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Alta de juros nos EUA e no Brasil: qual é o impacto na economia brasileira?

Crédito: José Cruz / Agência Brasil

Alta de juros nos EUA e no Brasil: qual é o impacto na economia brasileira? (Crédito: José Cruz / Agência Brasil )

O banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), elevou, nesta quarta-feira (4), sua taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, maior aumento em 22 anos. O banco anunciou que começará a reduzir sua carteira de títulos em junho para reduzir a inflação.

Enquanto isso, aqui no Brasil, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reuniu-se nesta quarta e subiu a Selic em 1 p.p., fechando em 12,75% ao ano. Para o diretor de Investimentos do Paraná Banco, André Malucelli, o Banco Central continuará com ajustes pontuais na Selic até atingir 13,25% ao ano.



O CEO da iHUB Investimentos, Paulo Cunha, disse que quando começaram os receios sobre o aumento do Fed ser maior, esse movimento enxugou o ingresso de dólares no Brasil e o país teve saldo negativo no mês de abril. “Isso gera uma aversão ao risco e ocasiona uma queda em ativos de risco, que ocorreu até mesmo nas bolsas norte-americanas, principalmente a Nasdaq que sentiu bastante esses efeitos”, disse.

Segundo Cunha, a subida de juros pelo Fed, no Brasil, é vista de forma negativa. “Quando o banco central norte americano sobe os juros e oferece uma rentabilidade maior para os treasuries americanos, via de regra, os investidores passam a procurar ativos de menor risco a uma rentabilidade maior. Ou seja, fluxo saindo de países emergentes e voltando para os Estados Unidos, assim como, o fortalecimento do dólar”, explica Cunha.

No Brasil, todos os segmentos são impactados, inclusive os de commodities como minério de ferro e petróleo. “Esse aumento de juros é uma tentativa de controlar a inflação norte-americana. Portanto, esse aumento é uma arrefecida na demanda mundial, pois acontece uma puxada de freio da economia. Como o Brasil é um país exportador de commodities, existe um receio de impactar o mercado como um todo”, finaliza Cunha.

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André Malucelli afirma que a surpresa negativa na inflação de março, somada ao aumento constante nas expectativas de inflação do relatório Focus, que voltou circular essa semana, pode levar o Banco Central a não encerrar o ciclo de alta na reunião de maio, deixando a porta aberta para mais uma alta em junho. “Nossa projeção é que o IPCA feche o ano próximo a 7,5%, ainda acima da meta, que é de 5,25%. Somente em 2023 devemos ver um processo de desancoragem da inflação, que deve voltar próximo a meta e atingir 3,8%”, explica Malucelli.


Sobre investimentos, Malucelli disse que renda fixa em pós-fixado é a melhor opção no momento. “Seguimos sugerindo os papéis indexados ao CDI, ao menos até o final deste ciclo de alta da Selic, visando proteger os investidores”.

Em relação ao câmbio, Malucelli acredita que o dólar oscilará entre R$ 5,15 e R$ 5,50 até o final do ano. “A moeda estará muito volátil, devido os diversos fatores políticos e econômicos.”

Economistas do grupo consultivo macroeconômico da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) acreditam que haverá um menor crescimento do Produto Interno Bruto mundial, tornando o cenário mais desafiador para os mercados emergentes, considerando ainda o contexto de incertezas quanto aos desdobramentos do conflito Rússia-Ucrânia.

“Uma redução dos preços das commodities, resultado da provável queda de demanda chinesa, ajudará no combate à inflação no Brasil, mas não seria o suficiente para a reversão da trajetória dos preços, diante da resiliência inflacionária e sua disseminação nos diversos segmentos da economia”, afirma o grupo de economistas.

Em relação à atividade econômica, a Anbima destaca um maior dinamismo no nível de atividade com recuperação do varejo, indústria e alguns segmentos dos serviços. Para o PIB deste ano, o grupo revisou a taxa de crescimento de 0,30% para 0,60%.



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