Alta nos preços dos alimentos impacta orçamento de 93% dos brasileiros

Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil

Brasileiros sentem a alta dos preços e 42% culpam o presidente pela situação inflacionária (Crédito: Tânia Rego/Agência Brasil)



Duas pesquisas liberadas nos últimos dias evidenciam uma informação que aliados políticos do presidente Jair Bolsonaro vem martelando nos últimos tempos: as narrativas escolhidas para atravessar a pandemia não têm mais tanto apelo com a população. Explico. Segundo dados do Insper, 93% dos brasileiros sentiram o aumento dos preços dos alimentos no bolso. Outro levantamento, este do PoderData, revela que 42% dos brasileiros culpam o presidente pelo aumento no valor dos produtos nas gôndolas.

E essa é uma das relações matemáticas que nenhum candidato a cargo eletivo quer receber de sua equipe de campanha.  E é também um dos grandes males de uma democracia presidencialista. A culpa sempre recai no presidente. Se bem que neste caso é mesmo. A questão inflacionária no Brasil antecede a pandemia e é reflexo da falta de uma política monetária que pensasse em médio prazo. Faltou planejamento, estratégia e assertividade. Todas essas características (quando não encontramos no presidente) deveriam estar ao menos de seu “superministro da Economia”, Paulo Guedes.

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Esta jornalista que vos escreve avisou do tamanho do problema que surgia no horizonte. E a pandemia mal tinha começado. Não havia guerra. Não havia eleição no calendário, nem Lula na disputa presidencial.  No dia 13 de março de 2020, a edição de número 1162 da revista DINHEIRO avisava em sua capa: “O pandemônio do câmbio se instala no Brasil”. Era um alerta do que estava por vir. Dissemos: “A política cambial do governo está míope. Oficialmente é câmbio flutuante, mas o purismo de se fixar apenas nas metas de inflação está fazendo com que nosso regime, em vez de flutuante, seja o câmbio à deriva”.




Dito e feito. Desde então perdemos a mão do dólar e todos os problemas que apareceram desde então (dentro e fora do Brasil) tiveram um efeito devastador na frágil economia brasileira. A desvalorização do real soma 30% entre março de 2017 e fevereiro de 2022, mas o maior ritmo se deu entre 2019 e 2021, quando o tombo da moeda brasileira girou em torno de 23%, segundo dados da OCDE. Em 2022, uma reação da moeda brasileira. Mas ela não está atrelada a uma mudança de postura da polícia monetária nem no desenho de novas estratégias. Foi um episódio casual, quando o “câmbio à deriva” sai da tempestade e encontra um céu aberto e com menos ondas. Foi sorte e já passou. Em 15 de junho, às 15 horas, o câmbio estava em exatos R$ 5.

E o caminho da marca mágica dos  R$ 5 é longo. Começa lá em novembro de 2019, quando Guedes falou que se o governo fizesse “muita merda o câmbio chegaria em R$ 5”. Boca santa. E desde então vivenciamos esse problema que se alonga e se aprofunda cada vez que exageramos no populismo gastador ou quando viramos as costas para as âncoras fiscais. Um problema que sai da crítica ideológica do presidente e cai na economia real, sentida pelos 93% dos brasileiros quando vão ao mercado. E olhar esta realidade e ter cara de pau culpar a pandemia, os governadores, a guerra, o clima, os índios, o Lula, o PT, o comunismo é zombar de todo mundo que paga uma conta de luz e bota comida na mesa.







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