Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – O ex-ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres, disse à Polícia Federal que está disposto a responder “todas as perguntas” e que quer depor na próxima segunda-feira caso seus advogados consigam acesso aos autos de três inquéritos que o envolveriam.

Torres preferiu permanecer em silêncio e não responder aos questionamentos que lhe foram feitos na manhã de quarta-feira, mas deu sinais de que pretende colaborar.

“O declarante se mostrou disposto em responder as todas as perguntas que forem formuladas pela Autoridade Policial o mais rápido possível”, segundo o termo de declarações feito pela PF e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante o depoimento, a defesa de Torres pediu a palavra e sugeriu a remarcação das declarações do seu cliente para segunda-feira, acrescentando que o próprio gabinete de Alexandre de Moraes informou que o acesso aos autos iria ocorrer até a sexta.

O ex-ministro foi preso no sábado por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes após ter tido uma atuação considerada leniente para impedir a invasão e destruição das sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro.

Torres, então secretário de Segurança Pública do DF, estava nos Estados Unidos quando ocorreram os atos de vandalismo. Ele, o governador afastado do DF, Ibaneis Rocha, e Bolsonaro são investigados pelo Supremo por envolvimento –direto ou indireto– no episódio.

Em uma busca e apreensão feita na casa de Torres, a Polícia Federal encontrou uma minuta de um decreto que procurava estabelecer as condições para a reversão da vitória eleitoral do agora presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio de um estado de defesa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em um indicativo de que poderia haver um golpe de Estado em curso por extremistas.

FÉRIAS

Outro depoimento tomado foi o do ex-secretário-executivo da Secretaria de Segurança Pública do DF Fernando de Sousa Oliveira, também preso por ordem do STF. O chamado número 2 de Torres, que depôs na quarta, disse que o secretário era o titular da pasta no dia 8 e que ele só sairia de férias na segunda-feira.

Oliveira afirmou ainda que Torres não deixou nenhuma diretriz específica a ele, tendo ficado combinado que iria acioná-lo em caso de necessidade. Ele informou no depoimento que, pelas informações iniciais de inteligência, o ambiente estava controlado e tranquilo. Destacou que até as 13h do domingo não havia nenhum movimento atípico.

O número 2 disse que, diante da ausência do secretário, a partir da violência em Brasília acionou o gabinete de crise convocando os comandantes para agir e prender invasores dos prédios públicos. Afirmou ainda que se colocou à disposição do interventor federal, Ricardo Capelli, após a decretação do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

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