Negócios

Aos 100 anos, bilionário mais velho do mundo vai ao escritório todos os dias

Com fortuna de US$ 1,9 bilhão, fundador da Pacific International Lines (PIL), Chang Yun Chung, faz questão de estar presente no cotidiano da empresa

Aos 100 anos, bilionário mais velho do mundo vai ao escritório todos os dias

O presidente emérito da PIL, Chang Yun Chung (sentado), ao lado do filho, Teo Siong Seng

Aos 100 anos, o bilionário mais velho do mundo ainda vai todos os dias ao escritório para cumprir suas obrigações. Ter vencido a casa do centenário e acumular uma fortuna de US$ 1,9 bilhão não foi desculpa para Chang Yun Chung, fundador da Pacific International Lines (PIL), ficar em casa e aproveitar o sossego da aposentadoria.

Até o início deste ano, Chang ainda respondia pelo cargo de presidente-executivo da companhia de navegação criada em Cingapura, em 1967. Agora a responsabilidade é do seu filho, Teo Siong Seng, mas, mesmo assim, o bilionário centenário faz questão de estar diariamente presente nos assuntos da empresa.

“É meu hábito”, Chang disse em entrevista à CNBC. “Eu não posso ficar em casa. Eu ficaria muito, muito entediado.”

Além de acompanhar de perto o trabalho da empresa, Chang ainda guia o filho na direção da PIL, uma das 20 maiores companhias de navegação do mundo e com 18 mil funcionários.

Lições ao filho

O filho diz que consulta o pai duas vezes por dia – uma pela manhã e outra depois do almoço -, para aprender mais sobre liderança. As conversas, diz o filho, o ajudam a entender melhor o estilo da empresa e como tratar com os funcionários.

“Quando eu era mais jovem, eu era mais mal-humorado, então eu era um líder mais duro”, diz Teo. “Mas meu pai me ensinou uma coisa, em chinês, é ‘yi de fu ren’ – significa que você quer que as pessoas lhe obedeçam, não por sua autoridade, não por seu poder, ou porque você é feroz, mas por causa da sua integridade, sua qualidade, que as pessoas realmente o respeitem e escutem você.”

As lições do pai se mostraram valiosas, especialmente em um episódio em 2009, quando uma das embarcações da PIL foi sequestrada por piratas na costa leste da África. À época, Téo era o diretor-administrativo da empresa e foi o responsável pelas negociações. Ao fim de 75 dias, a tripulação e a embarcação foram liberados, por um valor nunca divulgado.

“Em qualquer negócio, especialmente no transporte, há muita coisa desconhecida”, disse Teo. “Pode haver questões políticas, pode haver problemas técnicos, pode haver acidentes. Não ajuda perder a paciência e ficar estressado. Então, ficar calmo é algo que aprendi com ele e ainda estou aprendendo.”

Para o bilionário, foi esta filosofia que o fez, e ainda faz, feliz em seu papel dentro da empresa. “Eu nunca perco a paciência”, disse ele. “Eu não posso. Quando você perde a paciência, simplesmente não consegue se controlar.”