Dinheiro em Ação

Ano difícil para a Via Varejo

Crédito: Divulgação

Papéis avulsos

Mesmo registrando um crescimento de 4,7% em seu faturamento no ano passado, que avançou de R$ 25,7 bilhões para R$ 26,9 bilhões, a Via Varejo apresentou uma piora nos resultados. Na ponta do lápis, a companhia sofreu um prejuízo de R$ 267 milhões, ante um lucro de R$ 195 milhões no exercício de 2017. A abertura de 64 novas lojas nos últimos 12 meses ampliou as vendas por meio desse canal em 4,6%, para R$ 24 bilhões. Mesmo assim, a companhia que controla as redes Casas Bahia e Ponto Frio teve de enfrentar um cenário adverso, com o aumento da agressividade da concorrência e a adoção de uma política mais conservadora na concessão de crédito. Segundo a analista Giovana Scottini, da Eleven Financial, a companhia está tendo mais dificuldades do que o esperado na integração entre sua rede física e as ferramentas de vendas online. Além disso, a Via Varejo ainda não concluiu seu processo de reestruturação. Mesmo assim, segundo a analista, as ações ainda estão mais baratas que as de outras empresas do setor, e o varejo poderá ser beneficiado com as perspectivas de melhora das condições econômicas ao longo do ano.

 

Telefonia

Lucro da Vivo dobra em 2018

O lucro da Telefônica Brasil, que opera com a marca Vivo, praticamente dobrou em 2018. O resultado subiu para R$ 8,9 bilhões, alta de 93,7% ante os R$ 4,61 bilhões de 2017. A empresa presidida por Christian Mauad Gebara foi beneficiada principalmente pela decisão da Justiça que excluiu o ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, um resultado não-recorrente. No ano, as ações sobem 3,3%.

 

Touro x Urso

Subir no boato, cair no fato. Foi o comportamento da bolsa na quarta-feira 20 de fevereiro, quando o projeto do governo de reforma da Previdência foi apresentado ao Congresso. Considerado mais ambicioso que a proposta do ex-presidente Michel Temer, o texto visa reduzir as despesas públicas em R$ 1 trilhão ao longo dos próximos dez anos. mas os investidores não se animaram. Na quarta-feira, o Índice Bovespa caiu 1,1% e fechou a 96.545 pontos

 

Alimentos

S&P rebaixa nota da BRF

A agência de classificação de risco americana Standard & Poor’s (S&P) rebaixou a classificação de risco da BRF na noite da quarta-feira 20. A nota global caiu de BB para BB-, e a nota brasileira caiu de brAAA para brAA+. Segundo a S&P, a empresa presidida por Pedro Parente permanece endividada “apesar da substancial venda de ativos, do refinanciamento de dívidas e da melhora gradativa do desempenho operacional”. A BRF ainda poderá ser afetada pela volatilidade do mercado externo e pelos desdobramentos da operação Carne Fraca. “Esses elementos poderão ampliar a volatilidade do lucro e atrasar mais a melhora das métricas”, informou a agência.

 

Destaque no pregão

Itaúsa aumenta dividendos

A melhora dos resultados da Duratex, cujos lucros cresceram 134% em 2018, e a adoção de uma política agressiva de pagamento de dividendos pelo Itaú Unibanco turbinaram os resultados da Itaúsa, companhia que concentra as participações em empresas financeiras e industriais do grupo. No ano, o lucro foi de R$ 9,4 bilhões, alta de 12,2% e de R$ 1 bilhão ante os R$ 8,4 bilhões de 2017. A companhia presidida por Alfredo Egydio Setubal adotou a filosofia do banco e ampliou em 33% o pagamento de dividendos. A partir deste ano, o dividendo trimestral subirá para R$ 0,02 por ação, ante o R$ 0,015 válido até 2018. A Itaúsa também anunciou um dividendo adicional, que vai elevar o total de proventos para R$ 1,00 e distribuirá 94% dos lucros.

Palavra do analista:
Segundo Tatiana Brandt, analista da Eleven Financial, a Itaúsa reportou mais um ano de sólidos resultados, com crescimento do lucro líquido e dos proventos destinados aos seus acionistas. Ela recomenda a compra da ação, pois considera a empresa resiliente.

 

Siderugia

Taurus mira na Índia

A Taurus Armas anunciou, na segunda-feira 18, que assinou um memorando de entendimento para montar uma joint-venture com uma siderúrgica indiana. A meta é produzir armas na Índia e participar de licitações para as forças armadas e para os departamentos de polícia. As ações sobem 11,1% no ano.

 

Seguros

Caixa venderá ações do IRB

Um fundo de investimentos da Caixa Econômica Federal vai vender 27,6 milhões de ações ordinárias do IRB. A participação, que equivale a 8,8% do total de ações da empresa, será vendida em uma oferta pública com esforços restritos. O preço da venda dependerá da demanda, e terá como ponto de partida os R$ 92 por ação do fechamento do pregão de 14 de fevereiro.

 

 

Mercado em números

CSN
US$ 500 milhões – É quanto a CSN vai receber da suíça Glencore como pré-pagamento da venda de 22 milhões de toneladas de minério pelos próximos cinco anos. A operação te o objetivo de reduzir as dívidas do grupo

ULTRAPAR
1,11 bilhão – Será o número de ações em circulação da empresa de participações após o desdobramento de suas ações, ainda sem data. A medida visa reduzir o preço unitário dos papéis e aumentar sua liquidez

CIELO
2,17 milhões – É a quantidade de ações ordinárias da processadora de pagamentos que serão recompradas pela empresa. A recompra ocorrerá em duas fases: 1,1 milhão no início de março e 1,07 milhão em agosto

SANTOS BRASIL
R$ 300 milhões – É quanto a empresa vai captar por meio de uma colocação privada de debêntures simples. Os papéis serão emitidos em duas séries, com prazos de cinco e de sete anos

MARISA
R$ 55 milhões – É quanto a rede de varejo vai captar com a emissão de debêntures simples, com dois anos de prazo. Os papéis vão pagar CDI mais 1,8% ao ano

 

O número da semana

8,00%

É a meta da taxa de juros referencial Selic para 2020, 2021 e 2022, segundo a edição mais recente da pesquisa de mercado Focus, elaborada pelo Banco Central (BC). A pesquisa Focus é considerada uma expectativa “oficial” do mercado financeiro para indicadores essenciais da economia, como crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e taxas de inflação, de câmbio e de juros. E, pelas contas do mercado, apesar de a inflação poder oscilar um pouco, praticamente nenhum cenário contempla a volta das taxas ao patamar de dois dígitos. Segundo Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, a taxa neutra de juros reais da economia brasileira – em que não há nem aquecimento nem desaceleração da economia – recuou estruturalmente. No início da década era algo como 6% ao ano, mas agora está ao redor de 3%. Segundo Mesquita, a causa é o aumento da concorrência bancária e a maior seletividade dos tomadores de crédito.

 

 

Entrevista da semana

“A gestão de fortunas cresceu 12% em 2018”

Antonio Costa, presidente da Azimut Brasil Wealth Management

Crédito: Leonardo Rodrigues

Vinculado a um grupo financeiro de origem italiana, o braço de gestão de fortunas (wealth management) da Azimut no Brasil administra R$ 6,7 bilhões. Somando-se a gestora de fundos AZ Quest, o total de recursos geridos ultrapassa R$ 23 bilhões. Costa conversou com a DINHEIRO

Os investidores estão otimistas?
Notamos uma melhora do humor do mercado, especialmente em relação ao cenário doméstico. Quando o cenário eleitoral ficou mais definido, no fim do ano passado, os juros de longo prazo baixaram significativamente, o que vem sustentando um movimento de alta nas ações.

Onde os donos de fortunas devem investir?
Nossa avaliação é de um movimento em direção a correr mais riscos. Em termos gerais, a recomendação é de reduzir a alocação na renda fixa, passando de uma estratégia em que fundos multimercados e ações têm mais peso. Nós, e outras empresas que administram fortunas, já temos captado movimentos desse tipo no mercado.

Como está essa atividade?
A gestão de fortunas no Brasil está crescendo de maneira orgânica. Esse mercado em geral aumenta de tamanho quando ocorrem eventos de formação de riqueza, como grandes aberturas de capital em Bolsa e operações de fusões e aquisições. Em 2018 houve apenas três aberturas de capital.

O Brasil vem crescendo?
No ano passado, o mercado cresceu 12% e o total de recursos administrados em fortunas e private bank atingiu R$ 1 trilhão. Não são os 20% de crescimento do início da década, mas está bem acima da média dos três últimos anos, que não chegou a dois dígitos. No caso da nossa empresa, os números são bem melhores. Em 2017 e 2018 crescemos, em termos compostos, 82% e chegamos a R$ 6,7 bilhões. Temos diversas operações em preparação, e esperamos romper a barreira de R$ 7 bilhões em breve.