Negócios

Aluguel de CEOs

Executivos se unem e criam consultoria especializada em assumir o comando de empresas em dificuldade

Crédito: Claudio Gatti

Mão na massa: (da esq. para a dir.) Bastos, Guizzo, Tepedino e Ruelas, sócios da Ivix e candidatos a CEO (Crédito: Claudio Gatti)

O empresário Nelson Bastos tem um longo histórico junto a empresas que enfrentaram dificuldades. Ele é um dos fundadores da Gradiente, que, após sua saída, afundou em dívidas e decisões equivocadas. Mais tarde, atuou na Varig e foi responsável pela reestruturação da Parmalat no Brasil, o primeiro grande caso da Lei de Recuperação Judicial no País. Bastos resolveu fazer dessa experiência um negócio. Junto com outros três executivos, ele criou a Ivix, consultoria especializada em recuperação de empresas. “Nosso foco é arrumar a casa para uma possível venda ou aporte de capital”, afirma Bastos. Como diferencial, a Ivix adota a estratégia de, literalmente, colocar a mão na massa.

A consultoria não se limita a fazer uma análise do problema e propor soluções. Ela, de fato, assume o comando do cliente, apontando um CEO. Entre os casos de sucesso da companhia estão a venda da fabricante de pneus Levorin, para a Michelin, e do Grupo Scalina, dono das marcas Trifil e Scala, para a Lupo. “Nem sempre, a recuperação judicial é o melhor caminho”, afirma Pedro Guizzo, um dos sócios da consultoria, que, atualmente, comanda a maior cliente da Ivix, a construtora WTorre – os outros sócios são Alexandre Ruelas, que hoje é CFO da LBR Lácteos, e Alberto Tepedino, que comanda a Urbplan.

Nem sempre a estratégia dá certo. Em setembro do ano passado, a Ivix assumiu a direção da Urbplan, loteadora que pertencia ao fundo Carlyle. A intenção era recuperar seus ativos, mas, em novembro, o fundo decidiu abrir mão do controle e repassar a loteadora a investidores. Um dos credores da empresa, a Gaia Securitizadora, chegou a apresentar uma petição com supostas provas de insolvência e dilapidação patrimonial. Para os sócios da Ivix, no entanto, o modelo de consultoria “mão na massa” veio para ficar. “Não adianta só apontar o caminho correto, é preciso se certificar que ele será adotado”, afirma Guizzo. “Para isso, é preciso estar presente no dia a dia da empresa.”