“Apesar dos políticos, cresceremos”

“Apesar dos políticos, cresceremos”

O empresário Edgard Corona, do grupo Bio Ritmo, que engloba as marcas Bio Ritmo e Smart Fit, já é dono da quarta maior rede de academias de ginástica do mundo, atendendo mais de 1,3 milhão de alunos. Mas ele quer muito mais. Com investimentos de R$ 300 milhões neste ano, ele pretende fechar 2017 com 500 academias – 350 no Brasil e outras 150 espalhadas em países da América Latina. “Em cinco anos, teremos 1 mil unidades, no total, e atenderemos 3,5 milhões de alunos”, diz ele. Sua rede mais acessível, a Smart Fit, iniciará operações em países como Argentina, Equador e Paraguai. Corona falou com a coluna:

Como a crise impactou o setor de academias?
O que machuca muito o setor é uma recessão brutal com uma inflação alta. Se eu vendi um plano com mensalidade de R$ 100 por mês, só consigo repassar uma inflação de 11% no ano seguinte. Aumenta o custo e fica difícil operar. Por isso, muitas academias fecharam.

Mas as pessoas deixam de fazer academia na crise?
Uma turma para e outra turma faz um downgrade para planos mais baixos. No nosso caso, como temos um preço mais barato e boa parte das academias fechou, capturamos clientes nos permitindo ter um crescimento razoável em 2016 e estamos contando com um crescimento melhor em 2017.

Então não foi ruim para a empresa?
Não, mas reduzimos o nosso ritmo de crescimento. Antes, fazíamos 45 lojas por ano e fizemos 18 no ano passado. Neste ano, abriremos 49 unidades no Brasil.

A que se deve esse otimismo?
Os juros estão baixando, a recessão está acabando e o País se estabilizando com um discreto crescimento… Também estamos entrando em regiões onde não operávamos.

Por exemplo?
Em Salvador, em Curitiba, reforçando a presença no interior de São Paulo, e também abrindo mais unidades no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Até o fim do ano, juntando com América Latina, chegaremos perto de 500 unidades. Desse total, 350 serão no Brasil e o restante em países latinos.

Como está a operação no Exterior?
No ano passado, iniciamos operação na Colômbia e estamos na República Dominicana, México, Peru e Chile. Neste ano, vamos entrar no Equador, na Argentina e no Paraguai. Na Argentina, queremos chegar a 100 unidades em cinco anos.

Todas com a marca SmartFit?
Sim, sem dúvida. Pelo preço da mensalidade, tem mais espaço para crescer e capturar mais gente.

Qual é o mix ideal de lojas no Brasil e no Exterior?
Em cinco anos, a meta é ter 550 unidades no Brasil e outras 450 no Exterior. O investimento será de US$ 500 milhões. E chegaremos nesse número, com certeza. Só neste ano, na América Latina inteira, vou abrir 130 unidades. Teremos 3,5 milhões de alunos em cinco anos, seremos a segunda maior rede do mundo.

O senhor pensa em abrir o capital?
Por enquanto, não. Os investimentos para o próximo ano estão equacionados. Mas, no ano que vem, o IPO pode ser uma possibilidade.

Por que a empresa optou pela expansão internacional?
Porque o Brasil é um pouco instável. A macroeconomia brasileira, em 2011 e 2012, apesar da euforia que existia, estava indo na contramão do que países responsáveis faziam. Ou seja, aumento de gasto público, de funcionários, de inchaço estatal… A gente achava que o Brasil podia dar uma soluçada. E olhar para outros países dá uma diluída no risco e melhora o equilíbrio da operação. Além disso, uma empresa latino-americana tem mais valor do que uma empresa brasileira.

Foi para se proteger das turbulências do Brasil?
É, mas tem problema de todos os lados. Vai no México e tem o muro do Trump… É que não chacoalha tudo ao mesmo tempo. Então está ruim aqui, mas está bom ali.

Em qual país a sua operação cresce mais?
No México, eu tenho 70 unidades e vamos para 100 neste ano. Na Colômbia, temos 20 unidades e vamos dobrar.

E partir para outros países como os Estados Unidos?
Tem oportunidade, o nosso modelo é bom, mas é um jogo muito grande e não temos caixa para tudo. É preciso ter disciplina fiscal.

Falando em disciplina fiscal, como o senhor tem acompanhado o momento político no Brasil?
Acho que estamos com os ânimos exacerbados, criando um estado policialesco. Mas os juros vão cair e, apesar dos políticos, cresceremos. Se olhar muito para a política, você perde oportunidade. E os políticos têm de ter juízo para aprovar as reformas.

(Nota publicada na Edição 1024 da Revista Dinheiro, com colaboração de: Machado da Costa)

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