Amitié Colheitas: uvas das quatro estações e de cinco terroirs do Brasil

Amitié Colheitas: uvas das quatro estações e de cinco terroirs do Brasil

Juciane Casagrande Doro (enóloga) e Andrea Gentili Milan (sommelière), da Amitié, com as cinco garrafas dos vinhos produzidos no verão, outono, inverno e primavera

Assim como nas cervejarias ciganas, em que o estilo e a qualidade da bebida não depende da estrutura física de produção e sim do conceito criado pelo cervejeiro, as sócias da Amitié, Andreia Gentili Milan (sommelière) e Juciane Casagrande Doro (enóloga) têm feito história no mundo do vinho mesmo sem uma vinícola própria. É bem verdade que elas já compraram uma propriedade no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS), onde em breve abrirão as portas de um espaço destinado ao enoturismo e à finalização de vinhos de alta gama. Mas, até agora, todos os rótulos lançados pela dupla desde 2018 foram produzidos em vinícolas parceiras. E o mais interessante é que, mesmo sem ter vinhedos próprios, nem maquinário e nem barricas, a Amitié é um exemplo extraordinário de sucesso, tanto de público quanto de crítica. A coleção de prêmios já conquistados impressiona: foram mais de 20 apenas na linha de espumantes, que tem sete rótulos. E, assim como os especialistas, o público tem aprovado. Das 19 mil garrafas lançadas no primeiro ano de atividade, a Amitié deve chagar a 300 mil até o fim de 2021. Um êxito que merece aplausos – e que se deve a uma combinação de boas ideias.

A soma de experiências das duas amigas, que colocaram a palavra amizade (em francês, Amitié) na empresa que ciaram em sociedade, resulta na criação de produtos inovadores, que combinam alta qualidade e apelo comercial a preços atraentes. Mais que isso, as duas capricham em mimos para os clientes, como os marcadores de taça que acompanharam um de seus lançamentos. Mas é na conceituação de cada linha de produtos que reside o diferencial desse trabalho feito com carinho e dedicação. A maior prova de que é isso o que move as decisões das donas da Amitié está no seu mais recente lançamento, denominado Colheitas.

São cinco rótulos, de diferentes regiões produtoras, colhidos nas quatro estações do ano. Algo que só é possível no Brasil, onde a soma dos esforços de pesquisadores e produtores permite transcender os limites da vitivinicultura tradicional. Na linha Colheitas, cujos rótulos podem ser adquiridos em um kit completo (R$ 495,00, no site www.amitieloja.com.br) ou individualmente (a preços entre R$ 73 e R$ 110), o que se destaca é valorização de cada terroir escolhido.

Em Pinto Bandeira (na Serra Gaúcha) e em Santana do Livramento (na Campanha), onde as condições climáticas permitem ótimos resultados na viticultura tradicional (de verão), a dupla escolheu, respectivamente, as variedades Cabernet Franc e Tannat. Ambos expressam a tipicidade de cada casta e da região em que elas se adaptaram perfeitamente.



Na Serra Catarinense, em Videira, onde o clima mais frio favorece a maturação lenta das uvas e possibilidade a colheita de variedades tintas durante o outono, a escolha foi por um corte de quatro casta: Merlot, Malbec, Cabernet Sauvignon e Montepulciano, uva típica da região da Toscana. Um vinho sedoso, elegante e muito gastronômico.

Para a colheita de inverno, possibilitada nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do País graças à técnica conhecida como dupla poda, a Syrah (ou Shiraz, como aparece neste rótulo) foi uma escolha certeira. A variedade tem apresentado excelentes resultados em vinícolas da Serra da Mantiqueira, onde a Amitié se valeu do conhecimento de décadas acumulado pela Casa Geraldo, de Andradas (MG).

Por fim, a viticultura tropical, baseada em irrigação, que se consagrou no Vale do São Francisco, permitiu a colheita na primavera, em setembro de 2020, da variedade Tempranillo. As uvas colhidas em Lagoa Grande (PE) foram vinificadas em um rosé muito delicado e rico em aromas.

Mais que uma coleção que ilustra de forma espetacular todo o potencial do vinho brasileiro, a iniciativa é um convite a abrir a cabeça do consumidor para o novo. É com ideias assim que o Brasil pode dar um salto qualitativo na produção vinícola.

 

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Sobre o autor

Celso Masson, 53, é jornalista, diretor de núcleo da Editora Três, winemaker e palestrante de vinhos. Nos últimos dez anos, vem estudando e acompanhando a produção, os negócios e os prazeres do mundo da enologia. Se formou winemaker após integrar um exigente programa oferecido pela Escola do Vinho Miolo. Já tem três rótulos produzidos em parceria com a inovadora vinícola brasileira.


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