SÃO PAULO (Reuters) – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou nesta sexta-feira que a conta de luz dos brasileiros permanecerá em setembro com a bandeira tarifária vermelha patamar 2, o nível mais elevado de custos extras, em meio à grave crise hídrica enfrentada pelo país.

Apesar do anúncio, a entidade ainda não definiu o valor para a bandeira no mês que vem. Em nota, a Aneel afirmou que os valores estão em análise e serão divulgados posteriormente –em agosto, a bandeira vermelha patamar 2 teve custo adicional de 9,492 reais para cada 100 kilowatts-hora consumidos.

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A agência destacou que o registro sobre as afluências às principais bacias hidrográficas continuou entre os mais críticos do histórico em agosto, mês classificado como “de severidade para o regime hidrológico”.

A crise hídrica demanda um acionamento maior de termelétricas, que são mais custosas.

“A perspectiva para setembro não deve se alterar significativamente, com os principais reservatórios do SIN (Sistema Interligado Nacional) atingindo níveis consideravelmente baixos para essa época do ano”, afirmou a Aneel.

Previsões divulgadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) nesta sexta-feira corroboram a avaliação, indicando que todos os subsistemas do país permanecerão com chuvas abaixo da média nas áreas dos reservatórios de usinas hidrelétricas, que enfrentam a pior seca em mais de 90 anos.

“Essa conjuntura sinaliza horizonte com reduzida capacidade de produção hidrelétrica e necessidade de acionamento máximo dos recursos termelétricos, pressionando os custos relacionados ao risco hidrológico (GSF) e o preço da energia no mercado de curto de prazo (PLD)”, disse a agência reguladora, em referência às duas variáveis que determinam a cor da bandeira a ser acionada a cada mês.

 

(Por Gabriel Araujo)

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