Dinheiro em Ação

As apostas para a Sabesp

As apostas para a Sabesp

Papéis avulsos

A privatização da Sabesp, uma das apostas do governo paulista, está em compasso de espera. O mercado aguarda a definição do marco legal que rege a concessão dos serviços de saneamento às prefeituras. No apagar das luzes do mandato de Michel Temer, o governo federal tentou normatizar o assunto por meio de uma Medida Provisória, mas o texto não foi apreciado pelo Congresso. Agora, o Executivo voltou ao tema na terça-feira 16. Na versão inicial, a regra exigia que as prefeituras realizassem chamadas públicas para contratar novos serviços, o que direcionaria o setor privado para as regiões mais rentáveis. Na nova proposta, os Estados poderão criar regiões de atuação das empresas, agrupando municípios por proximidade ou pelo compartilhamento de bacias hídricas. Os investidores estão reticentes. As ações da Sabesp, principal empresa do setor, recuam 2,9% até a quarta-feira 17.

 

Quem vem lá

Azul e IRB entram no Índice Bovespa

A B3 divulgou, na terça-feira 16, a segunda prévia da nova composição do Índice Bovespa. A carteira teórica tem duas novas ações, a da empresa aérea Azul e a da resseguradora IRB Brasil. Dentre as principais ações, Itaú Unibanco PN caiu da liderança para o segundo lugar, com sua participação recuando de 10,801% para 10,096%. A nova líder é a Vale, cuja participação será de 10,229%. Pela nova composição, o Índice Bovespa terá 66 ações de 63 empresas. Essa carteira vai valer entre 6 de maio e 30 de agosto.

 

Ações da Centauro estreiam em queda

As ações da rede varejista de material esportivo Centauro estrearam em baixa na primeira abertura de capital (Initial Public Offering, ou IPO, na sigla em inglês) de 2019. Na quarta-feira 17, primeiro pregão em que foram negociados, os papéis fecharam a R$ 12,30, queda de 1,6% em relação ao preço de lançamento. As cotações oscilaram entre um mínimo de R$ 12,07 e um máximo de R$ 12,74. A rede vendeu 61,7 milhões de ações, captando um total de R$ 772 milhões. A emissão foi integralmente primária, e os recursos captados por meio da colocação de novas ações, serão usados para reforçar o caixa da empresa e investir na ampliação e na melhoria da rede de lojas. Os papéis foram incluídos nos índices de ações de governança diferencial (IGCX) e de aões com Tag Along (Itag).

 

Celulose

Klabin investirá R$ 9,1 bilhões

A Klabin vai investir R$ 9,1 bilhões na expansão de sua unidade fabril em Ortigueira, no Paraná. Com isso, a capacidade de produção de celulose deve subir do 1,6 milhão de toneladas por ano para cerca de 2,5 milhões. Segundo a companhia, o projeto, batizado Puma II, será financiado com caixa próprio e pela geração de caixa das atividades já existentes, e os investimentos vão se estender até 2023. No ano, as ações da empresa sobem 4,9%

 

Touro x Urso

O mercado recuperou-se apenas em parte da volatidade da segunda semana de abril. A interferência do governo no reajuste
do óleo diesel pela Petrobras provocou fortes solavancos, e fez o Índice Bovespa recuar abaixo dos 93 mil pontos. O indicador recuperou-se, mas permanece abaixo dos 94 mil pontos. Na semana, até a quarta-feira 17, a queda acumulada é de 2,8%.

 

Destaque no pregão

Petrobras vai reajustar óleo diesel em 4,84%

A Petrobras anunciou na quarta-feira 17 um reajuste de 4,84% nos preços do óleo diesel praticados nas refinarias. O percentual ficou abaixo dos 5,74% anunciados no início de abril, mas estão em linha com a variação da inflação. Ao divulgar o reajuste, o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, informou que a empresa não sofreu perdas com a diferença dos percentuais, pois a Petrobras faz hedge contra as oscilações de preço. As ações da estatal desabaram no fim da segunda semana de abril. O reajuste proposto foi alterado pelo presidente da República, que reduziu a correção de preços para apenas 1% temendo manifestações dos caminhoneiros. Com isso, o valor de mercado da Petrobras chegou a encolher em R$ 32 bilhões.

Palavra do analista:
Em um relatório divulgado na quarta-feira 17, a equipe de analistas do BTG Pactual manteve a recomendação de compra para as ações e para os American Depositary Receipts (ADR) da estatal, negociados em Nova York. Segundo o relatório, o potencial de alta é de 46,2%.

 

 

Mercado em números

B3
R$ 7,5 bilhões – Foi o exercício de opções de Índice Bovespa na quarta-feira 17. Foram exercidos, ao todo, R$ 600 milhões em opções de compra e R$ 6,9 bilhões em opções de venda

SULAMERICA
R$ 700 milhões – É quanto a seguradora pretende captar por meio de uma emissão de debêntures simples, não conversíveis, com vencimento em abril de 2024

SER
R$ 194 milhões – É quanto a empresa de educação vai pagar pela aquisição de 100% das ações da instituição de ensino amazonense Sodecam

RANDON
R$ 16,4 milhões – É quanto a empresa vai investir, em parceria com a Triel HT, em uma joint venture para explorar o mercado de implementos rodoviários

SANEPAR
12,12944% – É o percentual de reajuste das tarifas de água e esgoto a ser aplicado aos clientes da empresa paranaense de saneamento básico

 

O número da semana

5%

É a estimativa da Associação Paulista de Supermercados (Apas) para o crescimento das vendas da Páscoa em relação ao resultado de 2018. No ano passado, o avanço havia sido de 4% em relação a 2017. O que justifica a melhora nos prognósticos, segundo a Associação, é uma leve queda no desemprego. Dentre os empresários do setor, 54% se dizem otimistas com o futuro e 85% esperam vendas melhores. A Páscoa costuma ser a segunda melhor data do ano para o varejo de alimentos, não só pelos chocolates, mas pela celebração familiar. Os preços, porém, estão salgados. O bacalhau, tradicionalmente servido na ocasião, registrou aumento de 23,45% em relação ao ano passado e de 7,7% no acumulado do ano. O preço do chocolate em barra subiu 4,84% nos 12 meses até março, e os doces em geral aumentaram 4,98% no mesmo período.

 

 

Entrevista da semana

“Emissões de crédito devem bater recorde em 2019 com a Previdência”

Pedro Sternick, gestor da AF Invest

A AF Invest, gestora de recursos do grupo Araujo Fontes, tinha cerca de R$ 600 milhões em ativos de crédito sob sua gestão há quatro anos. Desde então, o crescimento das plataformas digital abertas democratizou o acesso a esses investimentos, o que permitiu à gestora elevar o patrimônio sob administração para R$ 4,5 bilhões. O sucesso foi tão grande que, em muitos casos, é preciso fechar os fundos de crédito a novas captações pela inexistência de ativos em quantidade e qualidade suficientes para investir. Com a criação prevista de novos fundos, de debêntures incentivadas e de previdência, a meta é captar mais R$ 2 bilhões até 2021. O gestor Pedro Sternick conversou com a DINHEIRO.

O mercado de crédito está aquecido? Por que?
Sim. Os investidores vêm demandando esses ativos, o que tem estimulado as empresas a ofertar novos títulos. A causa é a queda dos juros. No nível em que está, a Selic reduz o custo da dívida. A emissão de debêntures bateu um recorde em 2018, com o lançamento de quase R$ 152 bilhões. Nossa expectativa é que esse número seja superado neste ano, desde que a reforma da Previdência seja aprovada.

A demanda por títulos continua maior do que a oferta?
Continua. Neste ano, analisamos 14 ofertas, mas participamos apenas de oito delas, porque o retorno estava abaixo do que consideramos adequado.

Por quê?
Nas captações, as empresas estão pagando juros inferiores do que há um ano, mesmo que não tenham acontecido mudanças relevantes no balanço. Temos tido cuidado ao participar das emissões diante do cenário ainda incerto do ajuste fiscal. Mesmo assim, como somos uma gestora relevante, isso nos permite negociar algumas condições mais vantajosas com os emissores.