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Áreas reconhecidas pela Unesco convivem com problemas

Distantes da festa pelos títulos internacionais recém-conquistados por Paraty e Ilha Grande, cidades e parques do Brasil que já ganharam o reconhecimento da Unesco em outros anos convivem com problemas. De atrações naturais a históricas, as queixas são de baixo investimento público e ameaça de gargalos urbanos, como violência.

Primeira do País a receber a honraria, em 1980, Ouro Preto (MG) tem dificuldade de conservar seu patrimônio colonial. Um exemplo é a Igreja de Bom Jesus de Matosinhos, fechada para restauro desde 2014. O teto corre risco de desabar e o muro do adro, próximo de uma encosta, cedeu. O monumento abriga uma escultura atribuída a Aleijadinho, que viveu entre os séculos 18 e 19. A reforma é estimada em R$ 4 milhões.

Na Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Antonio Dias, onde foi sepultado o mestre do estilo barroco, a visitação também está restrita por causa de obras, estimadas em R$ 7,6 milhões. As duas intervenções estão previstas desde 2009.

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas informa que a reforma da Igreja Bom Jesus está em “fase preparatória”, com projetos aprovados e orçamento em finalização. Sobre a outra igreja, diz que a reforma teve a 1.ª etapa concluída em 2017 e a atual fase deve acabar no meio de 2020. O acesso é restrito por segurança.

O crescente fluxo de moradores, turistas e veículos na cidade – conhecida também por abrigar festas populares e repúblicas universitárias – é outro obstáculo para equilibrar passado e presente. Segundo a prefeitura, foi criado até um bairro para atrair moradores e estabelecimentos e desafogar o centro histórico. Informou também haver restrições de veículos na área.

Em Olinda, símbolo colonial de Pernambuco, a falta de segurança é uma das queixas. No centro histórico, moradores e turistas relatam medo de andar na rua à noite. A Companhia Independente de Apoio ao Turista, da Polícia Militar, diz haver rondas ostensivas e também monitoramento por câmeras.

História esquecida

No interior do Piauí, a restrição de verba põe em risco o Parque Nacional da Serra da Capivara, patrimônio desde 1991, que abriga importantes pinturas rupestres da América. “Tínhamos 152 funcionários que cuidavam de estradas, infraestrutura do parque, prédios e sítios arqueológicos. Hoje, são sete porque não temos mais dinheiro”, conta a arqueóloga Niéde Guidon, coordenadora da Fundação Museu do Homem Americano, responsável por gerir o parque.

O principal nó foi o fim do contrato, que valia desde 2013, entre a fundação e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No fim de 2018, não houve renovação, o que travou repasses federais. “O fato de ser patrimônio da humanidade obriga o governo a manter o parque, mas a realidade é que os convênios têm sido encerrados”, diz Niéde.

Segundo o Iphan, o termo de acordo “está em tramitação interna” e foram liberados R$ 500 mil para os sítios arqueológicos. E informa que novos servidores estão sendo alocados nas regionais – ao todo, 280 foram alocados neste ano .

Falta de verba

Diretor de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Andrey Schlee afirma que muitos problemas são “reflexo de nossas cidades”, com orçamentos reduzidos. O órgão, diz, dialoga com prefeituras e Estados para resolver problemas básicos, como saneamento e segurança, e ainda com o Congresso por emendas para a área. Ele admite ter havido atraso de verbas federais a cidades históricas por necessidade de adaptar projetos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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