Investidores

Ambiente competitivo estimula Santander

Além do avanço por canais digitais, banco pretende ampliar rede de agências que atendem a cadeia do agronegócio, desde fornecedores, produtores até a agroindústria

Crédito: João Castellano/Istoe

Sergio Rial: “Vamos dar um novo salto revolucionário na experiência do cliente do Santander Brasil” (Crédito: João Castellano/Istoe)

O Banco Santander Brasil estabeleceu novas metas para sua atuação no País num ambiente que será muito competitivo nos próximos anos. Entre as expectativas divulgadas ao mercado na terça-feira 8, a instituição prevê um crescimento médio de 10% ao ano em sua carteira de crédito (não ampliada) até 2022. Em número de clientes, a instituição projeta agora um aumento de 7% ao ano para o mesmo período. Já no segmento que atende as classes C,D e E, com a rede Prospera, o banco promete elevar o número de clientes de 368 mil — registrado em junho passado — para 1 milhão. No atendimento ao agronegócio, o banco pretende alcançar 10% de market share (participação de mercado) no crédito rural, algo como R$ 35 bilhões, no horizonte de três anos.

“Vou demonstrar nessa primeira reunião com investidores que no futuro do Santander existe crescimento”, afirmou o presidente do banco, Sergio Rial, aos participantes do primeiro evento Santander Investor Day, realizado em São Paulo. “O mercado brasileiro mudou muito. Há coisas óbvias como no setor de adquirência, mas outras, nem tanto, como o crédito para automóveis com taxas de 0,70% ao mês, que não existiam antes”.

Em sua apresentação para analistas e investidores, Rial destacou uma estratégia em várias frentes com o objetivo de avançar em meios de pagamentos (Getnet e Way), em benefícios aos trabalhadores (BEN), no microcrédito (Prospera), e também no crédito para o agronegócio com agências especializadas para atender produtores e a cadeia de fornecedores e da agroindústria. “A possibilidade de ocupar o interior do País é enorme”, disse Rial.

Segundo o presidente do Santender Brasil, 80% das operações do banco são feitas por canais digitais, tanto pelo internet banking quanto celular. “E a gente nem viu a conversão acelerada da PJ (pessoa jurídica). Ainda há muito para acontecer”, ressaltou. Para ele, o canal físico, com agências, vai continuar existindo, crescendo no interior, inteiramente dedicado para o agro e para investimentos, ou para cada microrregião. “A agência tradicional não vai existir mais, não terá nem papel, e o trabalho será o de fazer negócios, de conversar e estruturar negócios”, apontou. “O canal físico e o digital vão estar muito mais interligados. Temos provas matemáticas de que o cliente que utiliza os dois canais é muito mais rentável do que aquele que utiliza um ou outro. É isso que vamos buscar”, completou. Para Rial, a estratégia não é só expandir a base de clientes ou o número de produtos, “mas sim crescer a base de forma rentável”. Par isso, o banco aposta no modelo cardápio, onde o cliente escolhe e paga por aquilo que precisa ou deseja. “Vamos dar mais um salto na experiência do cliente”.

Ele citou o caso de clientes que tinham duas contas, uma pessoa física e outra pessoa jurídica, e que eram atendidos por dois profissionais diferentes dentro do banco porque os sistemas não conversavam. “É o caso de médicos, profissionais liberais. Às vezes, tinham crédito em uma conta, e na outra, o crédito era negado, coisas que não tinham o menor sentido. Vamos fazer tudo para eliminar esse legado do passado que não conversa mais com a sociedade moderna”, disse. Pela nova estratégia, esse mesmo cliente agora passa a ser atendido por um profissional que acompanha suas contas bancárias e entrega soluções analisando todo o histórico de crédito e de investimentos.

Quanto ao segmento de adquirência, ele destacou que o grupo Santander está levando a experiência bem-sucedida da Getnet para outros países. “Num primeiro momento, para o México, depois vamos disseminar para toda a América do Sul, ou seja, para o Chile, Argentina e demais países”, afirma. Sobre a atuação da empresa no Brasil, ele lembrou que a Getnet, com a máquina SuperGet, lançou a conta digital grátis para pessoa física, com a transparência de 2% de taxa no débito e no crédito à vista, modelo que deverá atrair 1 milhão de clientes para o banco. Em sua exposição, o presidente ainda destacou o sucesso do aplicativo Way, com mais de 7 milhões de usuários. “Nossa ambição também é ser o segundo maior banco em cartões no Brasil. E em breve, vamos lançar aqui o American Express, um produto importante para alta renda, fazendo com que o leque de cartões continue sendo o mais completo”, antecipou.

Expansão no campo O Santander encerrará este ano com 40 lojas agro, ante 22 abertas no período de 2017 a 2018. O diretor responsável pela área do agronegócio, Carlos Aguiar, lembrou que o banco era pouco posicionado em cidades da região Centro-Oeste, mas que essa realidade está mudando. “Nós podemos ter 100 lojas se tivermos mais pessoas especializadas no campo. Nosso profissional visita cada fazenda, três a quatro vezes por ano para conhecer o negócio, a necessidade do produtor. Nós queremos ser o melhor banco para o agro”, concluiu Aguiar.

Em relatório, o analista Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, observou que no primeiro semestre de 2019, o estoque de crédito do Santander teve alta de 9,3% em 12 meses. A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE), por sua vez, deve ficar em torno de 21%, praticamente o resultado do primeiro semestre, que foi de 21,3%. “O management segue focado no crescimento da receita, avanço de market share, crédito ao consumidor e negócios voltados para pequenas e médias empresas”, relata.