Finanças

Após três altas, Bolsa fecha em baixa de 0,39%, aos 119.260,82 pontos

Crédito: Divulgação - B3

Na B3, o giro foi de R$ 30,3 bilhões, com o Ibovespa em margem de variação mais estreita na sessão, entre mínima de 118.917,65 e máxima de 120.559,98 pontos (Crédito: Divulgação - B3)

O Ibovespa teve um dia de acomodação após emendar três altas que colocavam os ganhos neste princípio de mês a 4%, mais do que revertendo as perdas que haviam se acumulado em janeiro (-3,32%). Hoje, o índice da B3 fechou em leve baixa de 0,39%, a 119.260,82 pontos, em sessão na qual o dólar voltou a ficar pressionado, em alta de 1,47%, a R$ 5,4493.

O índice DXY, que contrapõe a moeda americana a referências como euro, iene e libra, operou hoje no maior nível em dois meses, em meio à percepção de que a economia americana manterá desempenho superior ao da europeia, em razão de avanço mais acelerado da vacinação nos EUA do que no velho continente, afetando o ritmo de retomada das atividades.

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Na B3, o giro foi de R$ 30,3 bilhões, com o Ibovespa em margem de variação mais estreita na sessão, entre mínima de 118.917,65 e máxima de 120.559,98 pontos, saindo de abertura aos 119.727,75. Em fevereiro, os ganhos estão agora em 3,64%, assegurando moderada alta de 0,20% no ano. Hoje, o bom desempenho das ações do Bradesco foi contrabalançado por performance negativa no setor de siderurgia e no de commodities – ao fim, Petrobras PN e ON mostravam leve perda de 0,10%, com ganhos nesta primeira semana do mês em 7,98% e 7,10%, respectivamente.

Na ponta do Ibovespa nesta quinta-feira, Bradesco ON (+3,07%) e PN (+3,01%) refletiram a divulgação, na noite anterior, do maior lucro líquido recorrente da história da instituição, no quarto trimestre de 2020 – destaque também para CVC (+3,02% na sessão). Por sua vez, Vale ON fechou o dia em sinal negativo, acentuando perdas no fim da sessão (-1,26%), após o acordo de R$ 37,6 bilhões em reparações ao Estado de Minas pelos danos do rompimento da barragem em Brumadinho ter sido amplamente antecipado ontem pelo mercado.

O acordo, firmado hoje, veio em linha com o esperado, equivalendo a dois terços do que era originalmente pretendido pelo poder público, observa Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. Para Daniel Sasson, analista do Itaú BBA, o entendimento pode ajudar a reduzir o atual desconto nas ações da empresa quando comparada às concorrentes australianas, enquanto Leonardo Correa, analista do BTG Pactual, destaca que o acerto permitirá à mineradora brasileira “virar a página”, com desembolso abaixo do inicialmente pretendido pelas autoridades para as reparações (R$ 54 bilhões).

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No quadro mais amplo, a indicação dada pelo presidente Jair Bolsonaro de que deve fazer amanhã um anúncio sobre combustíveis, possivelmente relacionado a tributos ou a frequência de reajustes, causou algum incômodo no mercado, sempre atento a ingerências políticas em questões econômicas que impactam as contas públicas e a formação dos preços – esta semana, evitou-se uma greve de caminhoneiros cuja pauta estava centrada no custo do diesel.

“Hoje, o que mais chamou atenção foi a forte alta do dólar e dos juros futuros, fruto de possível intervenção estatal no preço dos combustíveis. Em evento no Paraná, Bolsonaro afirmou que não poderia dar detalhes do que seria anunciado, mas disse que o imposto cobrado pelo governo federal, o PIS/Cofins, é previsível, em 33 centavos por litro, enquanto o ICMS, cobrado pelos Estados, ‘pode mudar de hoje para amanhã'”, diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.

“Com o dia positivo lá fora, era de se esperar que acompanharíamos aqui. Após rali bastante sólido no Ibovespa entre novembro e a primeira semana de janeiro, é natural que o mercado se questione sobre o curto prazo, que fique mais sensível, na margem, a cada novo desdobramento do noticiário”, observa Guto Leite, gestor de renda variável da Western Asset.

*Com Mariana Durão e Wagner Gomes

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