. A mais otimista das sete casas analisadas foi a Guide, com queda de 28%, para 96 mil pontos. O que fazer quando as perdas parecem inevitáveis?

De acordo com analistas de mercado consultados pela DINHEIRO, o ideal no momento é ter cautela e buscar papéis de empresas ligadas a setores mais resilientes da economia. Nesse contexto, as companhias exportadoras estão entre as mais citadas. Elas se beneficiam do real desvalorizado, o que torna seus produtos mais competitivos no mercado internacional. Entram nesse grupo empresas de papel e celulose como a Suzano, de mineração, como a Vale, frigoríficos como a JBS, e fabricantes de equipamentos, caso da Weg, que até o começo da semana passada era a única do Ibovespa que ainda estava com ações no azul em 2020.

“Além do fator dólar, a China já saiu da quarentena e é uma grande compradora”, afirma o estrategista da Genial Investimentos, Filipe Villegas. Na análise setor por setor, o de papel e celulose tem a seu favor o fato de o Brasil ser muito competitivo no mercado externo. Além disso, como há uma grande demanda por produtos como papel higiênico e insumos médico-hospitalares, essa indústria sofreu impacto menor. Segundo Carolina Ujikawa, analista da Mauá Capital, no começo do ano a celulose era comercializada ao preço de US$ 1 mil a tonelada, mas, desde então, a queda foi vertiginosa. Chegou a cerca de R$ 400, mas voltou a subir com o retorno às atividades da China e está cotada em R$ 464. “Com o dólar no patamar que está, essa indústria tende a ter bom desempenho”, diz a especialista.

Empresas do ramo frigorífico também estão sendo recomendadas. Principalmente, os papeis da JBS, porque a compra de alimentos na China impacta positivamente seus negócios. “Não houve queda na demanda por carne até porque em época de epidemia se alimentar bem é importante”, afirma Carolina Ujikawa. “Além disso, empresas como JBS e BRF se beneficiam do fato de a China ter perdido 60% de seu rebanho suíno no ano passado. Não dá para recuperar isso de uma hora para outra e parte da necessidade está sendo substituída por carne bovina e de frango.”

“Toda empresa que tem parte de seu negócio atrelado à tecnologia deve chamar mais a atenção do mercado” Filipe Villegas, estrategista da genial investimentos. (Crédito:Divulgação)

E DEPOIS? Se neste primeiro momento as empresas exportadoras são vistas como as melhores opções, no longo prazo outros setores podem render bons ganhos para os investidores. Para Villegas, da Genial, também são promissores papéis de companhias com menor nível de alavancagem, assim como aquelas envolvidas com tecnologia, incluindo o e-commerce. “A digitalização já era uma tendência, mas a pandemia acelerou isso. Toda empresa que já investiu bastante ou tem parte de seu negócio atrelado à tecnologia deve chamar mais a atenção do mercado”, diz. E, pensando no pós-pandemia, o analista da Necton Investimentos, Glauco Legat, inclui até empresas do setor de varejo, que eram as vedetes do mercado antes da crise, mas que sofreram grande impacto nas vendas por conta do fechamento de lojas físicas. “As ações da Via Varejo caíram de cerca de R$ 16 para R$ 4. Se depois que o problema passar a recuperação for rápida, tende a ser um dos papéis que vão ter melhor desempenho”, afirma.

Luís Sales, analista da Guide Investimentos, concorda: “O varejo caiu muito, mas apresenta oportunidades interessantes, principalmente entre as companhias que contam com lojas on-line bem estruturadas, caso da Magazine Luiza. O e-commerce vai sair na frente”.

A expectativa geral é de que o pior já tenha passado nas bolsas, mas os analistas ainda avaliam com cautela o cenário, já que existe a possibilidade de uma segunda onda de contágios, o que poderia atrasar a recuperação econômica. Evitada essa possibilidade, a opinião é de que os preços já atingiram o fundo do poço. “Antes da crise havia margens para queda. O patamar médio de desvalorização está em torno de 40%. Na pior das hipóteses, as empresas vão perder um ano de lucro”, afirma Sales, lembrando que o Ibovespa iniciou 2020 com 115 mil pontos e chegou a baixar para 61,7 mil. “Já chegamos ao fundo do poço, mas isso não significa que daqui para frente será um mar de rosas”. Por isso, conhecer os setores mais bem protegidos de impactos inesperados ainda pode ser bastante importante para o investidor.

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