Negócios

Aquisições no foco da JSL

Após reorganização societária, empresa líder no setor de logística sai às compras em meio à pandemia e na expectativa pela retomada total dos negócios.

Crédito: Claudio Belli

EXPANSÃO Fernando Simões, presidente da JSL, faz aquisições estratégicas para complementar os negócios da companhia. (Crédito: Claudio Belli)

O ano de 2020 ficará marcado na história da JSL. Não apenas pelo trabalho desempenhado durante a pandemia. Como parte de uma reorganização societária, a líder brasileira do segmento de logística deixou de exercer o papel de holding e passou a ser exclusivamente uma operadora de serviços, subsidiária da Simpar, acionista criada no segundo semestre. A mudança deu mais autonomia à JSL que, sem perder o embalo, foi às compras e adquiriu 100% das ações da Transmoreno Transportes, por
R$ 310 milhões, e de 75% da Fadel Transporte e Logística, por R$ 159,4 milhões, para expandir os segmentos de atuação. “As aquisições fazem parte da nossa estratégia de continuar crescendo de forma orgânica. São seletivas e complementares”, disse à DINHEIRO Fernando Simões, presidente da JSL.

Com a nova estrutura societária, a Simpar ainda tornou-se controladora das locadoras de carros Movida e de caminhões Vamos, da CB Brasil (serviços para o setor público), da Original Concessionárias e da BBC Leasing, também pertencentes ao grupo. A JSL é especializada em transporte de cargas, logística interna e de commodities, armazenagem, distribuição urbana, além de fretamento e gestão de frota, com atuação em 16 setores da economia, como agronegócio, higiene e limpeza, papel e celulose, automotivo e siderúrgico. “Somos a maior empresa de logística rodoviária e a que opera em mais segmentos.”

A liderança no ramo parece irrisória quando comparada ao market share da empresa. Apesar da receita bruta de R$ 3,7 bilhões em 2019, a JSL tem apenas 0,7% de participação de mercado – as dez maiores do ramo no País somam 1,9%. “O setor é muito fragmentado. É só 0,7%, mas, na verdade, são 35% do volume das dez maiores”, afirmou o executivo. Em países de primeiro mundo, como os Estados Unidos, as dez principais têm entre 35% e 40%. “A maior nos Estados Unidos possui 9%.”

A supremacia no mercado não livrou a JSL dos impactos da pandemia. Após queda de 20% nos negócios em abril e maio do ano passado, puxada principalmente pela paralisação das atividades da indústria automotiva, houve recuperação parcial a partir de junho, com alta de 8%, tendo como impulsionadores os segmentos de higiene e limpeza, saúde, alimentação e agronegócio.

Com a incerteza em relação ao futuro no início da crise de saúde, a empresa reforçou o caixa para enfrentar possíveis adversidades. Foram captados R$ 2,4 bilhões em instituições financeiras entre janeiro e setembro. A JSL fechou o terceiro trimestre com R$ 979 milhões nos cofres. Já a receita bruta atingiu R$ 2,4 bilhões até o fim de setembro – 40% inferior ao mesmo período de 2019. O lucro líquido nos primeiros nove meses do ano caiu quase 60%, para R$ 48 milhões. E os investimentos líquidos neste intervalo chegaram a R$ 126 milhões.

A companhia empregou R$ 14,5 milhões durante a quarentena em diversas iniciativas, como o transporte gratuito de doações pelo País. Além disso, forneceu aos caminhoneiros kits com alimentação para consumo nas viagens, pois muitos restaurantes nas estradas tiveram as atividades suspensas temporariamente. Com 20 mil colaboradores diretos e 13 mil ativos (entre caminhões e máquinas, por exemplo), a empresa paga anualmente R$ 1 bilhão de frete em operações por todo o Brasil e por alguns países do Mercosul, como Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.

Simões revela orgulho ao recordar as ações que transformaram a empresa durante a quarentena, sem esquecer os desafios futuros. Para o executivo, os primeiros seis meses de 2021, no mínimo, ainda serão marcados por muita insegurança. “Na economia, o Brasil real será conhecido apenas no segundo semestre, quando terão passado os efeitos do auxílio emergencial e do fim do complemento salarial pago pelo governo às pessoas que foram afastadas pelas empresas, além do fim do período de carência dado pelos bancos nos vencimentos dos financiamentos.” Apesar das possíveis adversidades na economia, o presidente acredita na retomada do consumo pela população e das atividades plenas nas indústrias, que, segundo ele, terão de buscar mais competitividade e eficiência. “Tudo isso vai gerar oportunidade para as empresas de logística.”

Dados da Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (Abol), com base em estudo realizado pela Fundação Dom Cabral (FDC) sobre o biênio 2019/2020, mostram que 275 empresas do setor são responsáveis por uma receita bruta anual de R$ 100,8 bilhões, com a geração de 1,5 milhão de empregos. A Abol destaca que os impactos da Covid-19 no setor não foram lineares pelo fato de as empresas atuarem em mais de um segmento, como transporte ou armazenagem, por exemplo. “As áreas de saúde, alimentos e higiene registraram crescimento, a exemplo do e-commerce (teve índices superiores a 110% somente em abril, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico)”, disse Cesar Meireles, presidente da Abol.

Com base no levantamento, Meireles afirmou que o setor segue em crescimento anual de dois dígitos e que o período pós-Covid-19 trará mudanças nas cadeias globais de produção, alterando o conceito já consolidado de just in time (fabricação de produto de acordo com a demanda, de forma rápida e sem a necessidade de estoques). A indústria nacional deve se fortalecer, após algumas empresas enfrentarem problemas de falta de insumos para produção em razão da dependência demasiada do mercado globalizado. “Nesse cenário entendemos o posicionamento estratégico e a importância do operador logístico para atender uma nova ordem de coisas que surgirão no próximo normal.” Agora é esperar para ver se as expectativas irão se confirmar.

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