Finanças

ALTA VOLTAGEM

Virada a página do Banespa, os investidores das bolsas de valores saíram em busca de novos papéis para transformar em sensação do momento. E deram de cara com as elétricas. As empresas do setor, de onde sai a próxima grande onda de privatização, estão dando um drible na maré negativa que deprime o Ibovespa. Na média, acumulam uma alta no ano de 10% segundo o IEE, o índice da bolsa para as elétricas ? bem perto do índice geral da Bovespa, que, enquanto isso, sofreu um tombo de 22%. A onda favorável às distribuidoras e geradoras de energia não chegou a favorecer igualmente todas as empresas do setor, mas as que estão na fila da privatização dispararam. A campeã é a Cesp, que terá um de seus braços, a Paraná, leiloado durante a semana, no dia 4. A cotação das ações preferenciais subiu nada menos que 82,7% e puxou com ela o Índice de Energia Elétrica: a companhia é a que tem maior peso no indicador, respondendo sozinha por quase 10% do resultado.

Contou também, e muito, uma causa milionária que a concessionária ganhou na Justiça e reergueu suas contas. Foi uma ação de R$ 600 milhões, para uma empresa com valor de mercado até então de R$ 800 milhões. Já o segundo ativo de maior peso no IEE, as ações da Gerasul, não foi impulsionado por qualquer fato extraordinário, mas também corresponde a uma empresa que aguarda no corredor das privatizações. Da mesma forma, então, o papel foi agraciado pelos investidores com uma valorização fulminante. No ano, as ações já subiram 56%. O mercado aposta nesses papéis sobretudo porque acredita que o novo controlador, após o leilão, acabará recomprando as ações em poder dos minoritários.



Há motivos para otimismo com ações de empresas do setor também independentemente da lista de desestatizações. Um fator que deverá contar positivamente para todas as elétricas é o ajuste no ano que vem da chamada CCC, a conta que subsidia as operações das usinas termelétricas e garante o atendimento de toda a demanda no sistema. O custo dessa conta para distribuidoras e geradoras subiu cerca de 120% no ano, mas o repasse para suas tarifas ficou, na média, em metade desse índice. O resultado é que as tarifas ficaram com um reajuste represado que varia de empresa para empresa, mas que, segundo os analistas do segmento, vai favorecer todos, porque está previsto nos contratos de concessão. A Eletropaulo Metropolitana, por exemplo, tem um aumento entre 1,5% e 2% a receber em seus preços.

A expectativa de que a economia brasileira cresça em 2001, provocando aumento na demanda das empresas brasileiras por energia, também ajuda na cotação das elétricas. Como os preços da energia são controlados, a demanda em alta não empurra as tarifas para cima, mas, inversamente, os preços também não caem quando a procura decepciona. ?A energia não é uma commodity que pode cair 50% ou encalhar no estoque dos produtores. A demanda é mais ou menos constante e o mercado é regulado?, lembra Gustavo Gatais, analista de energia para a América Latina do UBS Warburg. O que gera mais risco para as empresas do setor, explica, é o endividamento. As que têm índices altos de alavancagem são as mais expostas a solavancos como desvalorizações cambiais e alta dos juros. Na Light, por exemplo, o endividamento alcança 79% dos ativos, sendo que a parcela em dólar sozinha chega a 60%. A eventualidade de uma crise ainda mais grave na Argentina, por exemplo, pode castigar a cotação da companhia nas bolsas.

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