Finanças

Aposta na ação coordenada de BCs no Brasil e exterior cresce e derruba taxas

Crédito: AFP

O setor está entre os mais afetados pela crise gerada pela pandemia de covid-19. A estimativa é de liberação de R$ 40 bilhões (Crédito: AFP)

Março começou com forte ajuste na curva de juros doméstica em função do aumento da percepção de que o mundo terá um novo período de flexibilização monetária como forma de amenizar os impactos econômicos do coronavírus. As taxas recuaram em bloco, com mais força no trecho intermediário, onde o alívio foi em torno de 20 a 30 pontos-base. A ampliação das apostas de redução da Selic provocou queda na ponta curta, com a curva precificando em torno de 40% de chance de corte de 0,25 ponto porcentual da taxa básica no Comitê de Política Monetária (Copom) de março. Desse modo, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou pela primeira vez abaixo de 4% a etapa regular.

O DI para janeiro de 2021 fechou com taxa de 3,965% (regular) e 4,000% (estendida), de 4,095% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2022 encerrou em 4,36% (regular) e 4,44% (estendida), 4,591% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2027 encerrou com taxa de 6,41% (regular) e 6,44% (estendida), de 6,631%.

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O CME Group aponta 100% de chance de corte de 0,5 ponto no juro pelo Federal Reserve em março e 63% de probabilidade de uma redução de 0,25 ponto no juro inglês pelo Banco da Inglaterra (BoE). O Banco do Japão (BoJ) disse que vai “se esforçará para prover ampla liquidez e assegurar estabilidade em mercados”. Amanhã, os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais do G7 realizarão uma teleconferência para discutir uma resposta à ameaça do coronavírus à economia.



Essa atuação “conjunta”, é vista como necessária para tentar aplacar a espiral negativa nas economias provocada pela epidemia, que já contaminou 87 mil pessoas. A preocupação maior é com a expansão dos casos fora da China, sobretudo Itália, mais difícil de controlar. “Não é possível fazer o mesmo esquema que foi feito na China. Não dá para fechar Milão”, afirmou Paulo Nepomuceno, da área de renda fixa da Terra Investimentos.

Apesar dos sinais preocupantes do fim de semana, o tombo do PMI Industrial da China entre janeiro (50) e fevereiro (35,7) e a primeira morte por coronavírus nos Estados Unidos, o mercado passou a olhar o “copo meio cheio”, apostando na ação dos bancos centrais. No caso dos juros locais, a reação foi ainda mais evidente, com boa predisposição vendedora, na medida em que na sexta-feira a divulgação do comunicado do Federal Reserve ocorreu com os negócios já na sessão estendida. No comunicado, o Fed afirmou que usará “nossos instrumentos para agir conforme apropriado para apoiar a economia”.

Nos curtos, os contratos chegaram a mostrar pela manhã aposta majoritária de queda da Selic em março, de 54%, ante 46% de possibilidade de manutenção no nível de 4,25%. À tarde, esse movimento refluiu um pouco, com a curva apontando 40% de probabilidade, ante 25% na sexta-feira. Para maio, há 35% de chance e em junho, 25%, de redução de 0,25 ponto. Os cálculos são do Haitong Banco de Investimentos.

Nos Departamentos Econômicos, as revisões para baixo no PIB e na Selic seguem a todo vapor e, assim, a mudança na mediana do PIB, de 2,20% para 2,17%, parece já atrasada. Hoje foi a vez do Asa Bank revisar sua estimativa de crescimento da economia este ano, de 2,0% para 1,5%, vendo agora três cortes de 0,25 ponto na Selic a partir de maio, com a taxa encerrando o ano em 3,50%.

Contato: denise.abarca@estadao.com

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