Negócios

Anatomia do RECALL

Primeiro foi o escândalo do enorme recall de 7,9 milhões de pneus, deflagrado depois que o departamento de trânsito dos EUA constatou que mais de 140 pessoas morreram em 1,4 mil desastres de veículos Ford, como o Explorer. Agora a japonesa Bridgestone/Firestone e a montadora americana, duas gigantes da indústria automobilística, entraram mesmo em rota de colisão, com trocas pesadas de acusações a fim de repassar a maior parcela de culpa para o antigo parceiro. Além dos gastos com a substituição de componentes, está em jogo a imagem e a própria sobrevivência das companhias. Para o presidente executivo da Ford, Jacques Nasser, o problema do estouro de pneus de modelos como o Explorer diz respeito unicamente à Firestone. A acusação fez com que a fabricante de pneus deixasse de lado a tradicional frieza nipônica e disparasse suas farpas. Na segunda 11, o presidente mundial, Yoichiro Kaizaki, afirmou que a estabilidade não é o forte do Explorer e o carro tende a capotar caso os pneus estejam mal conservados. A empresa admite, porém, que descobriu problemas nos moldes e no processo de produção da fábrica em Decatur, no estado de Illinois. Mas a nuvem de poeira das investigações aponta problemas também na fábrica de Valência, na Venezuela.



Juntas, a Firestone e a Ford gastarão US$ 1,5 bilhão na substituição dos componentes, com evidentes estragos nos balanços. Principalmente no caso da Firestone, que fica com a maior parte da conta: US$ 1 bilhão. Para se ter uma idéia do que isto representa, a empresa obteve lucro de US$ 780 milhões no ano passado. Com o saldo pesado das mortes sobre suas costas, as empresas buscam desesperadamente preservar a confiança dos consumidores, mas uma pesquisa do The Wall Street Journal realizada na Internet indica que 67% de 814 pessoas consideram que o recall afetará em muito a decisão de adquirir pneus Firestone. Outros 25% pensarão duas vezes antes de comprar um Ford. Dentro da montadora, se admite que as relações podem ficar seriamente abaladas. ?A Ford pode mudar a política de compras de produtos da Firestone se houver motivos para isso, como a rejeição por parte dos clientes?, declarou à DINHEIRO um executivo da companhia.

Documentos indicam, no entanto, que a Ford sabia há três anos que existiam problemas nos pneus. ?Mesmo que os erros na produção sejam da Firestone, a montadora deve ter um controle de qualidade?, acusa o especialista brasileiro Glauco Arbix. Apesar da substituição voluntária que a empresa promoveu no início deste ano em veículos na Venezuela, o diretor de serviços ao cliente da Ford no Brasil, Flávio Padovan, sustenta que as falhas não foram escondidas. ?Fizemos a substituição porque a Firestone demorou a se manifestar sobre os acidentes naquele país?. Com os pneus defeituosos em Decatur e na Venezuela, quem garante que outras unidades também não sofram do mesmo mal? ?Todos os acidentes nos EUA ocorreram com pneus fabricados em Decatur?, alega o gerente de assuntos corporativos da subsidiária brasileira da Firestone, José Batista Gusmão.

A empresa também faz um recall no Brasil, onde não há relatos de vítimas fatais. Mas nos próximos dias a advogada Tânia Meirelles entra com processo contra a Firestone pelo acidente que seu carro sofreu em abril de 1999, quando capotou cinco vezes e feriu sua filha e o motorista. Detalhe: a perícia afirma que o sistema de segurança e os pneus, fora o que estourou, estavam em boas condições.

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