Economia

Após críticas, Amazon desiste de nova sede em Nova York

Após críticas, Amazon desiste de nova sede em Nova York

Crédito: AFP/Arquivos


As críticas aumentaram nos últimos três meses e acabaram surtindo efeito: a gigante do comércio digital Amazon anunciou mesta quinta-feira (14) a decisão de abandonar seu projeto de estabelecer uma nova sede em Nova York, diante do forte questionamento de líderes políticos locais.

“Depois de muita reflexão e deliberação, decidimos não manter nossos planos de construir uma nova sede” em Nova York, anunciou a empresa em seu blog.

“Um considerável número de políticos locais deixou claro que se opõem à nossa presença e que eles não trabalharão conosco para construir o tipo de relacionamento necessário para continuar com este projeto”, acrescentou.

Depois de avaliar uma série de cidades nos Estados Unidos por meses, a Amazon, uma empresa em rápido crescimento, com sede em Seattle, anunciou em novembro que construiria dois novos locais de trabalho, um em Nova York e outro nos arredores de Washington.

Desde então, vários democratas nova-iorquinos se levantaram contra a proposta: denunciaram os 3 bilhões de dólares em incentivos fiscais prometidos à empresa, o aumento esperado nos preços das casas, a saturação do metrô no bairro, passando pela ausência de sindicatos na Amazon e de consulta pública durante as negociações com o prefeito e o governador de Nova York.

– Sem alternativa –

Depois de retirar o projeto desta nova sede em Long Island, Queens, que criaria 25 mil empregos, a Amazon disse que não reabrirá o processo de licitação. De qualquer forma, informou que “seguirá como planejado” com a matriz no norte da Virgínia, com 25.000 empregos planejados, e um centro de logística em Nashville, Tennessee, com 5.000 vagas.

O anúncio pode ser mal visto por grande parte nova-iorquinos, mas pesquisas mostram que a maioria seria a favor do projeto diante da possibilidade de que a chegada do gigante digital forneceria um impulso econômico para a capital financeira dos Estados Unidos.

Na sexta-feira, o governador democrata Andrew Cuomo havia avisado que os críticos brincavam “perigosamente” com o fogo, depois que o Washington Post citou fontes anônimas da empresa sobre o possível abandono do plano.

Bill de Blasio, o prefeito de Nova York, que trabalhou com Cuomo, rechaçou a decisão da empresa.

“Oferecemos à Amazon a possibilidade de ser bons vizinhos e fazer negócios na cidade mais maravilhosa do mundo”, disse ele em um comunicado. “A Amazon rejeitou essa possibilidade, temos os melhores talentos (…) Se a Amazon não reconhecer nosso valor, seus concorrentes verão”.

Várias pesquisas mostraram que os nova-iorquinos eram majoritariamente favoráveis à nova sede, eles também refletiam as diferenças profundas de acordo com as classes sociais e origens étnicas dos entrevistados.

Nesse sentido, a pesquisa mais recente, publicada na terça-feira pelo Siena College, mostrou que 58% dos eleitores eram a favor, enquanto 35% se opunham. Mas a taxa de aprovação subiu para 70% entre os eleitores negros e 80% entre os hispânicos.

Enquanto uma residente de Long Island se disse “aliviado”, pois temia pelo aumento do aluguel, um empresário do setor de construção denunciou a “decisão execrável” dos legisladores locais que se opuseram à Amazon.

“Eles têm apenas uma visão de curto prazo”, condenou David Katzen. “E agora, o que vai acontecer aqui? Nada, nada de bom sai de tudo isso”, lamentou.