As Melhores da Dinheiro 2019

As campeãs do crescimento

Cerimônia de premiação As Melhores da Dinheiro 2019 reconhece o talento dos líderes empresariais que souberam alcançar bons resultados mesmo enfrentando um cenário econômico desafiador. Discursos de Rodrigo Maia, Salim Mattar, Henrique Meirelles e João Doria reforçam a importância de avançar na agenda de reformas e de reduzir o gigantismo do Estado brasileiro

Crédito: Marco Ankosqui

Com o mesmo propósito: Caco Alzugaray, presidente executivo da Editora Três, Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, e o governador de São Paulo, João Doria: por um Brasil que avance (Crédito: Marco Ankosqui)

“O Brasil que quer voltar a crescer está representado aqui nesta noite, com vencedores que souberam apostar nos seus sonhos, ideias e negócios, encontrando um caminho de como retomar o crescimento”. Foi assim que o presidente executivo da Editora Três, Caco Alzugaray, congratulou os empresários brasileiros que seguem acreditando no País — aqueles que não desistem diante das adversidades e por isso mesmo estão colhendo os resultados dessa crença. O discurso abriu a cerimônia de premiação As Melhores da Dinheiro 2019, na segunda-feira 30, em São Paulo.

O evento reuniu lideranças empresariais e autoridades que compartilham o mesmo propósito: fazer do Brasil, a cada dia, um País melhor, mais justo e próspero. “Depois das disputas eleitorais, ansiávamos pela pacificação. pelo entendimento em prol do bem comum. Porém, a pacificação ainda não veio, principalmente porque o núcleo do poder executivo teima em manter o País em constante estado de beligerância”, afirmou Caco Alzugaray, para em seguida lembrar: “O Brasil dos brasileiros que acordam todos os dias para lutar pelo desenvolvimento do País é maior que eles”.

O tom assertivo das palavras escolhidas pelo presidente da Editora Três mereceu um comentário do governador João Doria, que em seu discurso, poucos minutos depois, reforçou a importância de se produzir no País um jornalismo crítico e independente, como preconiza a tradição dos títulos da Editora Três, entre eles ISTOÉ e IstoÉ DINHEIRO, marca que há 16 anos reconhece e premia as melhores empresas do País. Antes que o governador João Doria subisse ao palco para seu pronunciamento, coube ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, falar aos presentes com a mesma objetividade que afirma prezar em seu trabalho. “Nos últimos 30 anos fizemos um Estado que trabalhou muito para poucos brasileiros”, disse Maia, referindo-se a distorções salariais entre os setores público e privado, citando números sobre o custo dessas discrepâncias para a população que paga impostos. “Construímos um orçamento que não atende à vida das pessoas. Nosso desafio é reformar o Estado brasileiro. A Previdência é o sistema mais desigual do mundo, a mesma coisa acontece com o sistema tributário.”

Para o presidente da Câmara, ainda que a reforma da Previdência seja um importante passo para o País, é preciso aprovar a reforma administrativa, que mudará a cara do Estado brasileiro. Segundo Maia, o Parlamento trabalha hoje para a aprovação de diversos marcos regulatórios que irão garantir mais investimentos ao País. “Tivemos um divórcio com a sociedade, e a forma de retomar isso é voltar a responder os anseios dos brasileiros mais simples, diminuindo a desigualdade e o desemprego. Essa agenda é árida, mas é ela que vai trazer o Brasil de volta aos trilhos.”

Após o discurso de Rodrigo Maia foi a vez do Secretário Especial de Desestatização, Desenvolvimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar. Ele comparou a carga tributária brasileira à de países de primeiro mundo e reafirmou sua convicção de que apenas um Estado menor poderá permitir um ecossistema empresarial voltado a investimentos. “Ao longo de minha vida empresarial eu aprendi uma coisa: meu maior concorrente sempre foi o Estado brasileiro.” Para o secretário, reduzir o tamanho do Estado “oneroso, lento, gigantesco, obeso, que inferniza a vida do empresário”, foi o que o moveu para o governo de Jair Bolsonaro. “E tenho total apoio do presidente e do ministro Paulo Guedes”, afirmou, sem negar que sua disposição de vender estatais contrasta com a morosidade dos trâmites na esfera pública.

A agenda de privatizações deu também o mote à fala de Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda e atual Secretário de Estado da Fazenda e Planejamento de São Paulo. Depois de uma breve recapitulação de sua carreira nos setor financeiro (como presidente mundial do Bank Boston) e na vida pública (como presidente do Banco Central do Brasil e Ministro da Fazenda), Meirelles reafirmou sua grande convicção: “sou privatista”. Para ele, “o Brasil avança e já aprovou diversas reformas fundamentais, como a trabalhista e a de mercado de crédito.” Mas ainda restam ao menos três desafios pela frente: a reforma da Previdência dos estados e municípios, a reforma tributária e aquela que Meirelles, assim como Rodrigo Mais, considera a mais importante, que é a reforma administrativa.

Reformas e privatizações deram o tom também do discurso do governador de São Paulo, João Doria, “Não devemos ter medo de privatizar”, afirmou. “Em São Paulo já estatizamos sete empresas este ano. Vamos exterminar as estatais”, afirmou. No campo da política, Doria elogiou o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia: “Devemos muito a ele, que conduziu a reforma da Previdência e devolveu ao Congresso o protagonismo na política”. Ao encerrar a sessão dos discursos, Doria relembrou as cinco missões internacionais que promoveu em apenas nove meses de governo e enfatizou o papel da iniciativa privada na geração de emprego, renda e riqueza. Ele parabenizou as empresas vencedoras por sua resiliência e capacidade de superar as adversidades para permitir que o Brasil encontre o caminho do crescimento.

EMPRESA DO ANO: Cervejaria Ambev – Representando a campeã, o CFO Fernando Tennenbaum recebe de Caco Alzugaray o prêmio mais aguardado da noite. Com crescimento de 7% em sua receita líquida, que superou os R$ 50 bilhões, a Empresa do Ano emprega mais de 30 mil pessoas (Crédito:Marco Ankosqui)

E foi exatamente a disposição de encontrar saídas criativas e disruptivas para os momentos difíceis que caracterizou as vencedoras do prêmio As Melhores da Dinheiro 2019. Para chegas às campeãs de 22 setores da atividade econômica, foram avaliadas cinco dimensões da gestão: Sustentabilidade Financeira, Recursos Humanos, Inovação e Qualidade, Responsabilidade Social e Governança Corporativa. A pontuação obtida em cada parâmetro, a partir do cruzamento de dados fornecidos pelas próprias empresas e também pela Standard & Poor’s Global Market Intelligece e pela Economatica (ambas parceiras da DINHEIRO na premiação) permite eleger as melhores não apenas por seu desempenho financeiro, mas pela totalidade da gestão. (Confira abaixo as campeãs de cada setor e os cinco Destaques da gestão).

Pontos somados, a grande vencedora foi a Cervejaria Ambev. Com o lançamento de novas marcas, a criação de embalagens inovadoras e sustentáveis, além de programas sociais que apoiam o empreendedorismo, a Ambev, maior cervejaria da América Latina, registrou em 2018 um crescimento de quase 7% em sua receita líquida, que superou os R$ 50 bilhões.

A Ambev foi a empresa que mais pontuou nas dimensões Sustentabilidade Financeira e Governança Corporativa, resultados que fizeram da cervejaria a teatracampeã no ranking Super 20, que reúne os 20 maiores conglomerados do País. No ranking das 1000 maiores empresas brasileiras por faturamento, a campeão foi a Petrobras, que obteve receita de R$ 349,8 bilhões em 2018.

Colaboraram: Edson Rossi e Pedro Borg