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Apple retira aplicativo polêmico de Hong Kong após advertência da China

Apple retira aplicativo polêmico de Hong Kong após advertência da China

Manifesnte em centro comercial de Hong Kong em 25 de agosto de 2019 - AFP/Arquivos

A empresa americana Apple retirou nesta quinta-feira um aplicativo de transporte urbano que permitia à população de Hong Kong localizar os policiais em um mapa, após a imprensa chinesa acusar o grupo de apoiar o movimento pró-democracia na cidade, anunciou o desenvolvedor da ferramenta.

A empresa apagou o HKmap.live a pedido das autoridades chinesas, enquanto outras marcas e grupos, como a NBA e o time Houston Rockets, estão na mira de Pequim por, supostamente, terem expressado apoio aos manifestantes da ex-colônia britânica.

A imprensa estatal chinesa criticou durante a semana o aplicativo, que informa a localização dos policiais graças à colaboração dos usuários, por considerar que auxilia os “agitadores”.

O Diário do Povo afirmou que, ao disponibilizar o aplicativo, a Apple estava “misturando negócios e política, e inclusive atos ilegais”.

Nesta quinta-feira, o aplicativo não era mais encontrado na App Store da Apple em Hong Kong.

“Verificamos com o Escritório de Cibersegurança de Hong Kong e Luta contra os Crimes Tecnológicos que o aplicativo estava sendo usado para encontrar a polícia”, afirmou a Apple em um comunicado, publicado no canal do Telegram do HKmap.live, que tem mais de 70.000 usuários.

“Foi utilizado por criminosos para prejudicar os moradores de zonas em que sabiam que não havia forças de segurança”, completa o texto.

Os desenvolvedores do HKmap.live negaram que o aplicativo estimule qualquer atividade criminosa e afirmaram que a decisão da Apple constitui um ato de “censura” e uma “decisão claramente política para diminuir a liberdade”.

As versões do HKmap.live para Android estavam disponíveis para download nesta quinta-feira.

A ex-colônia britânica é cenário há quatro meses de uma crise política sem precedentes desde sua devolução à China, em 1997, com manifestações quase diárias para exigir mais liberdades e denunciar as crescentes interferências de Pequim nas questões da região, semiautônoma.

Os moradores de Hong Kong reclamaram da decisão da Apple nas redes sociais.

“Muitas pessoas estão assustadas pelo uso por parte da polícia de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Elas usam o aplicativo para evitar os bandidos descontrolados da polícia”, escreveu o deputado pró-democracia Charles Mok no Facebook.

“A Apple sabe que o aplicativo tem a função de proteger a segurança das pessoas?”, completou.

A Apple tomou a decisão depois de eliminar, também esta semana, o emoticon da bandeira de Taiwan de seu sistema operacional iOS 13 para os usuários de Hong Kong e de Macau. O símbolo, no entanto, permanece disponível nos telefones com contas da Apple estabelecidas em outras jurisdições.

A organização de notícias econômicas Quartz anunciou que seu aplicativo foi retirado da versão chinesa da App Store da Apple após as queixas do governo de Pequim.

Fontes da Quartz afirmaram ao portal The Verge acreditar que a proibição foi motivada pela cobertura dos protestos. Além disso, eles informaram que a Apple enviou uma notificação com a explicação de que o aplicativo para celulares “incluía conteúdo ilegal na China”.

Outras empresas e marcas internacionais foram afetadas recentemente por advertências similares do governo chinês, que não tolera atitudes contrárias às determinadas pelo Partido Comunista em questões sensíveis como Hong Kong ou Xinjiang.

Esta semana, o canal público CCTV cancelou a exibição de partidas da NBA depois que o diretor executivo do Houston Rockets, Daryl Morey, expressou apoio aos manifestantes de Hong Kong em uma mensagem no Twitter. Vários patrocinadores chineses cortaram laços com a NBA.

A empresa americana joias Tiffany & Co. teve que retirar um anúncio publicitário que os consumidores chineses interpretaram como um apoio aos manifestantes de Hong Kong.

A fabricante de calçados Vans eliminou duas candidaturas de um concurso de design online que mostravam imagens dos protestos.