Semana

Após cortes na educação, Bolsonaro destina quase R$ 5 bilhões para vantagens a militares

Crédito: Isac Nóbrega/PR

Economia

Enquanto setores como educação, cultura e ciência sofrem com cortes pesados instituídos pelo presidente Jair Bolsonaro, o governo federal acaba de anunciar que o orçamento para o ano que vem terá R$ 4,7 bilhões totalmente dedicados a vantagens para militares. Essa dinheirama toda será destinada para benefícios na reforma da Previdenciária da carreira. Para as Forças Armadas, a reforma planeja a criação do adicional de disponibilidade, além de elevar o chamado adicional de habilitação — valor recebido pelos militares que fazem cursos de qualificação profissional. Com essas vantagens concedidas pelo capitão Bolsonaro aos seus amigos de farda, fica cada vez mais claro que as prioridades do presidente da República realmente são outras.

 

Política

Senadores apresentam 77 emendas à reforma da Previdência

E a reforma da Previdência segue fazendo barulho. O prazo para os senadores apresentarem emendas ao projeto acabou na segunda-feira 16, com nada menos do que 77 sugestões de alterações ao texto. Entre as propostas dos senadores estão a de permitir que o beneficiário acumule mais de uma pensão por morte, a criação de novas regras de transição para todos (sejam servidores públicos ou segurados do INSS), além de permitir que mulheres se aposentem com 33 anos de contribuição (e 55 de idade) e homens, com 38 anos de contribuição (60 de idade). O pacotão preocupa o governo Bolsonaro, que quer aprovar a reforma o quanto antes. Por isso, o próprio presidente tem apelado ao relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), senador Tasso Jereissati, e a outros parlamentares defensores da reforma para que não aprovem mais nenhuma modificação. O maior temor do governo é que a reforma fique ainda mais desidratada. Paulo Guedes previa uma economia aos cofres federais acima de R$ 1 trilhão. Com as alterações já aprovadas, esse valor está na casa dos R$ 870 bilhões. Se bobear, cai ainda mais.

 

Negócio

Natura anuncia subsidiária em Singapura

Depois de comprar a Avon, por cerca de R$ 15 bilhões — dando origem à maior empresa de venda direta do planeta, avaliada em R$ 45 bilhões —, a Natura continua expandindo seus negócios. Na segunda-feira 16, a fabricante de cosméticos anunciou que o seu conselho de administração aprovou a constituição de uma subsidiária em Singapura, na Ásia. A decisão foi registrada em ata de reunião do colegiado e reforça, ainda mais, o crescimento da companhia brasileira. Hoje, a Natura tem faturamento em torno de R$ 40 bilhões e mais de 40 mil funcionários.

 

Meio Ambiente

Pesquisa internacional relaciona produção de carne a desmatamento da Amazônia

Um relatório internacional, divulgado na terça-feira 17, deve causar tremores no agronegócio nacional. Segundo estudo realizado pela plataforma Trase — ferramenta de transparência que avalia o impacto de cadeias de suprimento no meio ambiente —, a demanda global pela carne brasileira causou o desmatamento de cerca de 6 mil quilômetros quadrados da Floresta Amazônica, por ano. A área equivale a quase quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo. O mapeamento da Trase considerou números obtidos entre os anos de 2015 e 2017 e tem o objetivo de identificar onde estão os consumidores da carne produzida a partir do desmatamento da Amazônia. A pesquisa liga os 3 mil municípios criadores de gado no Brasil a mais de 200 empresas exportadoras de carne e gado vivo. Na outra ponta, aparecem 3 mil empresas importadoras desses produtos, que atuam em quase 150 países. Como é cada vez maior o número de pessoas e companhias que exigem certificação de sustentabilidade dos seus fornecedores, o relatório da Trase pode causar enormes prejuízos ao Brasil. Cerca de 15% de todo o desmatamento levantado pelo estudo estão diretamente conectados às exportações para várias regiões do planeta, como China, Hong Kong e Rússia.

 

Digital

Maior app de mensagens do Japão lança corretora de criptomoedas

Divulgação

Foi lançada na quarta-feira 18 a mais nova corretora de criptomoedas do mundo: a Bitmax. À frente do negócio está a LVC Corporation, que pertence à LINE, dona do maior aplicativo de mensagens do Japão. A LVC divulgou a novidade logo após ser autorizada pela Agência de Serviços Financeiros do Japão a operar moedas digitais. De acordo com o comunicado oficial da companhia, “a bolsa Bitmax permitirá que os usuários negociem cinco tipos de criptomoedas: Bitcoin, Ethereum, Ripple, Bitcoin Cash e Litecoin”. Os investidores de moedas digitais poderão acessar a Bitmax por meio do app de mensagens LINE, que hoje tem mais de 80 milhões de usuários no Japão e cerca de 160 milhões em todo o planeta.

 

Economia

Presidente do BNDES: “Privatizações devem acelerar em 2020”

Em encontro realizado para investidores, em Nova York, na terça-feira 17, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, disse que a instituição não deve executar nenhuma privatização este ano, mas que as vendas de estatais “devem acelerar em 2020”. Segundo Montezano, os Correios são uma das empresas com grandes chances de ser privada no ano que vem. O receio do executivo é perder o momento certo para vender a companhia. “Se não privatizarmos os Correios em breve, pode ficar tarde demais para vendê-lo”, disse. Sobre a Eletrobras, ele destacou que se trata de um processo mais complexo, que prescinde de estudos mais detalhados.

 

Números

5,5% – É a nova taxa de juros, ao ano, do Brasil. Ela foi definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira 18. O corte de meio ponto percentual coloca a taxa Selic em sua menor cotação histórica.

R$ 430 milhões – É o valor recuperado pela Lava Jato e que, por determinação do Governo Federal, será destinado a ações de combate a queimadas e preservação da Amazônia. Desse total, R$ 215 milhões (50%) serão divididos entre os nove estados da região, dando R$ 23,8 milhões para cada.

R$ 8,3 bilhões – É quanto o governo vai desbloquear do orçamento federal, até o fim deste mês, segundo o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Hoje, há cerca de R$ 35 bilhões bloqueados nos cofres federais.

R$ 11 bilhões – É o total da dívida que o agronegócio tem com o Fundo de Assistência do Trabalhador Rural (Funrural) do governo federal. O Ministério da Economia estuda perdoar essa dívida.